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9 de fevereiro de 2026 22:51

Pequenos negócios puxam crescimento e redesenham a economia do Rio Grande do Norte em 2025

Pequenos negócios puxam crescimento e redesenham a economia do Rio Grande do Norte em 2025

Com saldo recorde de novas empresas, geração massiva de empregos formais e avanço para além da capital, micro e pequenas empresas consolidam papel estratégico no desenvolvimento econômico e regional
Foto: Pexels

Em 2025, o Rio Grande do Norte viveu um dos momentos mais expressivos de fortalecimento dos pequenos negócios de sua história recente. Dados do Boletim dos Pequenos Negócios, divulgado pelo Sebrae-RN, revelam um saldo recorde de abertura de empresas no estado, acompanhado por um impacto direto na geração de empregos, no dinamismo econômico e na interiorização do empreendedorismo. Hoje, o segmento responde por 36,6% do Produto Interno Bruto (PIB) potiguar e foi responsável por 96% dos empregos formais gerados ao longo do ano, números que evidenciam uma mudança estrutural na economia estadual.

Esses dados mostram um ambiente econômico mais favorável à iniciativa empreendedora, impulsionado por políticas de estímulo, maior acesso à formalização e por transformações no próprio mercado de trabalho. “Esse crescimento é resultado da combinação de um ambiente mais favorável ao empreendedorismo, da retomada gradual da confiança econômica e do fortalecimento de políticas públicas e institucionais voltadas aos pequenos negócios”, avalia Thales Medeiros, gerente da Agência Sebrae em Natal. Segundo ele, avanços na desburocratização, no acesso a orientações técnicas e no estímulo à formalização têm incentivado milhares de empreendedores a sair da informalidade.

Mercado de trabalho evidencia força dos PMEs

A força dos pequenos negócios fica ainda mais evidente quando se observa o mercado de trabalho. Em 2025, praticamente todos os novos empregos formais criados no estado vieram das micro e pequenas empresas. Para Medeiros, o dado revela a espinha dorsal da economia potiguar. “Esse resultado evidencia que os pequenos negócios são hoje o principal motor de geração de empregos formais no Rio Grande do Norte. Eles têm maior capilaridade, presença nos municípios e capacidade de absorver mão de obra local”, afirma. O impacto vai além da ocupação: políticas voltadas ao segmento têm reflexo direto na inclusão produtiva e na circulação de renda nos territórios.

Outro aspecto central do avanço em 2025 é a interiorização do empreendedorismo. Diferentemente de ciclos anteriores, o crescimento não se concentrou apenas na Região Metropolitana de Natal. O Boletim aponta expansão distribuída por todas as regiões do estado, fortalecendo economias locais e reduzindo desigualdades regionais. “O empreendedorismo deixou de ser um fenômeno restrito aos grandes centros. A interiorização cria oportunidades nos próprios territórios e evita o êxodo para a capital”, destaca Medeiros. Para o Sebrae, o movimento reflete tanto o potencial empreendedor do interior quanto o esforço de levar atendimento, capacitação e soluções de mercado a todo o RN.

Comércio e serviços como destaques da expansão em 2025

No recorte setorial, comércio e serviços seguem liderando a expansão, com destaque para atividades ligadas à alimentação, turismo, serviços pessoais e economia criativa. O crescimento do turismo, aliado à retomada do consumo, tem estimulado pequenos empreendedores a investir em restaurantes, hospedagens, experiências locais e serviços associados. Também ganham espaço iniciativas em tecnologia, negócios digitais e inovação, mesmo fora dos grandes centros urbanos. No campo, o agronegócio aparece com força, especialmente em projetos de agroindústria e agregação de valor à produção local, ampliando renda e oportunidades no meio rural.

O peso de 36,6% do PIB estadual atribuído aos pequenos negócios é apontado pelo Sebrae como um sinal claro de transformação estrutural. “Eles deixam de ser apenas complementares e passam a ocupar posição estratégica na economia estadual”, afirma Medeiros. A diversidade setorial e a ampla distribuição territorial tornam o estado mais resiliente a crises econômicas, reduzindo a dependência de poucos grandes empreendimentos e fortalecendo cadeias produtivas locais.

Políticas foram fundamentais para o cenário favorável

Políticas de apoio, capacitação e acesso ao crédito tiveram papel decisivo nesse cenário. Programas de crédito orientado, aliados a consultorias e acompanhamento gerencial, ajudaram empreendedores a profissionalizar a gestão e a expandir de forma sustentável. “O Sebrae teve papel estratégico ao conectar os pequenos negócios a essas oportunidades e ao atuar de forma integrada com parceiros públicos e privados”, ressalta o gerente. O resultado é um empreendedor mais preparado para competir, inovar e permanecer no mercado.

O perfil do empreendedor potiguar também mudou. O Boletim mostra maior diversidade, com crescimento da participação de mulheres, jovens e empreendedores do interior, além de maior interesse por inovação, tecnologias digitais e capacitação contínua. “É um empreendedor que não busca apenas abrir um negócio, mas estruturá-lo para crescer e se manter competitivo”, explica Medeiros.

Tendências para os próximos anos

Para os próximos anos, o Sebrae identifica tendências que devem influenciar o desenvolvimento regional, como a digitalização dos pequenos negócios, a valorização da produção local, o fortalecimento de cadeias produtivas regionais e a economia sustentável. Ao mesmo tempo, os desafios permanecem: acesso contínuo ao crédito, qualificação da mão de obra, redução da informalidade e melhoria da gestão seguem no radar, além da necessidade de adaptação à transição do sistema tributário nacional a partir de 2026.

Apesar disso, as perspectivas são positivas. “Projetamos a continuidade do crescimento, com foco na qualificação dos empreendedores, na inovação e na sustentabilidade dos negócios”, afirma Medeiros. Para 2026 e o médio prazo, a expectativa é consolidar os pequenos negócios como base do desenvolvimento regional, ampliando sua participação na economia, na geração de empregos e na transformação social dos municípios potiguares.

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