
A assinatura de um Protocolo de Intenções entre a Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) inaugura uma nova etapa na produção de conhecimento geocientífico do estado. A iniciativa mira minerais estratégicos como lítio, níquel, cobalto, cobre e terras raras — insumos essenciais para cadeias produtivas ligadas à transição energética e à indústria de baixo carbono.
A atualização da base geológica é tratada como instrumento para reduzir incertezas técnicas, qualificar o planejamento territorial e ampliar a segurança para investidores interessados em mineração sustentável.
Em nota ao Investindo Por Aí, o Serviço Geológico do Brasil esclarece que foi assinado um Protocolo de Intenções, que sinaliza o interesse das instituições em realizar projetos conjuntos. “Há o diálogo entre as equipes técnicas para definir as linhas de atuação e, futuramente, firmar acordos que contemplem planos de trabalho específicos”, garante a instituição.
Como instituição de Estado responsável pelo mapeamento geológico sistemático do país, o SGB atua em parceria com os estados para integrar expertises, otimizar recursos públicos e fortalecer o desenvolvimento econômico sustentável.
Dados pré-competitivos
A parceria prevê a avaliação e possível incorporação de metodologias modernas de levantamento aerogeofísico, como magnetometria, gamaespectrometria, gravimetria strapdown e eletromagnetometria no domínio do tempo (TDEM). Também está prevista a implementação de um programa sistemático de levantamento geoquímico regional.
Segundo o SGB, as parcerias que visam a ampliação de mapeamentos geológicos, levantamentos aerogeofísicos e geoquímicos são fundamentais para expandir o conhecimento geológico do território e gerar dados pré-competitivos de alta qualidade.
O SGB detalha que esses estudos reduzem riscos e incertezas na etapa inicial da pesquisa mineral ao oferecer informações técnicas consistentes, que orientam decisões estratégicas, qualificam a modelagem de alvos exploratórios e aumentam a atratividade para investimentos responsáveis no setor mineral.
Na prática, a ampliação da base técnica diminui o risco exploratório, reduz custos iniciais para empresas e aumenta a previsibilidade para projetos de médio e longo prazo.
Os estudos devem resultar na criação de bancos de dados georreferenciados, integrados a sistemas nacionais, ampliando o acesso público e científico às informações geológicas de Sergipe.
Todos os dados e produtos técnicos gerados serão públicos e incorporados às plataformas oficiais da instituição, como o Repositório Institucional de Geociências e a Plataforma GeoSGB, assegurando transparência, acesso amplo à informação, estímulo à pesquisa científica e à atividade mineral responsável. A divulgação seguirá o cronograma técnico estabelecido nos planos de trabalho a serem formalizados, respeitando as etapas de validação e consolidação dos resultados.
O diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Vilmar Medeiros Simões, destaca que há um compromisso claro do ministro Alexandre Silveira e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o Serviço Geológico do Brasil seja fortalecido como órgão estratégico de Estado. “É nesse contexto que ampliamos parcerias com estados e universidades, como forma de estruturar o setor mineral brasileiro, gerar conhecimento geocientífico de qualidade e consolidar uma política pública duradoura para o desenvolvimento do país”, conclui.
Potencial mineral e próximos passos
O presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, comenta que Sergipe se prepara para modernizar e aprofundar os conhecimentos e estudos sobre os recursos minerais do estado, visando ampliar a atração de investimentos e o desenvolvimento do setor.
“Atualmente, cerca de 99% do estado de Sergipe é coberto por dados aerogeofísicos de alta resolução, e também há levantamento geoquímico recente do território”, diz.
“Entretanto, existem lacunas na disponibilidade de dados geoquímicos, e existe a possibilidade de se atualizar e amplificar o levantamento aerogeofísico do estado, permitindo o aprofundamento do potencial mineral assim como a identificação de novos depósitos e ocorrências”, complementa Andrade.
Segundo Andrade, com base nos dados já disponíveis, além da grande reserva já explorada de sais de potássio, Sergipe possui reservas de minerais metálicos como cobre, ferro e nióbio, e também apresenta potencial para exploração de terras raras, titânio e zircônio.
“A expectativa é que investimentos em estudos e pesquisas mais atuais e aprofundadas permitam consolidar Sergipe como uma referência em mapeamento geocientífico moderno e amplo, e na exploração sustentável de minerais críticos e estratégicos”, considera.