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31 de março de 2026 12:08

São Luís aposta em transparência para atrair investimentos e vira vitrine de governança entre as capitais do Nordeste

São Luís aposta em transparência para atrair investimentos e vira vitrine de governança entre as capitais do Nordeste

Ao adotar ferramentas federais de integridade e controle, a capital maranhense reduz riscos institucionais e melhora sua atratividade para projetos de infraestrutura, concessões e crédito público, afirma especialista em gestão
Foto: Divulgação

São Luís passou a integrar o Programa Time Brasil, da Controladoria-Geral da União (CGU), tornando-se a primeira capital do Nordeste a aderir à iniciativa. Especialistas em gestão afirmam que mais do que um marco administrativo, a entrada no programa sinaliza ao mercado que a capital maranhense está adotando um modelo de gestão baseado em integridade, transparência e controle institucional, critérios cada vez mais considerados por investidores, bancos de desenvolvimento e agências de fomento na avaliação de risco e na decisão sobre financiamentos, parcerias e projetos com o poder público.

“Ao integrar um grupo ainda restrito de entes federativos que utilizam ferramentas federais de autodiagnóstico e planos de ação em governança, São Luís passa a se posicionar como um território com maior previsibilidade institucional, fator-chave para quem analisa concessões, contratos públicos, projetos de infraestrutura e investimentos de longo prazo”, destacou o superintendente da CGU no Maranhão, José Antônio Freitas, no ato de lançamento da adesão ao programa. 

Na prática, a adesão ao Time Brasil indica que a prefeitura se compromete com rotinas mais robustas de transparência, ouvidoria, corregedoria e controle interno, mecanismos que reduzem incertezas, aumentam a confiança dos agentes econômicos e melhoram o ambiente de negócios local.

A singularidade no caso de São Luís não se restringe ao pioneirismo, mas posicionar a capital como referência regional numa agenda de integridade pública e transparência, uma moeda forte para parcerias. 

A própria CGU destaca que São Luís passa a ser a primeira capital nordestina no Time Brasil e que, naquele momento, o programa reunia 29 entes federativos (incluindo três capitais). “Em termos de reputação institucional, isso funciona como um sinal de que a prefeitura aceitou se submeter a um roteiro de melhorias acompanhado e exposto ao público”, explica o especialista em gestão pública pela FGV, Fernando Sobrado.  

Além disso, o movimento dialoga com um contexto em que o programa foi reformulado e ampliado. No novo ciclo lançado em 2025, a CGU reportou 36 municípios participantes e o governo do Maranhão, com meta de expansão em 2026. Ou seja, São Luís entra numa pauta que está sendo acelerada e padronizada nacionalmente.

Foto: Divulgação

“Para as empresas, fundos, bancos de desenvolvimento e agências a integridade pública não é discurso abstrato. Ela entra como redução de risco e ganho de previsibilidade”, afirma Sobrado. Para isso, existem três frentes principais que fazem toda a diferença, que elencamos aqui com a ajuda do especialista em gestão pública: 

Contratações públicas mais confiáveis: ao priorizar rotinas de integridade, ouvidoria, corregedoria e controle, a administração tende a reduzir vulnerabilidades em compras e contratos. “Isso importa para investidores porque projetos com interface pública (obras, serviços urbanos, concessões e PPPs) dependem de regras claras, processos auditáveis e respostas institucionais a problemas”, explica Sobrado.  O Time Brasil, segundo a CGU, dá acesso a metodologias e ferramentas federais, como Fala.BR (ouvidoria e acesso à informação) e sistemas voltados a controle e responsabilização, e integra gestores a redes colaborativas de transparência e acesso à informação.

Choque de governança: organismos internacionais vêm reforçando que integridade e transparência elevam a qualidade das decisões públicas e ajudam a proteger políticas contra captura e influência indevida, fatores que pesam em avaliações de ambiente de negócios e de risco. A OCDE, por exemplo, ao analisar o Brasil em 2025, dedica capítulo a fortalecer transparência e integridade na tomada de decisão pública.

Menos percepção de corrupção, melhor ambiente de investimento: há ampla literatura mostrando que corrupção e fragilidade institucional pioram o clima de investimentos e podem afastar o capital externo. O Banco Mundial trata governança e combate à corrupção como parte central do desenvolvimento e da efetividade do Estado.

Para que a adesão tenha efeito real na imagem da cidade, dois pontos viram termômetro, a publicação e qualidade do plano de ação, com ações, prazos, responsáveis e foco em gargalos locais; o programa prevê acompanhamento e permite que a sociedade acompanhe o progresso no ambiente do Time Brasil. Ele também entrega resultados verificáveis, especialmente em transparência ativa, o que significa dados, contratos, respostas a LAI, fortalecimento de ouvidoria e corregedoria e rotinas de integridade em compras e contratos. 

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