Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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9 de fevereiro de 2026 15:47

O salto tecnológico da agricultura baiana

O salto tecnológico da agricultura baiana

Com safra recorde em 2025 e previsão de alta em 15 das 26 culturas, segundo o IBGE, a Bahia aposta em tecnologia e diversificação para sustentar a expansão em 2026
A safra recorde foi puxada por culturas como soja e algodão | Foto: Aiba

Após encerrar 2025 com uma safra recorde estimada em 12,84 milhões de toneladas de grãos e crescimento de 5% no PIB do agronegócio no segundo trimestre, a Bahia projeta um novo ciclo de expansão em 2026. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam crescimento em 15 das 26 culturas analisadas, reforçando a estratégia do estado de manter a liderança nas exportações agrícolas do Nordeste.

O avanço previsto está associado à adoção de tecnologias agrícolas, à diversificação das cadeias produtivas e ao fortalecimento de práticas sustentáveis, fatores considerados centrais para a competitividade do setor.

O segundo prognóstico do IBGE para 2026 projeta crescimento expressivo em culturas estratégicas. Entre os destaques estão o feijão, cuja primeira safra deve avançar 35,3%, o cacau, com crescimento estimado de 5,3%, e a mamona, que pode registrar alta de 14,1%. Grãos e fruticultura seguem como pilares da produção agrícola baiana.

Safra recorde e peso do agro na economia

O desempenho recente do setor é destacado por Assis Pinheiro Filho, diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri).

“Em 2025, o desempenho da agricultura baiana foi positivo, com indícios de uma safra recorde, estimada em 12,84 milhões de toneladas de grãos. O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio baiano registrou crescimento de 5% no segundo trimestre de 2025, representando cerca de 29,6% da atividade econômica do estado. A safra recorde foi puxada por culturas como soja e algodão. A Bahia consolidou sua liderança nas exportações agrícolas do Nordeste no primeiro trimestre de 2025 – o cacau e seus derivados, o café e o algodão foram os principais impulsionadores”, afirma.

Cacau e seus derivados, café e algodão lideraram as exportações agrícolas da Bahia no primeiro trimestre de 2025 | Foto: Aiba

Tecnologia e sustentabilidade como estratégia

Para sustentar o crescimento em 2026, a Seagri concentra esforços na modernização produtiva e na sustentabilidade. A estratégia está alinhada ao Plano ABC+ Bahia (Agricultura de Baixo Carbono) e ao Plano Plurianual (PPA) 2024–2027, com foco na redução da dependência de fertilizantes químicos.

A meta da secretaria é implantar 1.700 unidades de tecnologias sustentáveis até 2027, priorizando manejo biológico do solo, mecanização agrícola e irrigação eficiente. “O foco está na entrega de kits de mecanização agrícola (tratores e plantadeiras) e kits de irrigação, bem como equipamentos de ponta para o aproveitamento de águas salobras para a agricultura para pequenos e médios produtores, visando democratizar tecnologias que otimizam o uso de insumos e aumentam a eficiência produtiva”, explica.

Por meio do programa Cultive Conhecimento, a Seagri busca fortalecer instituições de ciência e tecnologia e ampliar soluções digitais para o campo. O pacote inclui investimentos na defesa agropecuária, ampliação de quadros técnicos da Adab e programas de rastreabilidade animal.

“Outro programa que vem se destacando é Projeto de Controle Populacional Ético de Cães no Semiárido, fruto de uma parceria com a União dos Municípios da Bahia (UPB) que contou com investimento de R$ 5 milhões. Até março de 2026, serão realizadas 10 mil castrações em 36 municípios das regiões da Bacia do Jacuípe e do Sisal, por meio de mutirões, castramóveis, clínicas conveniadas, microchipagem e campanhas educativas para o bem-estar dos cães e proteção dos rebanhos”, destaca Assis.

Gargalos logísticos e crédito são preocupações

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios estruturais, como custos elevados de frete, gargalos portuários, irregularidade climática e limitações de conectividade no meio rural.

“Com isso, a Seagri vem articulando ações para dar solução a esses gargalos, a exemplo de parcerias para expansão do sinal 4G/5G e apoio ao programa federal “Comunidades Rurais Conectadas”; repasse de R$ 4,3 bilhões via Plano Safra 2025/2026 focado em juros subsidiados para agricultura familiar e média; investimentos em infraestrutura rodoviária no interior e avanço das obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol); investimento de R$ 101 milhões para fortalecer a assistência técnica em 43 municípios estratégicos; e implementação do Plano de Gestão de Riscos e zoneamento agrícola (Zarc) para mitigar perdas por seca. Para enfrentar a crise hídrica e a seca, a Seagri tem priorizado a aquisição de máquinas para construção de pequenas barragens e sistemas de irrigação sustentável”, detalha o Assis.

Na avaliação de Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), o cenário econômico recente foi desafiador para os produtores. “Sob a ótica da rentabilidade, o cenário foi adverso: juros elevados, Selic em 15%, restrições no acesso ao crédito e redução dos recursos destinados ao seguro rural contribuíram para o aumento do endividamento dos produtores”, explica.

Ainda assim, as perspectivas para 2026 seguem positivas, especialmente para grãos como soja e milho, além do algodão, que mantém ganhos de produtividade e estrutura de comercialização consolidada.

Fruticultura mantém trajetória de crescimento

Segundo maior produtor de frutas do país, a Bahia projeta novo avanço da fruticultura em 2026. A manga segue como principal produto, acompanhada por banana, laranja, coco e limão, com desempenho relevante nas exportações.

“O limão vem mostrando crescimento expressivo, especialmente nas exportações. Além disso, o Recôncavo Baiano tem se sobressaído com a expansão da produção, incluindo a incorporação de novas tecnologias e o fortalecimento das culturas orgânicas”, afirma Eduardo Brandão, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Fazenda na Bahia se torna modelo de produção sustentável de limão com uso de remineralizadores de solo | Foto: Novo Solo

Produtor mais tecnológico, mas com margens apertadas

Para Aloísio Júnior, gerente de Agronegócio da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a última década foi marcada por ganhos consistentes de eficiência no campo. “O produtor passou a adotar, cada vez mais, ferramentas de agricultura de precisão, insumos biológicos e práticas agrícolas mais sustentáveis. Esse conjunto de inovações, aliado ao bom planejamento e aos investimentos feitos sempre que há oportunidade, tem fortalecido muito a performance do campo”, observa.

No entanto, o espaço para novos investimentos segue limitado. “Os custos de produção avançaram muito nos últimos anos, e isso tem deixado a rentabilidade mais justa. Muitos produtores têm buscado alternativas para equilibrar as contas, mas é fato que realizar novos investimentos, especialmente nas duas últimas safras, tem sido um grande desafio”, avalia.

Além da economia e da tecnologia, o clima será fator decisivo no próximo ciclo. A possibilidade de atuação do fenômeno La Niña traz expectativa de melhor distribuição das chuvas no Nordeste.

“Existe uma probabilidade elevada de atuação do fenômeno La Niña, que costuma favorecer uma melhor distribuição das chuvas no Nordeste, ampliando o período climático adequado para a semeadura e o desenvolvimento das lavouras. Essa perspectiva é fundamental para reduzir riscos relacionados a veranicos e à escassez hídrica”, pontua Júnior.

No entanto, o gerente avalia que a combinação entre tecnologia, manejo eficiente e condições climáticas favoráveis pode fortalecer ainda mais o crescimento da produção agrícola na Bahia.

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