Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
9 de fevereiro de 2026 12:38

Quatro anos após Nova Lei do Gás, CNI vê mercado travado no Brasil

Quatro anos após Nova Lei do Gás, CNI vê mercado travado no Brasil

Estudo revela que falta de regulamentação, concentração de mercado e altos custos mantêm o gás natural inacessível e caro para a indústria
Foto: Reprodução/Internet

Quatro anos após a aprovação da Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021), o mercado brasileiro de gás natural ainda não avançou como se esperava. Um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a falta de regulamentação, a concentração da comercialização nas mãos da Petrobras e os sucessivos atrasos na agenda da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) continuam a travar a abertura do setor.

O relatório foi apresentado no fim dejunho, durante o seminário “Abertura do Mercado de Gás Natural no Brasil”, promovido pela CNI em Brasília. Especialistas e representantes da indústria discutiram os entraves e caminhos para destravar o acesso ao insumo, considerado essencial para a competitividade industrial.

“Apesar do marco legal, a tarifa cobrada pelo gás natural no Brasil continua sendo uma das mais altas do mundo, o que representa um obstáculo à competitividade nacional”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. “Passados quatro anos da promulgação da lei, convém avaliar os resultados iniciais e as ações indispensáveis para que os ganhos potenciais da abertura do mercado desse importante insumo industrial se concretizem.”

O cenário atual frustra as previsões. Embora o gás natural seja responsável por cerca de 60% do consumo energético industrial, esse uso está praticamente estagnado há mais de uma década. A razão principal é o preço: enquanto nos Estados Unidos o milhão de BTUs custa cerca de US$ 2, no Brasil o valor médio chega a US$ 20, dez vezes mais. Até mesmo a Europa, com média de US$ 10, oferece um cenário mais competitivo.

Segundo dados do GT Gás para Empregar, a infraestrutura responde por 66% do custo final do gás. Só o escoamento e o processamento chegam a US$ 9 por milhão de BTU. Estudos da EPE indicam que seria possível reduzir esse custo para US$ 2, o que abriria margem para uma forte queda no preço final.

Apesar do cenário adverso, o estudo reconhece avanços pontuais, como o surgimento da figura do transportador independente e a adesão parcial da Petrobras ao Termo de Compromisso de Cessação (TCC) com o Cade, incluindo a alienação de ativos e a oferta de capacidade de transporte.

No entanto, a CNI destaca que os impactos dessas medidas ainda são limitados. Sem uma regulamentação completa e regras claras para novos entrantes, o mercado continua fechado.

Quais são os principais entraves identificados pela CNI

Entre os problemas mapeados no relatório, estão:

  • Atraso na regulamentação pela ANP: dos 15 temas previstos para 2022-2023, apenas três foram concluídos. A falta de pessoal é uma das causas do atraso.
  • Baixa transparência no acesso à infraestrutura: embora a Petrobras tenha aberto parcialmente os sistemas de escoamento e processamento, informações essenciais sobre capacidade e contratos ainda não são públicas.
  • Concentração da comercialização: a estatal ainda domina a venda de gás natural, já que muitos produtores dependem de sua infraestrutura para escoar a produção.
  • Falta de articulação entre governo e setor privado: segundo o estudo, a abertura do mercado só será viável com coordenação entre reguladores, empresas e governo federal.

“O mercado de gás natural é estratégico para a neoindustrialização do Brasil, mas, na prática, ele ainda opera com barreiras que limitam a concorrência e impedem que o setor aproveite todo o seu potencial”, alerta Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI. “Sem avanços concretos na regulamentação e uma verdadeira abertura, corremos o risco de desperdiçar oportunidades de investimento e competitividade para a indústria nacional.”

Muniz lembra que o impacto do custo energético na produção industrial é significativo. “A energia representa em média 7% dos custos, podendo chegar a 40% em alguns setores”, afirma.

Propostas da CNI para destravar o mercado

O estudo propõe sete ações estratégicas para viabilizar a abertura efetiva do mercado de gás:

  1. Transparência no acesso à infraestrutura – Regulamentar o Art. 28 da nova lei para garantir igualdade de condições a todos os agentes.
  2. Definição clara para o transportador independente – A ANP deve normatizar o Art. 5º para evitar favorecimentos.
  3. Desconcentrar o mercado – Aplicar mecanismos como Gas Release e Capacity Release para atrair novos players.
  4. Criar um mercado organizado de gás – Estabelecer um ponto virtual de negociação para contratos de curto prazo e mais liquidez.
  5. Fortalecer a ANP – Garantir recursos humanos e financeiros para a agência cumprir seu papel.
  6. Evitar sobrecarga regulatória – Manter equilíbrio entre novas regras e a estabilidade dos investimentos já feitos.
  7. Planejar com foco em resultados – Usar o Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNI) como norte para ações concretas, e não como obstáculo burocrático.

👆

Assine a newsletter
do Investindo por aí!

 

Gostou desse artigo? compartilhe!

Últimas

image (1)
e88191cb33acbe843d70ee6b60f835c9
Água
fruticultura
Prédios em João Pessoa 2
IBS
fiocruz
Sertão cearense
TJ RN
concessão parques

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

div#pf-content img.pf-large-image.pf-primary-img.flex-width.pf-size-full.mediumImage{ display:none !important; }