Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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9 de fevereiro de 2026 16:06

Relações entre China e Brasil colocam Nordeste como polo estratégico de investimentos

Relações entre China e Brasil colocam Nordeste como polo estratégico de investimentos

Especialistas defendem investimentos em infraestrutura, educação e incentivos econômicos, além de uma forte colaboração entre governos, universidades e empresas para garantir um crescimento sustentável
Foto: Ricardo Stucketrt

A última viagem da comitiva brasileira à China expõe a já prevista aproximação diplomática e comercial com o gigante asiático por uma busca de investimentos estratégicos em setores como energia renovável, infraestrutura e tecnologia. 

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil), por sua vez, desempenhou um papel central na organização do Fórum Empresarial Brasil-China neste primeiro semestre, onde foram anunciados os R$ 27 bilhões em investimentos chineses.

Na viagem, o presidente Lula enfatizou a importância da China como parceira comercial e defendeu a redução de barreiras comerciais, além de incentivar a transferência de tecnologia para o Brasil.

O Nordeste, que já vem cultivando com a China parcerias específicas, intensificadas no período da pandemia de Covid-19 e durante o governo Bolsonaro como alternativa para dinamizar a economia local à margem da postura oficial do governo federal, passa agora a figurar como pólo estratégico dos investimentos chineses. 

Governadores do Nordeste, como Rafael Fonteles (Piauí) e Jerônimo Rodrigues (Bahia), participaram ativamente das negociações, apresentando projetos e oportunidades para investidores chineses.

O Consórcio Nordeste, que reúne governadores da região, tem sido um canal importante para atrair investimentos em energia limpa, infraestrutura e comércio. Do lado de lá, a China tem demonstrado interesse em infraestrutura e logística, incluindo a nova rota marítima direta e a possível construção da Ponte Salvador-Itaparica.

O economista Fábio Leão chama atenção, no entanto, para o fato de que, se por um lado os investimentos chineses no Nordeste brasileiro trazem benefícios diretos para a economia local, eles também levantam questões sobre a exportação de capital e a dependência econômica. Listamos, com ajuda do economista, os benefícios e os desafios desses investimentos chineses na região: 

Impactos positivos

Geração de Empregos: Empresas como Meituan, que investirá R$ 5,6 bilhões, estimam a criação de 100 mil empregos indiretos e 4 mil diretos na região. O setor de energia renovável, com investimentos da CGN e Windey, prevê milhares de empregos na construção e operação de parques eólicos e solares.

Transferência de Tecnologia: A instalação de um centro de pesquisa e desenvolvimento da montadora GAC no Nordeste pode impulsionar a inovação e capacitação de profissionais. Projetos de infraestrutura, como a nova rota marítima direta entre China e Brasil, podem modernizar a logística e reduzir custos de transporte.

Expansão da Infraestrutura: A possível construção da Ponte Salvador-Itaparica e a participação chinesa na Ferrovia Bioceânica podem melhorar a conectividade e fortalecer o comércio regional.

Desafios

Dependência econômica: O Brasil pode se tornar mais dependente da China, especialmente em setores estratégicos como energia e tecnologia.

Lucros repatriados: Algumas empresas podem priorizar a exportação de capital, enviando parte dos lucros para suas matrizes na China, sem investir significativamente na região.

Controle sobre recursos naturais: A compra da mina de cobre Serrote, em Alagoas, pela empresa Baiyin, levanta preocupações sobre o controle estrangeiro de recursos minerais.

“Os investimentos chineses trazem oportunidades reais de crescimento, com geração de empregos e modernização da infraestrutura. No entanto, é essencial que haja políticas públicas para garantir que esses investimentos resultem em desenvolvimento sustentável, evitando a simples exportação de capital sem benefícios duradouros para a região”, alerta Fábio Leão. 

Foto: Ricardo Stucketrt

A parte que cabe aos gestores públicos da região 

Os especialistas no tema defendem que o Nordeste se tornar um polo estratégico de fato, é necessário investir em infraestrutura, educação e incentivos econômicos, e que a parceria entre governos, universidades e empresas será essencial para consolidar esse crescimento de forma sustentável.

A conclusão da Ferrovia Transnordestina e a participação chinesa na Ferrovia Bioceânica podem melhorar a logística e facilitar o escoamento da produção. Já os investimentos em portos como o de Luís Correia, no Piauí, podem fortalecer o comércio internacional e reduzir custos de transporte. É necessário, ainda, melhorar o acesso à internet e infraestrutura tecnológica para atrair empresas de tecnologia e inovação.

Confira a lista de investimentos chineses anunciados no último giro Brasil-China que deverão impactar diretamente o Nordeste: 

  • A montadora GAC afirmou que vai fazer um centro de de pesquisa e desenvolvimento no Nordeste; 
  • O grupo Windey vai investir em energia eólica no Piauí;
  • Baiyin vai comprar a mina de cobra Serrote, em Alagoas; 
  • Meituan: a empresa anunciou um investimento de R$ 5,6 bilhões, em cinco anos. Líder no mercado de entregas na China, vai entrar no Brasil para concorrer, principalmente, com o Ifood. A estimativa é de geração de 100 mil empregos indiretos, além da instalação de uma central de atendimento no Nordeste, com até 4 mil empregos diretos;
  • CGN: vai investir R$ 3 bilhões em um hub de energia renovável no Piauí, com foco em energia eólica, solar, e armazenamento de energia, com previsão de mais de 5 mil empregos na construção das unidades;
  • Nova Rota Marítima: Uma nova rota marítima direta entre a China (Porto de Gaolan) e os portos de Santana (AP) e Salvador (BA) visa fortalecer o comércio e impulsionar o desenvolvimento no Norte e Nordeste, reduzindo o tempo de transporte e os custos;
  • Infraestrutura: Há investimentos e planos em infraestrutura, como a possível construção da Ponte Salvador-Itaparica, que tem recebido atenção devido ao interesse chinês. Além disso, a China participa das negociações para a construção da Ferrovia Bioceânica, que impactaria também o Nordeste ao conectar o litoral da Bahia ao Oceano Pacífico;

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