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30 de março de 2026 15:20

Parque da Cidade, em João Pessoa, busca aliar infraestrutura e preservação ambiental

Parque da Cidade, em João Pessoa, busca aliar infraestrutura e preservação ambiental

Projeto é estimado em R$132 milhões e deve ser concluído em 2028
Foto: Reprodução/Internet

A Prefeitura de João Pessoa está avançando com as obras do Parque da Cidade, equipamento que promete aliar infraestrutura, mobilidade e preservação ambiental, em um projeto estimado no valor de R$132 milhões e que deve ser concluído em 2028. De acordo com o calendário da Prefeitura, a primeira etapa do projeto, que consiste em um projeto viário, deve ser entregue ainda neste mês de março.

A expectativa é que nesta primeira fase da obra seja construído um estacionamento com capacidade para 282 veículos, em uma área de dois hectares, na qual também serão plantadas 500 árvores. Além disso, é esperada a duplicação de uma via que vai conectar o bairro do Aeroclube, onde está localizado o Parque da Cidade, e à BR-230, com a implantação de uma rotatória. A Prefeitura afirma que o objetivo é melhorar a mobilidade urbana e facilitar o acesso à região.

Outra etapa será a construção de uma ponte estaiada para ligar as ruas Miriam Barreto Rabelo e Suzy Lacerda ao retão de Manaíra. Ao todo, o projeto do Parque da Cidade deverá abrigar equipamentos como ciclovia, quadras de tênis, futebol society e tênis de praia. Também é esperado uma pista de skate, patinação, viveiro, academia ao ar livre, parquinho, espaço para eventos, piqueniques, lagos, decks, mirantes elevados e espaços de convivência. Segundo a prefeitura de João Pessoa, o projeto de paisagismo ficará por conta do Escritório Burle Marx.

Apesar de promissor, o Parque da Cidade está cercado de impasses e polêmicas, desde o local da obra até questões ambientais envolvendo o Parque. O projeto já foi alvo de ações na Justiça e chegou a ser suspenso ao menos duas vezes por determinações judiciais.

Linha cronológica

O primeiro grande impasse é em relação ao local em que o Parque será arquitetado. Isso porque o terreno de 25 hectares, onde será instalado o equipamento, pertencia ao antigo Aeroclube de João Pessoa. Contudo, após anos de disputas judiciais, em novembro de 2021, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), junto ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) que transferiu a área do terreno para o município de João Pessoa.

Por meio do TAC, o Aeroclube doou uma área de 82,5% do total, o que equivale a 25 hectares do Parque e entorno. Assim, também foi determinado que a prefeitura devesse usar 75% do terreno total para a implantação do parque público e os outros 7,5% sendo destinados para a melhoria da mobilidade urbana. O documento também definiu que os 17,5% restantes do terreno continuavam sob posse do Aeroclube.

O Parque da Cidade também foi alvo de críticas e questionamentos sobre o impacto ambiental que a obra deve proporcionar. Em junho de 2024 a justiça determinou a paralisação das atividades devido à ausência de estudos de impacto ambiental, a ação em questão foi movida pelo Instituto Protecionista SOS animais e plantas.

Em dezembro de 2024, as obras foram interrompidas mais uma vez, e de novo após uma ação movida pelo Instituto Protecionista SOS Animais e Plantas. Essa ação foi motivada sob o argumento de que os estudos apresentados pela prefeitura eram insuficientes para uma análise profunda  dos impactos ambientais da obra.

Por fim, em maio de 2025, o Tribunal de Justiça da Paraíba determinou a liberação do Parque da Cidade. De acordo com a decisão, um estudo técnico mostrou que o equipamento pode trazer benefícios socioambientais, como a revitalização do espaço e a prevenção de ocupações irregulares. O documento feito pela Superintendência da Administração do Meio Ambiente (Sudema) recomenda que a implementação do Parque da Cidade seja acompanhada de ações de recuperação ambiental e gestão sustentável da área.

Na avaliação de Marco Suassuna, arquiteto e urbanista e ativista da pauta ambiental, a prefeitura encara a construção do Parque da Cidade como uma oportunidade de revitalizar uma área que já foi muito alterada e possui um histórico de queimadas. Porém, para Marco, o processo de revitalização falha ao não promover discussões mais amplas com a população.

“Existe uma cultura de não debater projetos de grande impacto na cidade com a população, especialistas e moradores. Haja vista o Parque das Três Ruas e a própria requalificação da lagoa. É como se fosse quase como uma questão rotineira, infelizmente, em várias cidades brasileiras e em  João Pessoa também, diz Marco”

O arquiteto ainda encara a construção do Parque como um movimento para a valorização de uma área da cidade que já é prestigiado.

Do ponto de vista da cidade capitalista, aquela região é um dos metros quadrados mais caros da cidade e, existe uma leitura clara de que o Parque vai favorecer muito mais a valorização dos imóveis, inclusive negociados na transação com a própria Prefeitura “, afirma Marco. O arquiteto prevê uma valorização de 20% a 30% nos custos dos imóveis da área, enquanto que outras regiões da cidade, muito mais carentes de um projeto como o Parque da Cidade, continuaram sem um equipamento desse perfil.

Por fim, o professor faz questionamentos sobre mobilidade urbana e a integração de pessoas de zonas periféricas e, portanto, distantes do Parque. Marco indaga se a cidade vai oferecer possibilidades para que moradores de outras regiões da cidade possam aproveitar do equipamento que deve ser um dos maiores de toda João Pessoa.

“As pessoas que moram distantes, em bairros mais longínquos, sobretudo da periferia, terão opções de deslocamento via transporte público para usar o Parque da Cidade? Então, veja que quando um Parque é denominado da cidade, ele precisa oferecer condições não apenas para uma região, né?”, provoca Suassuna.

A reportagem procurou a Prefeitura de João Pessoa para esclarecer pontos relativos à construção do Parque, bem como calendário de entregas, valores e questões referente às liberações ambientais. Contudo, até a publicação deste texto, não obteve retorno. O espaço sege aberto.

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