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9 de fevereiro de 2026 17:59

Salvador aposta em eletrificação e mobilidade ativa para neutralizar emissões até 2049

Salvador aposta em eletrificação e mobilidade ativa para neutralizar emissões até 2049

Com frota elétrica em expansão, ampliação da rede cicloviária e novos projetos de BRT, todos anunciados durante a COP30, capital baiana quer se consolidar como referência em sustentabilidade urbana até 2034
Foto: Reprodução/TripAdvisor

Salvador tem se posicionado, dia após dia, como um laboratório vivo de soluções urbanas sustentáveis. Recentemente, no painel Cidades Resilientes: Mobilidade Urbana e Ações Climáticas da COP 30, frente às principais lideranças climáticas do mundo, a capital baiana se mostrou mais que uma observadora, uma agente da agenda de descarbonização, com metas ambiciosas e investimentos concretos. No centro da operação está a Semob, secretaria de mobilidade soteropolitana, com ampliação da rede cicloviária e da frota elétrica do transporte público.

“Nós temos investido, ao longo dos últimos anos, em diversas ações para minimizar os impactos ambientais na cidade, especialmente no transporte público, que é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa”, afirmou Pablo Souza, secretário de Mobilidade de Salvador, durante sua participação no painel. “Temos o BRT, que já iniciou sua operação com oito ônibus elétricos, e construímos o maior eletro terminal em área pública do país.”

De acordo com a Assessoria de Comunicação (Ascom) da  Semob, “está em curso a preparação para operação de crédito junto ao Banco Mundial para a aquisição de mais 100 ônibus elétricos”. Desta forma, até 2028 ao menos 50% da frota do BRT Salvador será composta de ônibus de zero emissão.

Os investimentos anunciados fazem parte do Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima (PMAMC). A ideia é que até 2049 a cidade alcance a neutralidade de carbono em toda a frota de transporte coletivo. O PMACM conta com marcos intermediários, ferramentas que incentivam um avanço constante em direção a meta final, neutralidade total para 2049. Até 2028 a inserção dos ônibus elétricos se dará nas linhas BRT e BRS, além disso “está previsto no plano de governo 2025-2028 a criação de uma linha zero emissões no centro histórico da cidade”. Em 2032, 40% de toda a frota da cidade já deve ser movida a veículos de baixa emissão.

Além da eletrificação

A transição energética em Salvador não se resume aos ônibus elétricos. Até junho de 2026, a cidade receberá 700 novos ônibus modelo Euro VI, equipados com motores consideravelmente menos poluentes que os modelos antigos. Essa renovação representa um impacto imediato na qualidade do ar dos corredores de transporte e terminais, beneficiando especialmente quem espera nos pontos de ônibus e as comunidades que vivem próximas às vias de maior circulação.

Para os usuários do transporte público, a mudança vai além da questão ambiental. Veículos mais novos significam menos quebras, menos atrasos e viagens mais confortáveis. Além disso, os ônibus elétricos são praticamente silenciosos, reduzindo drasticamente a poluição sonora, outra fonte de alívio para os moradores de áreas próximas aos corredores. Além disso, oferecem climatização mais eficiente, um diferencial importante no calor característico de Salvador.

A manutenção simplificada dos veículos elétricos, que possuem menos peças móveis que os a combustão, também pode refletir em economia no longo prazo, tanto para o sistema de transporte quanto, potencialmente, para as tarifas pagas pelos usuários.

Mobilidade ativa: 700 km de ciclovias até 2034

A aposta de Salvador na mobilidade sustentável passa também pelo incentivo ao uso de bicicletas. O plano prevê a implantação de 700 quilômetros de rede cicloviária até 2034, uma expansão que busca diversificar as formas de deslocamento na cidade e reduzir a dependência de veículos individuais motorizados.

Essa é uma das mudanças mais desafiadoras do plano. Em uma cidade de topografia irregular como Salvador, criar uma malha cicloviária funcional exige planejamento criterioso, integração com o transporte público e, principalmente, mudança cultural. A bicicleta ainda enfrenta resistência no Brasil, onde o carro permanece como símbolo de status e as vias costumam ser hostis para ciclistas.

Para que a meta seja alcançada, será necessário não apenas construir ciclofaixas e ciclovias, mas garantir segurança no trânsito, respeito dos motoristas e infraestrutura complementar, como bicicletários e pontos de integração com ônibus e metrô.

A escolha das linhas BRT e BRS para receber os primeiros ônibus elétricos não é aleatória. Esses corredores concentram alto volume de passageiros e conectam áreas periféricas ao centro, maximizando o impacto ambiental e social da eletrificação. A linha zero emissões prevista para o Centro Histórico tem duplo apelo: ambiental e turístico. A região, tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, ganhará transporte público silencioso e não poluente, fortalecendo a imagem da cidade como destino sustentável.

COP30: vitrine global e busca por financiamento

A presença de Salvador na COP30 foi muito além do discurso institucional. Trata-se de uma estratégia de posicionamento no mercado global de financiamento climático. Com o Banco Mundial já envolvido na operação de crédito para os 100 ônibus elétricos, a cidade demonstrou aos investidores internacionais que possui capacidade técnica, vontade política e, principalmente, projetos estruturados e bancáveis.

Cidades que se antecipam na agenda climática se tornam mais atraentes para fundos de investimento verde, organismos multilaterais e parcerias público-privadas. O transporte público, historicamente deficitário no Brasil, pode encontrar uma nova fonte de financiamento ao se alinhar com as prioridades globais de descarbonização.

Além do aspecto financeiro, há o ganho reputacional. Em um mundo onde consumidores, turistas e investidores valorizam práticas sustentáveis, posicionar-se como “cidade verde” gera retornos intangíveis: atração de talentos, fortalecimento da marca, diferenciação competitiva. Salvador não compete apenas com outras capitais brasileiras, disputa atenção e recursos com metrópoles latino-americanas que também buscam liderar a transição energética urbana.

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