
O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), apresentou na terça-feira (30) um balanço das ações do governo em 2025, em entrevista ao telejornal Bom Dia Sergipe. No mesmo dia, ele sancionou a lei que cria a Universidade Estadual de Sergipe (Unese). O gesto sintetiza a estratégia da gestão: encerrar o ano com resultados em áreas sensíveis, como saúde e emprego, e projetar para 2026 uma agenda estruturante, ancorada sobretudo na educação superior pública.
Segundo Mitidieri, Sergipe registrou avanços relevantes no enfrentamento à pobreza e na geração de empregos formais. Um dos dados destacados pelo governador foi a inversão histórica entre trabalhadores com carteira assinada e famílias beneficiárias do Bolsa Família. No início da atual gestão, havia uma diferença de cerca de 100 mil famílias a mais no programa social; em 2025, o número de empregos formais superou o de beneficiários, marco que o governo atribui à retomada econômica e a políticas de estímulo ao trabalho.
Na área da saúde, a principal entrega do ano foi a conclusão do Hospital do Câncer, obra que se arrastava havia aproximadamente uma década. A unidade já oferece serviços de quimioterapia e exames, e deve iniciar a radioterapia em janeiro, com funcionamento pleno previsto até abril de 2026. Mitidieri também ressaltou a implantação da primeira UTI do Sertão Sergipano, com 10 leitos em Nossa Senhora da Glória, além da introdução do serviço de hemodinâmica no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse).
Os investimentos em infraestrutura viária também figuraram no balanço. De acordo com o governador, o estado tem atualmente cerca de R$ 700 milhões em obras rodoviárias em execução. Entre os projetos citados estão a Rota do Leite, no Sertão, e a nova ponte que ligará Aracaju à Barra dos Coqueiros, cuja licitação está em andamento. Já o Complexo Viário Maria do Carmo tem conclusão total prevista para 2027. Questionado sobre impactos ambientais na área de restinga, Mitidieri afirmou que todos os trâmites legais e licenciamentos foram cumpridos.
No saneamento, o governador abordou as críticas à prestação do serviço após a concessão à Iguá. Ele informou que o estado aplicou multa de quase R$ 4 milhões à concessionária por falhas no abastecimento e destacou que a fiscalização da Agrese é permanente. Mitidieri também diferenciou responsabilidades: a Deso segue encarregada da captação e do tratamento da água, enquanto a Iguá responde pela distribuição.
O principal anúncio com efeitos de longo prazo, no entanto, foi a criação da Universidade Estadual de Sergipe. Com a sanção da lei, o estado deixa de integrar o grupo das poucas unidades da federação sem sistema próprio de educação superior. Vinculada à Secretaria de Estado da Educação e com natureza jurídica de autarquia, a Unese nasce com foco em áreas estratégicas como tecnologia, energias renováveis, petróleo e gás, educação e serviços. A oferta inicial será de sete cursos, com início das aulas previsto para o primeiro semestre de 2027.
O vice-governador e secretário de Educação, Zezinho Sobral, informou que 80% das vagas serão reservadas a estudantes da rede pública. A sede funcionará no centro de Aracaju, em prédios históricos reaproveitados. Para Mitidieri, a universidade sintetiza o projeto da gestão: “um investimento estruturante, capaz de articular desenvolvimento econômico, inclusão social e formação de mão de obra qualificada para o futuro do estado”.