A Paraíba está próxima de ganhar uma usina de amônia verde e fertilizantes, a partir do hidrogênio verde. O projeto será localizado no município do Conde (PB) e receberá um investimento de R$59 milhões da Nova Indústria Brasil, além de aportes oriundos do setor privado.
O projeto liderado pela RBCIP (Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação) busca inserir a Paraíba em um dos setores mais estratégicos da economia global nas próximas décadas: o hidrogênio verde e seus derivados. No nordeste, os valores de investimentos do H2V podem chegar a U$90 bilhões, e tem o estado do Ceará como principal expoente no setor.
Para o projeto paraibano, a RBCIP reuniu um consórcio de três empresas e o governo federal para viabilizar a planta. Uma das companhias em questão é a Green World Energy Hydrogen (GWE), as outras duas ainda não foram reveladas por um acordo de confidencialidade.
De acordo com a CEO da GWE, Aline Marcon, a empresa atuará como proponente e integradora técnica do empreendimento, responsável por coordenar a arquitetura do projeto, a integração das rotas de hidrogênio e amônia, o planejamento de implantação e o desenvolvimento do núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e ESG associado à unidade.
Já em termos de investimento, Aline explica que a iniciativa foi estruturada em fases. A fase 1 contempla uma unidade de 5.000 t/ano, com orçamento global de aproximadamente R$ 80 milhões. As fases futuras estão previstas para expansão industrial, com investimentos estimados em US$ 100 milhões (Fase 2) e US$ 200 milhões (Fase 3), condicionados à evolução do projeto, às condições de mercado e à estrutura final de capital.
O envolvimento da empresa com o projeto foi por meio de edital da Chamada Pública Nordeste, que, segundo o programa, tem como objetivo fomentar Planos de Negócios que contemplem a realização de investimentos estratégicos na região, vinculados às missões estabelecidas na Nova Indústria Brasil. Neste caso, a planta está alinhada à Missão da NIB — Bioeconomia, descarbonização e segurança energética — na qual há uma linha de financiamento de R$10 bilhões para o desenvolvimento industrial no Nordeste. A chamada é realizada pela parceria firmada entre o BNDES, a FINEP, o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste e a Caixa Econômica Federal, com apoio técnico da Sudene e do CNE.
Segundo o BNDES, no momento, conforme o edital, as instituições estão trabalhando na estruturação do Plano de Suporte Conjunto (PSC) para as propostas selecionadas. O PSC servirá como um guia, indicando para as empresas as linhas de financiamento e os tipos de apoio mais adequados a cada proposta.
Após receberem o PSC, as empresas encaminham os projetos para análise, aprovação e contratação. Então eles o fluxo usual de tramitação de operações no âmbito das instituições financeiras que participam da chamada, o que inclui análise técnica, financeira e jurídica dos projetos.
Escolha por Conde
Localizado na região metropolitana de João Pessoa, e a cerca de 25 km da capital paraibana, o município do conde é conhecido, principalmente, pelo ecoturismo da região. Com destaque para suas praias paradisíacas com falésias, como Tambaba e Coqueirinho, por exemplo. Mas então como a cidade entrou na rota do hidrogênio verde?
De acordo com a GWE, Conde foi uma escolha técnica da empresa, baseada em critérios industriais e operacionais, incluindo logística, infraestrutura local, condições de implantação, capacidade de integração com cadeias demandantes e viabilidade de suprimento energético para a rota de hidrogênio e amônia. Aline Marcon ainda afirma que a companhia conduziu avaliações de caráter técnico e logístico para selecionar o local mais adequado ao escopo da Fase 1.
De acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo, a usina no Conde produzirá 20 mil toneladas de fertilizantes por ano, além das cinco mil de amônia. A expectativa é de um retorno anual de R$31,1 milhões a partir do terceiro ano de planta. A matéria também afirma que existe uma ideia de capacitar a mão de obra local por meio de parcerias da RBCIP com universidades federais.
Aline Marcon evita falar em projeções de retorno, mas comenta que a previsão de início da operação está marcada para janeiro de 2027, além de abordar o que a empresa espera com a usina. “A expectativa é que a planta consolide um polo industrial e tecnológico, com efeitos diretos e indiretos: geração de empregos na implantação e operação, formação de mão de obra qualificada e estímulo à cadeia local de serviços e fornecedores”, comenta a CEO.
Hidrogênio e amônia verde
O hidrogênio verde, é um combustível produzido a partir da captura do hidrogênio feita por um processo físico-químico chamado eletrólise, em que, com auxílio de uma corrente elétrica, as moléculas de hidrogênio e oxigênio da água são separadas. Além de não usar combustíveis fósseis, o método prevê uma fonte de energia renovável como a eólica ou solar, por exemplo.
Já a amônia verde (NH3) é o resultado da combinação entre o Hidrogênio Verde e o nitrogênio capturado do ar. Por se tratar de um líquido armazenável e transportável, a amônia pode auxiliar no transporte do próprio H2V, que pode ser extraído para reutilização. O NH3 é a principal matéria para a fabricação de fertilizantes nitrogenados, como os que serão produzidos na usina do Conde, por exemplo.
Vale lembrar que o Brasil é o 4º maior consumidor de fertilizantes do mundo e importa mais de 90% dos fertilizantes nitrogenados.
