Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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9 de fevereiro de 2026 12:41

Quase lá: os municípios nordestinos que estão a um passo do topo econômico

Quase lá: os municípios nordestinos que estão a um passo do topo econômico

Vinte cidades nordestinas se aproximam do ranking das mais ricas da região; Entre polos industriais, agrícolas e energéticos, o desafio é diversificar economias e investir em infraestrutura e qualificação
Vista aérea de Candeias, na Bahia | Foto: Divulgação/Governo da Bahia

Por muito tempo, o debate sobre o desenvolvimento nordestino girou em torno de potências já consolidadas, como Salvador, Recife, Fernando de Noronha, Camaçari e Ipojuca. Mas há um grupo de cidades que, silenciosamente, se aproxima dessa elite econômica. São vinte municípios que estão “quase lá”, com indicadores de produção robustos, cadeias produtivas organizadas e crescente interesse de investidores. O Investindo por Aí, através do seu próprio ranking, elaborado por sua metodologia específica, listou as cidades que sucedem as dez mais ricas do Nordeste e estão a um passo do topo econômico.

De Candeias (BA) a Barreiras (BA), passando por Goiana (PE), Mossoró (RN) e Imperatriz (MA), esses municípios exibem trajetórias diversas, mas convergem em um ponto: crescimento sustentável requer planejamento, inovação e infraestrutura integrada.

Indústria e logística: a força da faixa litorânea

Cidades próximas aos grandes centros ou portos se destacam pela eficiência logística e vocação industrial. Por exemplo, Candeias (BA), vizinha de Salvador, abriga o Porto e o Centro Industrial de Aratu, pilares do setor petroquímico baiano. O município tem PIB per capita acima da média estadual, mas enfrenta dependência de grandes plantas industriais e desafios ambientais. Especialistas avaliam que investir em diversificação, com foco em tecnologia, serviços logísticos e capacitação técnica, é o caminho para sustentar o avanço.

Em Goiana (PE), o polo automotivo da Stellantis (Jeep) e indústrias farmacêuticas consolidaram o município como um dos mais promissores da região. O desafio, também segundo economistas, é fortalecer cadeias locais de fornecedores e incentivar a inovação tecnológica.

Paulista (PE), na Região Metropolitana do Recife, também cresce apoiada no comércio e no turismo, mas enfrenta gargalos em saneamento e mobilidade. A melhoria do transporte público e a requalificação urbana são essenciais para que o município converta potencial em qualidade de vida e competitividade.

O novo interior produtivo: agro, energia e inovação

No interior, o avanço vem da terra e da energia. No oeste baiano e no sul do Piauí, cidades como Formosa do Rio Preto (BA) e Uruçuí (PI) se tornaram potências do agronegócio dentro do MATOPIBA, região que concentra algumas das maiores produtividades agrícolas do País.

Ambas figuram entre as líderes na produção de soja e milho, mas precisam vencer desafios logísticos e ambientais. De acordo com engenheiros agrônomos, o salto de competitividade depende de agregar valor à produção e apostar em certificações sustentáveis.

Em Barreiras (BA), polo regional de educação e serviços, o crescimento é visível. Com investimentos em energia solar e agroindústria, a cidade pode se tornar um hub logístico do oeste baiano, desde que amplie estradas e conexões ferroviárias.

Imperatriz (MA) segue trajetória semelhante. Segunda maior cidade do estado, a “porta de entrada do Norte” combina indústria de celulose – como a presença da fábrica da Suzano, maior produtora de celulose do mundo -, siderurgia e logística integrada, com a BR-010 e a Ferrovia Norte-Sul conectando a cidade ao Porto do Itaqui. Para especialistas, o foco deve estar na industrialização e planejamento urbano, evitando que o crescimento rápido amplie desigualdades.

O eixo energético e salineiro do RN e o desafio da urbanização nas cidades metropolitanas

O Rio Grande do Norte é o estado com mais cidades “quase lá”, com nove no total. Mossoró, Guamaré, Areia Branca e Alto do Rodrigues formam o coração energético e salineiro potiguar. Mossoró é líder nacional em petróleo em terra e exportação de melão e, para consolidar-se como potência, a cidade precisa avançar em industrialização de insumos, logística de exportação e formação técnica qualificada.

Em Guamaré, a dependência do petróleo dá lugar a novos projetos em energias renováveis. Já Areia Branca e Alto do Rodrigues buscam agregar valor às cadeias de sal e gás natural, enquanto pequenas cidades como Ipueira e São José do Seridó demonstram que o desenvolvimento rural sustentável pode reduzir a evasão de jovens e fortalecer microeconomias.

Paço do Lumiar (MA) e Parnamirim (RN) enfrentam dilemas típicos das áreas metropolitanas: crescimento urbano desordenado, déficit de saneamento e transporte público precário. Ambas, no entanto, têm potencial para atrair investimentos logísticos e imobiliários, desde que planejem a expansão urbana com base em mobilidade e infraestrutura social.

Horizonte (CE), próxima a Fortaleza, também ganha destaque como polo industrial emergente. A cidade atrai pequenas e médias indústrias e pode se consolidar como centro de manufatura leve e tecnologia, aproveitando a conexão com o Complexo do Pecém e a capital cearense.

Quem está mais perto ainda de chegar lá?

Segundo o ranking realizado pelo Investindo por Aí, os cinco municípios que sucedem as dez cidades mais ricas do Nordeste são:

  1. Candeias (BA)
  2. Conceição do Jacuípe (BA)
  3. Goiana (PE)
  4. Bodó (RN)
  5. Parnamirim (RN)

A localização estratégica, base industrial sólida, presença de capital privado, infraestrutura logística em expansão, entre outros fatores, fazem com que estes municípios estejam quase no topo da riqueza nordestina.

Para especialistas, o salto seguinte dependerá de inovação, infraestrutura multimodal e governança metropolitana. Sem esses pilares, parte desse potencial pode se perder diante da desigualdade social e da falta de planejamento urbano.

Onde investir para crescer?

Conversando com especialistas e economistas, os municípios podem caminhar em diferentes frentes para que tenham seu PIB e riqueza ainda maior e, assim, ascender no ranking. São elas:

  • Diversificação produtiva: reduzir a dependência de grandes plantas e commodities;
  • Infraestrutura logística: ampliação de rodovias, ferrovias e portos secos;
  • Fortalecer institutos e parcerias com universidades para a formação técnica e inovação
  • Ampliar redes e transporte coletivo para o melhor saneamento e mobilidade
  • Adotar certificações e tecnologias limpas para exportação e, assim, adentrar ainda mais na agenda ESG

Aeroportos, transporte público capilarizado e capital estrangeiro: Onde estão presentes?

Depois de mapear os diferenciais e desafios das cidades que despontam no cenário econômico nordestino, o infográfico abaixo mostra a presença de aeroportos, capital estrangeiro, polos de energia e agronegócio nos municípios, que formam o conjunto de fatores que indicam onde estão os novos vetores de desenvolvimento do Nordeste.

Os dados consideram presença de infraestrutura logística e industrial, capital estrangeiro instalado e potencial de ascensão econômica segundo indicadores do IBGE e Mapa do Desenvolvimento Regional 2025.

 

Este texto integra a série de reportagens do Investindo Por Aí sobre as cidades mais ricas do Nordeste

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