Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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9 de fevereiro de 2026 16:06

O Nordeste que se anuncia para 2026

O Nordeste que se anuncia para 2026

Consórcio Nordeste projeta novo ciclo de desenvolvimento com Inteligência Artificial, investimentos industriais de R$ 113 bilhões e agenda integrada de infraestrutura, tecnologia e transição energética
Governadores dos estados nordestinos reunidos na Assembleia Geral do Consórcio Nordeste em dezembro de 2025 | Foto: Consórcio Nordeste

A Assembleia Geral do Consórcio Nordeste, realizada em 1º de dezembro de 2025, em Teresina (PI), funcionou como uma antevisão do Nordeste que se projeta para 2026. As decisões tomadas no encerramento do último ano, os projetos anunciados e as articulações consolidadas apontaram para um novo ciclo de desenvolvimento regional baseado em tecnologia, indústria e transição energética, com impacto direto nos nove estados.

O encontro reuniu governadores, representantes de bancos públicos, agências federais e organismos internacionais, e consolidou duas frentes estratégicas que passaram a orientar a agenda do Consórcio em 2026: a validação de R$ 113 bilhões em investimentos industriais, por meio da Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil, e o lançamento do Centro de Inteligência Artificial do Nordeste (CIAN).

Ao final da Assembleia, o governador de Alagoas, Paulo Dantas, foi eleito por unanimidade presidente do Consórcio Nordeste para o exercício de 2026, sucedendo o governador do Piauí, Rafael Fonteles, que permaneceu no cargo até 31 de dezembro de 2025.

Chamada Nordeste estrutura a base industrial de 2026

A Chamada Nordeste se consolidou como o principal eixo de sustentação econômica do Nordeste que se anuncia para 2026. A iniciativa, apresentada no final de 2025, superou amplamente a expectativa inicial de financiamento, que era de cerca de R$ 10 bilhões, e validou R$ 113 bilhões em investimentos distribuídos em 189 projetos industriais, contemplando todos os estados da região.

Os projetos estão concentrados em cinco áreas estratégicas — bioeconomia, descarbonização, energias renováveis, data centers verdes e indústria automotiva, incluindo máquinas agrícolas — e indicam uma reindustrialização orientada pela transição energética e pela economia verde.

Em entrevista ao Investindo Por Aí, o secretário de Desenvolvimento Regional do Consórcio Nordeste, Pedro Lima, detalha que a Chamada foi estruturada para fomentar investimentos alinhados à política Nova Indústria Brasil, priorizando setores com maior potencial de transformação econômica.

“O objetivo é auxiliar na superação de obstáculos no acesso ao crédito para projetos na Região, aproximando o empresariado local das instituições financeiras federais (BNDES, Banco do Brasil, Caixa, Banco do Nordeste e Finep) e incentivando a colaboração entre essas”, pontua.

Segundo Lima, os responsáveis pelas 189 propostas aprovadas receberam, no início de dezembro, os Planos de Suporte Conjunto, que indicam as instituições financeiras interessadas em financiar os projetos. “Cabe a esses agora apresentar a documentação necessária para que as instituições financeiras avaliem a viabilidade técnica da concessão do crédito”, explica.

Ele acrescenta que o Consórcio Nordeste, juntamente com os demais membros do CORIFF da Sudene, acompanha de perto a evolução dos processos de financiamento e a concretização das propostas aprovadas.

O então presidente do Consórcio Nordeste, Rafael Fonteles, avalia que o resultado da Chamada evidenciou a capacidade técnica e produtiva da região.

“Nós lutamos para ter uma chamada de crédito específica para a região estimado em 10 bilhões de reais. Quando vieram os projetos, somaram-se 128 bilhões, dos quais 113 foram validados. É realmente uma demonstração inequívoca de que, tendo a oportunidade de financiamento, o Nordeste tem excelentes projetos. Desta vez foram cinco áreas específicas: bioeconomia, descarbonização, energias renováveis, data centers e indústria automotiva. Então, eu espero que no próximo ano, na presidência do Paulo, nós tenhamos outras chamadas com ainda mais investimentos, porque é isso que vai desenvolver a nossa região”, ressaltou durante a Assembleia Geral do Consórcio Nordeste.

Rafael Fonteles avalia que o resultado da Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil evidenciou a capacidade técnica e produtiva da região | Foto: Consórcio Nordeste

Centro de IA antecipa o Nordeste do futuro

Outro anúncio estruturante apresentado no encontro de dezembro foi o lançamento do Centro de Inteligência Artificial do Nordeste (CIAN), iniciativa que passa a projetar a região para a fronteira tecnológica em 2026. O centro resulta de uma parceria entre o Consórcio Nordeste, a Dataprev e a empresa chinesa Huawei do Brasil, com participação direta de universidades públicas nordestinas.

Em declaração ao Investindo Por Aí, o chefe de Gabinete do Consórcio Nordeste, Glauber Piva, avalia que o CIAN reposiciona o Nordeste no cenário nacional ao consolidá-lo como referência em inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento.

“A iniciativa representa uma aposta estratégica em infraestrutura segura e computação de alto desempenho, fundamentais para a soberania digital”, ressalta.

O CIAN foi concebido como um ecossistema virtual voltado ao desenvolvimento de soluções em IA, com domínio regional sobre dados e modelos tecnológicos. Para Rafael Fonteles, a iniciativa representou um marco de ousadia institucional.

“Nosso objetivo é claro: colocar o Nordeste na vanguarda. Ao unirmos a reputação da Dataprev com a tecnologia da Huawei, nos sentimos seguros para entrar de vez nessa corrida tecnológica. Estamos buscando o que há de melhor no mundo para construir nossa própria soberania digital, conectando a inteligência das nossas universidades à velocidade que o futuro exige”, afirmou.

Tecnologia como política pública estruturante

A estratégia de IA apresentada na Assembleia reforçou o uso da tecnologia como instrumento de eficiência do Estado e melhoria dos serviços públicos, um dos pilares do planejamento que entrou em execução em 2026.

Em termos operacionais, Piva explica que a articulação promovida pelo CIAN conecta laboratórios avançados e parques tecnológicos para ampliar a escala de projetos e impulsionar a criação de produtos e serviços inovadores em áreas críticas como saúde, educação, agricultura, gestão pública e inclusão digital.

CIAN passa a projetar a região para a fronteira tecnológica em 2026 | Foto: Consórcio Nordeste

“A expectativa é que essa infraestrutura amplie a interoperabilidade entre plataformas públicas e fortaleça a segurança de dados, gerando soluções concretas para os desafios da região”, acrescenta.

Piva também observa que os projetos-piloto desenvolvidos no âmbito do CIAN estão alinhados às áreas prioritárias para a transformação dos serviços públicos essenciais. “Hoje já temos cinco soluções (MVPs) desenvolvidas antes mesmo do lançamento e que impactam positiva e diretamente a vida do cidadão”, assinala.

Entre elas estão aplicações voltadas para:

  • Saúde: IA para agilizar benefícios por incapacidade;
  • Educação: assistentes inteligentes para qualificação profissional;
  • Segurança: monitoramento automatizado de patrimônio;
  • Gestão: transparência radical em processos licitatórios;
  • Agro: tecnologia de ponta na fiscalização rural.

“A escalabilidade desses projetos é viabilizada pela integração de bases de dados e pela maior interoperabilidade entre plataformas públicas promovida pelo Centro. Ao aplicar inteligência artificial nessas frentes, o Consórcio busca modernizar a administração pública regional, garantindo maior eficiência, transparência e, principalmente, a redução das desigualdades históricas por meio da inovação tecnológica”, afirma Piva.

Formação de talentos e retenção de capital humano

O plano estratégico para o triênio 2026–2028 prevê a qualificação de 40 mil estudantes em Inteligência Artificial, como base para a consolidação de um ecossistema regional de inovação.

Piva esclarece que essa formação será estruturada a partir de uma articulação inédita envolvendo cinco grandes instituições federais de ensino e pesquisa da região: UFPI, UFPB, UFRN, UFC e IFCE.

“O CIAN nasce como uma rede multinstitucional desenhada para integrar as competências já distribuídas pelos estados, conectando pesquisadores e as redes de educação profissional”, observa.

De acordo com ele, a retenção desses talentos está diretamente associada à capacidade do CIAN de atrair investimentos e gerar oportunidades locais.

“A retenção desses talentos está atrelada ao próprio objetivo do CIAN de atuar como um polo de atração de investimentos nacionais e internacionais e promover parcerias com empresas de tecnologia, criando um ecossistema produtivo local capaz de absorver essa mão de obra qualificada e ampliar oportunidades de trabalho na região”, detalha.

Para avançar na descarbonização da indústria, o Consórcio assinou um Protocolo de Intenções com a NORGÁS (Associação das Distribuidoras de Gás Natural do Nordeste) | Foto: Consórcio Nordeste

Governança tecnológica e transferência de conhecimento

A governança do CIAN é estruturada por meio de um Memorando de Entendimento que reúne o Consórcio Nordeste, a Dataprev, a Huawei do Brasil e as instituições federais de ensino participantes.

“Nesse arranjo cooperativo, a Dataprev e a Huawei contribuem com expertise em infraestrutura segura, computação de alto desempenho e soluções avançadas para serviços públicos”, observa Piva.

Segundo o chefe de gabinete do Consórcio Nordeste, a transferência de tecnologia para o ecossistema regional é garantida pelo modelo de rede multinstitucional, que integra laboratórios e parques tecnológicos dos estados, assegurando que o conhecimento compartilhado resulte em inovação tanto na gestão pública quanto no setor produtivo local.

Transição energética, logística e modernização industrial

A construção do Nordeste que se anuncia para 2026 também passa pela reorganização da base energética e logística da região. Pedro Lima informa que o Consórcio Nordeste firmou parcerias para a elaboração de estudos voltados à criação de corredores azuis, com foco na conversão da frota pesada de transporte de cargas para o uso de gás natural e biogás, além da interiorização e expansão do mercado de gás.

“Os estudos já estão em fase avançada de elaboração e serão entregues no início de 2026”, adianta.

Ele acrescenta que foi instituída a Câmara Temática de Infraestrutura, que tem entre suas prioridades a criação de um observatório logístico do Nordeste, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026. Paralelamente, os estados articulam atuação política conjunta para enfrentar gargalos logísticos históricos, incluindo propostas de fortalecimento da cabotagem e priorização de obras rodoviárias estratégicas.

Planejamento, sustentabilidade e base técnica internacional

Lima ressalta que as análises apresentadas pelo Banco Mundial e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) funcionam como alicerces técnicos do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE). “Existe uma complementariedade estratégica entre os diagnósticos”, observa.

Paulo Dantas assume presidência do Consórcio Nordeste consciente de que a região vive um ciclo de oportunidades | Foto: Consórcio Nordeste

Ele explica que o estudo do Banco Mundial sobre desenvolvimento digital demonstra que a transição econômica da região depende de uma infraestrutura robusta de conectividade, fundamentando ações voltadas à economia de dados e à inclusão digital. Já a análise do iCS introduz a estratégia de powershoring, defendendo que a abundância de energia renovável seja utilizada para atrair indústrias intensivas em energia para o território nordestino.

“Juntas, essas visões — uma focada na base digital e outra na industrialização verde — dão sustentação técnica para que o Consórcio busque investimentos que integrem tecnologia e sustentabilidade”, conclui.

A liderança de 2026

 

Eleito presidente do Consórcio Nordeste para 2026, Paulo Dantas afirmou que assume a missão de dar continuidade às agendas estruturantes e aprofundar a integração regional.

“Assumo este compromisso consciente de que nossa região vive um ciclo de oportunidades. Temos energia limpa, temos gente trabalhadora, temos potencial produtivo, temos avanços sociais consistentes, temos inovação, ciência e tecnologia e, acima de tudo, temos um pacto federativo que precisa estar presente, baseado no diálogo e na responsabilidade. Este é o espírito que nos trouxe aqui e é com esse mesmo espírito que seguiremos juntos em 2026”, concluiu.

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