
O Virando o Jogo, iniciativa do Governo do Ceará vinculada ao Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PreVio), busca transformar a trajetória de jovens em situação de vulnerabilidade por meio de qualificação profissional, auxílio financeiro e desenvolvimento de competências socioemocionais.
A estratégia conecta inclusão social ao futuro econômico do estado, já que amplia a formação de mão de obra em áreas estratégicas, combate à exclusão escolar e reduz índices de desemprego juvenil.
O coordenador executivo de prevenção à violência, Avilton Júnior, explica que o programa integra respostas emergenciais às necessidades imediatas da juventude com políticas de longo prazo voltadas à transformação estrutural.
“Na dimensão emergencial, a bolsa contribui para a renda familiar, auxiliando na subsistência do jovem, fortalecendo sua permanência nos estudos e criando condições mínimas de estabilidade para que possam investir tempo e energia em sua formação. Esse recurso também tem impacto positivo na economia local, ao estimular o consumo e aquecer o comércio nos territórios atendidos”, comenta.
Atualmente, o programa está presente em dez municípios cearenses. A expansão ocorreu em 2023, quando foi incorporado ao PreVio e recebeu novos investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com o Governo do Ceará.
A prioridade é atender públicos mais vulneráveis, como mulheres, pessoas negras e a comunidade LGBTQIA+, segmentos mais impactados pela violência urbana e pela exclusão econômica.
O público-alvo são jovens de 15 a 22 anos que não estudam nem trabalham e vivem em bairros com altos índices de violência. A seleção é feita a partir de monitoramento e mapeamento territorial, o que garante direcionamento estratégico das vagas.
Desde 2019, o programa já atendeu 6 mil jovens. A meta é alcançar mais de 10 mil até 2026. Em Fortaleza, uma das frentes está na Vila Social do Canindezinho, que atende bairros como Bom Jardim, Vila Manoel Sátiro e Granja Lisboa.
Estruturação do programa
O Virando o Jogo adota um modelo dividido em três etapas ao longo de cinco meses. A primeira fase envolve a Formação Cidadã e a Ação Comunitária, voltadas para o desenvolvimento de valores, cidadania e protagonismo nos territórios de origem. Na sequência, os participantes passam pela Qualificação Profissional, com cursos definidos a partir das demandas do mercado de trabalho, garantindo maior chance de inserção no setor produtivo. Por fim, a etapa de Empreendedorismo e Gestão Financeira oferece incentivo à criação de negócios próprios e à autonomia financeira.
“Na dimensão estrutural e de longo prazo, o projeto vai além do auxílio financeiro, oferecendo um conjunto de ações integradas de formação e incentivo ao empreendedorismo. Os jovens beneficiários participam de processos formativos voltados para o desenvolvimento de competências socioemocionais, capacitação profissional e educação empreendedora, uma vez que prevê a entrega de kits de incentivo ao empreendedorismo, que funcionam como capital inicial para a criação de pequenos negócios ou iniciativas produtivas”, detalha Avilton Júnior.
O ciclo completo dura cinco meses. Durante todo o processo, os jovens recebem auxílio financeiro, fardamento, alimentação e material didático, desde que mantenham presença nas atividades. Para a certificação, é exigido mínimo de 75% de frequência.

Resultados
Na primeira fase do programa dentro do PreVio, 1.657 jovens foram atendidos. Desse total, 764 concluíram a formação e receberam certificação, incluindo kit de incentivo ao empreendedorismo.
Segundo Avilton, essa combinação entre apoio imediato e investimento em trajetórias de autonomia gera impacto direto sobre a economia. “Dessa forma, o Virando o Jogo não apenas responde a necessidades urgentes, mas também fortalece as bases para a construção de um desenvolvimento econômico sustentável, ampliando a inclusão produtiva e social da juventude cearense e, por consequência, contribuindo para o crescimento econômico do Estado no médio e longo prazo”, considera.
Além de preparar para o emprego formal, o programa também incentiva o protagonismo comunitário. Os jovens são estimulados a participar de ações nos bairros em que vivem, fortalecendo vínculos locais e ajudando a reduzir fatores de risco social. “Os jovens não só fortalecem a integração entre projetos governamentais e comunitários, como também ajudam a alinhar as ações do Governo às realidades dos territórios, ampliando o impacto das políticas públicas locais e regionais”, finaliza Avilton Júnior.
Programas conectam juventude e mercado de trabalho no Maranhão e Piauí
O programa Trabalho Jovem, do Governo do Estado do Maranhão, cria oportunidades de emprego, trabalho e renda para jovens entre 17 e 25 anos, incluindo estudantes de ensino médio, técnico, superior, EJA e educação especial.
Neste ciclo de 2025, o programa beneficiou 11.430 jovens em 132 municípios, com 1.784 empresas parceiras. As vagas de estágio são destinadas a empresas cadastradas no programa e a órgãos da administração pública estadual.
Instituído pela Lei nº 11.384, de 16 de dezembro de 2020, e regulamentado pelo Decreto nº 36.486, de 10 de fevereiro de 2021, o programa é gerido em dois eixos: Estágio Social, coordenado pela Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Energia (SEINC), e Auxílio à Contratação, coordenado pela Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária (SETRES).
No eixo Estágio Social, os participantes recebem bolsa de R$600 por mês, durante oito meses. No eixo Auxílio à Contratação, o Governo garante emprego em regime CLT. O programa também fortalece Microempreendedores Individuais (MEIs) e Micro e Pequenas Empresas (MPEs), estimulando a economia regional.

Em nota ao Investindo Por Aí, as secretarias destacam o programa como a maior política pública de geração direta de oportunidades para a juventude do Maranhão. Abre portas, gera emprego e transforma a vida de milhares de jovens que conquistam sua primeira vaga no mercado de trabalho. Através do programa, o Governo mantém a missão de preparar e apoiar os jovens para o futuro, estimulando talentos, fortalecendo trajetórias e multiplicando oportunidades que geram desenvolvimento socioeconômico para todo o estado”.
“Entendemos que, ao investir na juventude por meio da formação profissional, transformamos a economia maranhense. Ademais, com o Programa, conseguimos promover a inclusão social, combater situações de vulnerabilidade e desigualdade, além de possibilitar que, com acesso ao emprego e à renda, esses jovens e suas famílias tenham melhores condições de vida”, afirmam as secretarias.
No Piauí, o programa Oportunidade Jovem, considerado um dos maiores de inclusão produtiva do estado, atende jovens de 18 a 29 anos e articula monitoria estudantil, estágios, aprendizagem profissional e o eixo “Primeira Oportunidade”. A comissão do programa é formada pela Secretaria de Planejamento (Seplan), Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e Coordenadoria da Juventude do Piauí (Cojuv).
No eixo Primeira Oportunidade, empresas recebem subsídio correspondente a 50% do salário mínimo durante seis meses para contratação de jovens sem experiência formal. Segundo Karoline Fernandes, coordenadora da Comissão de Implantação e Monitoramento do Programa Oportunidade Jovem – Incentivo ao Primeiro Emprego, inserir jovens em experiências reais de trabalho permite que eles desenvolvam competências técnicas, comportamentais e redes de relacionamento, insumos essenciais para continuidade no mercado de trabalho.
Após o período subvencionado, os jovens podem permanecer na função ou migrar para posições mais qualificadas. O programa conta ainda com cinco eixos complementares, oferecendo bolsas para cursos técnicos, iniciação acadêmica, formação prática e vivência em áreas estratégicas da administração estadual.
Karoline reforça que essa estrutura evidencia que o programa não é apenas uma medida emergencial, mas oferece múltiplas portas de entrada no mercado de trabalho. Ao articular educação, qualificação, estágio e primeiro emprego, o Oportunidade Jovem amplia a empregabilidade e fortalece o desenvolvimento econômico e social do Piauí. “Sua importância está em combinar alívio emergencial para jovens em vulnerabilidade, formação profissional e cidadã, articulação entre escola, comunidade, setor público e privado e projeção de trajetórias que fortalecem o crescimento do Estado”, garante a coordenadora.

Programas pelos outros seis estados do Nordeste
Na Paraíba, o programa Agente Jovem Ambiental (AJA) estabelece uma conexão entre a pauta ambiental e a inclusão social, formando mão de obra para setores emergentes da economia verde. O modelo combina aulas online em módulos sobre transição energética, gestão de resíduos sólidos, preservação ambiental e sustentabilidade, além de atividades de campo.
Os 2 mil jovens selecionados, estudantes do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), distribuídos em 64 municípios, recebem ainda um kit com mochila, camisa de algodão, camisa de proteção UV, garrafa térmica, caneta, chapéu e caderneta. Eles atuam diretamente em suas comunidades aplicando os conhecimentos adquiridos.
Em nota ao Investindo Por Aí, a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado da Paraíba afirmou que essa metodologia forma jovens lideranças capazes de desenvolver projetos ambientais em seus territórios, criando um ciclo virtuoso onde a capacitação técnica se transforma em inclusão social e os participantes se tornam multiplicadores ambientais.
Como reconhecimento pelo trabalho e incentivo à permanência, os jovens recebem bolsa-auxílio de R$200 mensais durante seis meses. As ações incluem atividades em escolas e comunidades, trabalhos em unidades de conservação e no Jardim Botânico.
“O programa permite que os jovens desenvolvam iniciativas concretas de preservação ambiental, multiplicando conhecimentos e práticas sustentáveis em suas comunidades de origem, criando um efeito cascata de conscientização e ação ambiental”, reforça a Secretaria.
Em Alagoas, o Tô no Corre, executado pela Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude, é voltado para jovens de 15 a 29 anos em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa oferece bolsas financeiras, oficinas de capacitação profissional, apoio pedagógico e incentivo ao empreendedorismo.
O programa também estimula a permanência escolar, além de promover atividades de cidadania, esporte e cultura, fortalecendo vínculos comunitários e ampliando oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
A Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude do Governo de Alagoas foi contatada pela reportagem do Investindo Por Aí, mas informou que o programa ainda não está em funcionamento pleno e, portanto, não poderia detalhar as ações no momento. A pasta se colocou à disposição para matérias futuras.
No Rio Grande do Norte, o Jovem Potiguar é uma iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com o Governo do Estado do Rio Grande do Norte e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN).
O programa atende jovens entre 16 e 35 anos, oferecendo cursos de qualificação profissional com auxílio financeiro para garantir a permanência nas atividades. A proposta combina formação técnica com conteúdos socioeducativos, buscando alinhar a capacitação às demandas do desenvolvimento regional. O objetivo é reduzir o desemprego juvenil, estimular a cidadania e gerar mão de obra qualificada para a economia potiguar.
A Secretaria de Estado de Comunicação do Governo do Rio Grande do Norte foi contatada pelo Investindo Por Aí, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

Em Pernambuco, o Jornada de Qualificação Jovem, lançado em 2024 pelo Governo do Estado de Pernambuco, disponibiliza 10 mil vagas em cursos gratuitos para jovens de 14 a 29 anos. O programa prepara a juventude para setores estratégicos da economia, como tecnologia, turismo e serviços, unindo aprendizado prático e teórico. A iniciativa busca oferecer alternativas de renda e empregabilidade para jovens que enfrentam exclusão escolar e dificuldades de inserção profissional.
A Secretaria de Estado de Comunicação do Governo de Pernambuco foi contatada pela equipe do Investindo Por Aí, mas não se posicionou até a publicação da matéria.
Na Bahia, o Juventude Produtiva, do Governo do Estado da Bahia, atende jovens de 16 a 29 anos, priorizando estudantes ou egressos da rede pública de ensino. O programa oferece cursos de qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo e suporte para ingresso no mercado de trabalho. O objetivo central é estimular a autonomia econômica e reduzir as barreiras que afastam jovens em vulnerabilidade das oportunidades de estudo e emprego.
A Secretaria de Estado de Comunicação do Governo da Bahia não retornou as tentativas de contato do Investindo Por Aí para tratar do programa e seus efeitos.
Em Sergipe, não foram identificados programas estaduais específicos. Entretanto, o Jovem Aprendiz ganhou reforço com a priorização de adolescentes e jovens de 14 a 18 anos em situação de vulnerabilidade social, acolhimento institucional ou cumprimento de medidas socioeducativas.