
Foram assinados, na quinta-feira (19), contratos para prestação de serviços de assistência técnica no âmbito do projeto Piauí Sustentável e Inclusivo (PSI), consolidando uma etapa central na execução de R$ 66 milhões destinados à agricultura familiar.
A iniciativa, coordenada pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), prevê atendimento direto a 8.030 famílias organizadas em 217 associações distribuídas em sete territórios de desenvolvimento do estado.
A secretária da Agricultura Familiar do Piauí, Rejane Tavares, destaca que, com a assinatura do contrato, são 13 empresas contratadas e mais de 100 técnicos atuando diretamente nos projetos produtivos.
“São famílias que passam a contar com uma assistência técnica direcionada ao PSI, que promove inclusão produtiva, fortalece a resiliência climática e integra dimensões sociais, com atenção às comunidades tradicionais, às mulheres e aos jovens”, afirma.
O programa também estimula atividades vinculadas às cadeias produtivas de cada território, o que contribui para a geração de renda, a melhoria da qualidade de vida e a dinamização econômica local”, completa a secretária.
Execução avança após fase de seleção
Com a formalização dos contratos de Assessoramento Técnico Sistemático (ATS), o programa entra na fase operacional, após a seleção das entidades beneficiadas. A medida indica avanço na aplicação efetiva dos recursos já anunciados anteriormente.
Rejane explica ainda que a seleção das famílias ocorre por meio de edital lançado em 2025, voltado às associações interessadas em apresentar propostas. “Recebemos 421 inscrições. Nesse primeiro momento, 218 associações são selecionadas, e outras 82 devem ser contempladas no próximo ano. Todas atendem aos critérios estabelecidos no edital e têm seus projetos definidos a partir de análise técnica, conforme as atividades produtivas que pretendem desenvolver”, detalha.
O PSI integra um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas ao campo. Recentemente, o governo estadual anunciou aporte de R$ 100 milhões para fortalecer associações e cooperativas da agricultura familiar, além de estabelecer a meta de alcançar R$ 1 bilhão em investimentos no setor.
Foco em produtividade e acesso a mercado
O projeto tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva no semiárido, com foco em adaptação climática, produção de alimentos, beneficiamento e comercialização.
Ao longo de três anos, o programa executa etapas que incluem a elaboração dos Planos de Adaptação Produtiva (PAPs), implantação das ações e acompanhamento técnico. A proposta é ampliar a autonomia dos produtores e facilitar a inserção nos mercados.
Também há direcionamento específico para públicos considerados estratégicos, como mulheres, jovens e comunidades tradicionais.

Impacto econômico em regiões vulneráveis
Os investimentos se distribuem nos territórios Entre Rios, Vale do Sambito, Vale do Guaribas, Chapada Vale do Rio Itaim, Serra da Capivara, Vale do Canindé e Vale dos Rios Piauí e Itaueira — regiões com forte presença da agricultura familiar.
O estado tem cerca de 30% da população vivendo na zona rural, o que amplia a relevância econômica e social desse tipo de política pública.
O técnico coordenador do Centro de Educação Ambiental e Assessoria (CEAA), Joaquim Ribeiro Magalhães Sobrinho, afirma que a assinatura do contrato marca o fortalecimento das ações de inclusão social, com foco no tripé da sustentabilidade.
“Trabalhamos a partir de um modelo que integra o ambientalmente equilibrado, o socialmente justo e o economicamente viável, no território Entre Rios, que abrange cinco municípios: Palmeirais, Regeneração, Amarante, São Pedro e Angical do Piauí”, destaca.
O PSI conta com financiamento de organismos internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), e é executado em parceria com entidades especializadas em desenvolvimento rural.
Entre as instituições contratadas estão, além do CEEAA, o Instituto Flor do Cajueiro, a Fundação Francisco Pinheiro de Araújo, Cootapi, a Cevesa e a Avance.