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2 de março de 2026 11:27

Sudene aponta alta de emprego e queda da inadimplência no FNE e reafirma impacto dos fundos regionais

Sudene aponta alta de emprego e queda da inadimplência no FNE e reafirma impacto dos fundos regionais

Estudos indicam crescimento médio de 5,6% no emprego em empresas financiadas e retorno expressivo do FDNE nos municípios atendidos
Foto: Desiphotos

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) avança na avaliação de seus instrumentos financeiros e consolida evidências sobre o impacto do crédito regional na economia. Levantamento recente sobre o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) mostra que empresas financiadas passaram a empregar, em média, 5,6% mais do que negócios similares que não tiveram acesso aos recursos.

A pesquisa, realizada em parceria com o Núcleo de Estudos em Economia Aplicada ao Semiárido (Neasa), da Unidade Acadêmica de Serra Talhada da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), analisou dados de 2000 a 2021. O recorte temporal permitiu observar o comportamento das operações ao longo de diferentes ciclos econômicos, além de comparar os efeitos do crédito no Semiárido e em outros territórios da área de atuação da Sudene.

O primeiro eixo do estudo examinou a aplicação dos recursos do FNE nos setores de Comércio e Serviços, com foco na eficiência do crédito e nos reflexos sobre o desempenho empresarial. Os resultados indicam impacto direto na expansão do emprego formal e no fortalecimento das empresas beneficiadas, evidenciando o papel do financiamento como indutor de atividade econômica.

O segundo eixo avaliou as políticas de renegociação das operações e seus efeitos sobre a inadimplência. O levantamento identificou queda consistente no indicador agregado da carteira, que recuou de 3,3% em 2013 para um patamar entre 1,7% e 1,9% em 2020 e 2021. A redução aponta melhora na qualidade do crédito e na sustentabilidade financeira do Fundo.

Segundo Gabriela Nascimento, da Coordenação de Avaliação e Estudos da Sudene, os resultados reforçam a relevância estratégica do instrumento. Ela destaca que as análises oferecem subsídios técnicos para compreender inadimplência e risco moral, assegurando que eventuais renegociações sejam conduzidas com critérios que preservem a saúde financeira do Fundo.

O economista Kleyton Siqueira, coordenador da pesquisa pela UFRPE, afirma que o estudo fornece base científica para o aprimoramento da política de crédito e para o enfrentamento das desigualdades regionais. Para ele, a avaliação sistemática fortalece o papel estruturante do FNE no desenvolvimento do Nordeste.

Com orçamento previsto de R$ 52,6 bilhões para 2026, o FNE é o principal instrumento financeiro da Sudene para financiar atividades produtivas, conforme estabelece a Lei Complementar 125/2007. Do total programado, 62% — o equivalente a R$ 32,6 bilhões — serão destinados a pequenos produtores rurais, microempreendedores e empresas de pequeno porte.

Agenda ampla

A avaliação do FNE integra uma agenda mais ampla de monitoramento dos instrumentos da autarquia. Entre eles está o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que também apresentou resultados expressivos em estudo recente realizado em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC).

No caso do FDNE, a análise das operações realizadas entre 2008 e 2023 identificou aumento médio de 24% no PIB per capita dos municípios que receberam ao menos um empreendimento financiado. Foram 81 operações no período, com desembolsos que somaram R$ 13,4 bilhões, distribuídos em 153 municípios. Mais de 53% dos investimentos e 72% dos recursos contratados foram direcionados ao Semiárido, e 97% das aplicações ocorreram em localidades de baixa e média renda.

O impacto econômico estimado do FDNE sobre o PIB per capita variou entre R$ 40,2 bilhões e R$ 145,8 bilhões entre 2008 e 2021, frente a um custo estimado entre R$ 2,8 bilhões e R$ 7 bilhões. Pela metodologia adotada, o retorno chegou a R$ 32 para cada R$ 1 investido.

Ao consolidar dados sobre emprego, renda, inadimplência e retorno econômico, a Sudene busca migrar de uma lógica centrada na execução orçamentária para uma abordagem baseada em evidências de impacto. A divulgação completa dos resultados do estudo sobre o FNE está prevista para este mês e deverá orientar ajustes nos critérios de concessão, monitoramento e priorização dos recursos, reforçando o papel dos fundos regionais como instrumentos de desenvolvimento sustentável no Nordeste.

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