
O Governo Federal prevê investimentos de R$125,1 milhões no Piauí em 2026, segundo o Plano Plurianual (PPA) 2024–2027. Os recursos contemplam 13 projetos nas áreas de segurança hídrica, infraestrutura rodoviária e segurança pública, com obras que alcançam tanto a capital quanto municípios do interior.
As iniciativas também incluem empreendimentos de integração regional, como rodovias e pontes que ligam o estado ao Maranhão.
Em nota ao Investindo Por Aí, a Agência de Atração de Investimentos Estratégicos – Investe Piauí considera como mais estratégicos os investimentos que combinam alto impacto social, atração de negócios e sustentabilidade.
Entre os principais projetos que a agência considera estratégicos está o Complexo Portuário – Porto Piauí e ZPE, localizado em Luís Correia, que está em fase de implementação para se consolidar como um hub logístico estratégico, com investimentos que podem ultrapassar R$280 milhões. O empreendimento contará com infraestrutura própria para importação e exportação e tem projeção de dobrar o PIB do estado. Integrado a esse complexo, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) Piauí, em operação desde 2022 e pioneira no novo marco regulatório da Lei 14.184, já abriga a usina da Solatio, fortalecendo a interligação entre energia limpa, industrialização e exportação.
Outro ponto de destaque é a parceria com a estatal chinesa China General Nuclear Power Group (CGN), articulada pela Investe Piauí, que prevê mais de R$3 bilhões em investimentos em projetos de energia renovável, contemplando iniciativas em solar, eólica e armazenamento energético.
Na área logística, a agência trabalha na implementação de um corredor intermodal que conecta a região do Matopiba ao Porto de Luís Correia, com integração entre hidrovia, ferrovia e um terminal de uso privado (TUP). O fortalecimento da Transnordestina é considerado estratégico nesse processo, garantindo ao Piauí não apenas uma saída portuária competitiva, mas também maior conexão com mercados nacionais e internacionais.
Já no campo da transição energética, a multinacional espanhola Solatio Energia Livre está à frente da implantação de uma usina de hidrogênio verde e amônia verde, com investimento inicial de R$ 27 bilhões. O projeto, em fase de supressão vegetal e limpeza dentro da ZPE Piauí, corresponde à primeira etapa das obras e deve gerar mais de dois mil empregos diretos. A utilização estratégica da ferrovia para o escoamento da produção reforça a sinergia entre energia limpa e infraestrutura logística, evidenciando o papel do Piauí como protagonista em um modelo de desenvolvimento sustentável e inovador.
“Esses empreendimentos são vistos como prioritários para consolidar o Piauí como destino estratégico em energia limpa, logística avançada, industrialização e atração de investimentos públicos e privados”, aponta o diretor presidente da Investe Piauí, Victor Hugo de Almeida.
Segurança hídrica e irrigação
O setor hídrico receberá aportes relevantes, com destaque para a Barragem Atalaia, que terá R$9,05 milhões para execução de obras, e o Projeto Público de Irrigação Tabuleiros Litorâneos, em Parnaíba, que ficará com R$27,5 milhões.
Outros projetos incluem adutoras em Buriti dos Lopes (R$3,46 milhões), Marcolândia e São Raimundo Nonato, além do projeto de irrigação Marrecas/Jenipapo, em José de Freitas, que receberá R$100 mil.
A Investe Piauí enxerga a segurança hídrica como um elemento central para o fortalecimento das cadeias produtivas locais e para o enfrentamento da escassez no interior do estado. A agência ressalta que a abundância de recursos hídricos, especialmente na região do Rio Parnaíba, é estratégica para o planejamento de projetos estruturantes, como a Hidrovia do Parnaíba, as iniciativas em hidrogênio verde e o apoio direto à indústria e ao agronegócio.
Um exemplo concreto dessa integração é o perímetro irrigado dos Tabuleiros Litorâneos, que utiliza infraestrutura hídrica moderna para viabilizar a exportação de frutas orgânicas, evidenciando como a água se torna vetor essencial para o desenvolvimento rural e para a inserção competitiva do Piauí em mercados internacionais.
Nesse sentido, a Investe Piauí reconhece a segurança hídrica como fundamental para manter um agronegócio irrigado competitivo, sustentar cadeias produtivas de alto valor agregado em regiões críticas e mitigar os impactos da seca, garantindo maior resiliência econômica no meio rural.
A agência também destaca que a disponibilidade e o uso racional da água estão diretamente ligados à viabilidade de grandes empreendimentos, como o projeto da Solatio, que depende de infraestrutura hídrica eficiente em suas etapas produtivas. Esse cenário reforça como água, logística e energia limpa caminham de forma integrada para posicionar o Piauí como um polo estratégico de desenvolvimento nacional e internacional.
Integração rodoviária com o Maranhão
Entre os empreendimentos de maior impacto econômico estão obras que ampliam a integração regional entre Piauí e Maranhão. A BR-330, por exemplo, terá R$30,47 milhões destinados à construção de trecho rodoviário. Já a nova ponte sobre o rio Parnaíba, na divisa entre os dois estados, contará com investimento de R$6 milhões.
Também estão previstas a adequação da BR-316, em Demerval Lobão (R$24,89 milhões) e a duplicação de trecho da BR-343, de Teresina a Parnaíba (R$70 mil).
Na capital, será construída a nova Superintendência Regional da Polícia Federal do Piauí, com orçamento de R$7,2 milhões. Outro projeto de destaque é a instalação de pontos de atendimento bancário da Caixa Econômica Federal, que receberão R$15,87 milhões.
Principais investimentos federais no Piauí em 2026
- Barragem Atalaia – R$ 9,05 milhões
- Sistema Adutor de Buriti dos Lopes – R$ 3,46 milhões
- Projeto de Irrigação Tabuleiros Litorâneos (Parnaíba) – R$ 27,5 milhões
- Projeto de Irrigação Marrecas/Jenipapo – R$ 100 mil
- Sistema Adutor de Marcolândia, Buriti dos Lopes e Morro Cabeça no Tempo – R$ 5 mil
- Sistema Adutor de São Raimundo Nonato – R$ 2 mil
- Adequação da BR-316 em Demerval Lobão – R$ 24,89 milhões
- Adequação da BR-343 entre Teresina e Parnaíba – R$ 70 mil
- Ponte sobre o Rio Parnaíba (divisa PI-MA) – R$ 6 milhões
- Trecho da BR-235 na divisa com o Maranhão – R$ 500 mil
- Trecho da BR-330 (PI-MA) – R$ 30,47 milhões
- Superintendência da Polícia Federal em Teresina – R$ 7,2 milhões
- Atendimento bancário da Caixa – R$ 15,87 milhões
A Investe Piauí acredita que os projetos em desenvolvimento podem contribuir de forma decisiva para a integração econômica entre o estado e as unidades vizinhas. Um dos pontos centrais dessa estratégia é a infraestrutura logística integrada, que envolve corredores intermodais compostos por hidrovia, ferrovia e rodovias em conexão com o Porto de Luís Correia. Essa rede deve ligar diretamente o Matopiba — região que abrange parte do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — ao porto, reduzindo custos, tempo de escoamento e fortalecendo a integração econômica regional.
Outro destaque é o papel do Porto Piauí e da ZPE como vetores de cooperação interestadual, já que sua capacitação logística tende a atrair investimentos que beneficiam não apenas o Piauí, mas também os estados vizinhos que dependem desses ativos para exportar ou importar commodities.
Nesse mesmo contexto, a Investe Piauí ressalta a importância da Ferrovia Transnordestina (EF-232), que atravessará o Piauí conectando-o ao Maranhão e ao interior do país. O avanço desse ativo representa uma possibilidade concreta de ampliar a integração econômica, ao mesmo tempo em que fortalece o escoamento da produção local e regional.
A agência avalia que esses investimentos consolidam o estado como protagonista no mercado global de energia limpa e criam sinergias regionais capazes de reduzir barreiras logísticas e gerar oportunidades compartilhadas de crescimento econômico.