
“As mulheres são uma força central da economia brasileira. Elas empreendem, lideram, sustentam famílias e impulsionam comunidades”. É essa a visão do Ella Bank, uma plataforma de tecnologia e educação financeira lançada pelo Porto Digital no último dia 11, o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino.
O empreendimento une em seu ecossistema um banco digital, o primeiro do Brasil pensado especialmente para as mulheres, mentorias individualizadas com líderes femininas, uma comunidade ativa para networking e troca de experiências, e um marketplace exclusivo onde as clientes podem vender seus produtos e serviços.
A marca entende que “o mercado feminino no setor financeiro é muito grande, mas ainda subaproveitado”. As fintechs, plataformas digitais de serviços financeiros, têm apresentado crescimento constante (cresceram 340% entre 2017 e 2023 na América Latina) mas, para o Ella, os serviços disponíveis ainda “não conversam com as rotinas, objetivos ou dificuldades” das mulheres brasileiras.
“As mulheres são as grandes decisoras de consumo no país e lideram uma parte significativa dos pequenos negócios”, explica Rosana Bezerra, fundadora e presidente da plataforma. Mesmo assim, continuam encontrando barreiras quando procuram orientação financeira e oportunidades de formação que realmente atendam às suas necessidades. “Sentimos falta de um espaço que unisse acolhimento e visão de futuro. Um lugar onde as mulheres fossem vistas em sua potência e onde suas histórias e projetos recebessem apoio real”, observa.
Mais que um banco
Entre os serviços financeiros, a plataforma oferecerá Pix, cartão de crédito e contas nos modelos pessoa física e jurídica. E a partir de 2026, está prevista a concessão de microcrédito, ferramenta para impulsionar o empreendedorismo feminino.
Mas é no campo educacional que o Ella se diferencia das fintechs tradicionais. A plataforma oferece 20 formações introdutórias, todas gratuitas e de curta duração, para que as mulheres possam começar sua jornada de conhecimento sem barreiras financeiras. Os cursos profissionalizantes, com foco direto em empregabilidade, são oferecidos por R$100, valor que pode ser parcelado em 10 vezes no boleto.
No campo acadêmico, a parceria com a UniBras permitirá a oferta de graduação e pós-graduação, incluindo MBAs e formações em gestão, administração e saúde, com descontos de até 50%. São “trilhas educacionais que fortalecem a autonomia financeira e profissional”, segundo a proposta do banco.
O ecossistema vai além da educação formal. As clientes terão acesso a mentorias individualizadas com um time de mulheres líderes que orientam e ajudam outras mulheres a direcionar suas carreiras. Há também uma comunidade ativa onde as usuárias podem trocar experiências, fazer networking e encontrar apoio mútuo para crescer. O marketplace exclusivo para clientes Ella é mais uma inovação da plataforma, permitindo que as mulheres vendam seus produtos e serviços dentro do próprio ecossistema, ampliando renda e visibilidade sem precisar recorrer a plataformas externas.
Metas e Investimento Inicial
Com um investimento inicial de R$1,2 milhão, o Ella Bank projeta um faturamento de R$95 milhões em cinco anos e tem a meta de alcançar 100 mil clientes nesse período. Nos primeiros dois anos, o banco calcula atingir entre 1.000 e 1.500 novas clientes por mês — um crescimento que reflete a demanda reprimida por serviços financeiros que realmente entendam o universo feminino.
Sobre sua inserção no mercado financeiro, a Edtech acredita que “desafios fazem parte de qualquer iniciativa que nasce para mudar estruturas”. Entre eles, destacam a necessidade de “apresentar para o público o valor de um banco que une educação, tecnologia e impacto social” e “mostrar que um ambiente financeiro pode ser humano, acolhedor e voltado para desenvolvimento”.
Outros obstáculos incluem escalar os serviços garantindo que cada cliente tenha uma experiência próxima e personalizada, sustentar a inovação constante em educação e tecnologia, e “romper barreiras culturais que ainda limitam o acesso de mulheres a crédito, emprego e formação de qualidade”.