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10 de fevereiro de 2026 12:31

Transmissão define ritmo da transição energética no Rio Grande do Norte

Transmissão define ritmo da transição energética no Rio Grande do Norte

Com matriz quase 100 % limpa, Estado destaca fatores territoriais e institucionais e enfrenta desafios para sustentar investimentos em energia eólica e solar
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O Rio Grande do Norte fechou 2025 com quase 100% de sua matriz elétrica baseada em fontes renováveis, um desempenho que ratifica sua posição de destaque na transição energética nacional. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sistematizados pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec) indicam que 99% da potência outorgada e 98,14% da potência instalada no estado provêm de fontes limpas, com destaque para eólica e solar, totalizando 12,4 GW de capacidade instalada. Esse cenário, porém, convive com limitações estruturais que podem comprometer a sustentabilidade do crescimento no médio e longo prazo.

Em entrevista ao Investindo por Aí, o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico da Sedec, Hugo Fonseca, ressaltou que a combinação de condições naturais favoráveis e ambiente institucional sólido foi determinante para que o estado alcançasse a quase totalidade de geração renovável. “Do ponto de vista territorial, temos um dos melhores regimes de vento do mundo e alta irradiação solar no semiárido, além de disponibilidade de áreas para implantação de projetos de grande porte. No campo institucional, o estado construiu ao longo dos anos um ambiente favorável ao investimento, segurança nos processos de licenciamento e alinhamento às políticas federais de expansão do setor elétrico”, afirmou Fonseca.

Ele acrescentou que “hoje as fontes renováveis representam 98,14% da potência instalada no estado, e eólica e solar juntas somam 97,61% da capacidade em operação. Isso consolida o Rio Grande do Norte como referência nacional em matriz limpa”.

Investimentos em 2025 refletem cenário de ajuste

Apesar dos números robustos, os investimentos em novos projetos no estado desaceleraram em 2025, somando R$ 5,5 bilhões em empreendimentos eólicos e solares. Em sua avaliação, Fonseca relaciona essa retração a fatores conjunturais e estruturais: “A desaceleração observada em 2025 é resultado principalmente de gargalos na transmissão, aumento dos curtailments e de um cenário de sobreoferta de energia renovável no país, diante de uma demanda que cresce em ritmo mais lento. Isso gera pressão sobre preços e maior cautela do investidor”.

O termo curtailment, usado no setor para descrever cortes forçados na geração de energia devido a limitações do sistema elétrico, tem se intensificado no Brasil. Estudos técnicos indicam que cerca de 20 % da energia eólica e solar gerada em 2025 não pôde ser aproveitada por limitações do sistema, gerando perdas estimadas em R$ 6,5 bilhões. Especialistas destacam que a infraestrutura de transmissão não tem acompanhado a expansão da geração renovável, particularmente no Nordeste, o que resulta em frequência elevada de curtailments.

Mesmo com esse cenário, Fonseca vê sinais positivos de retomada no curto e médio prazo. “A expectativa de entrada de 18 novos parques eólicos em 2026 e as projeções de forte expansão solar nos próximos anos mostram que o mercado segue ativo, ainda que em fase de ajuste. Soma-se a isso a realização de leilões de energia e de transmissão no âmbito federal, que funcionam como importante sinalizador de demanda e de previsibilidade para o investidor”, disse o secretário-adjunto.

Infraestrutura de transmissão como condicionante central

A limitação da infraestrutura de transmissão é vista por Fonseca como um dos principais gargalos ao avanço do setor. “A expansão da transmissão é hoje a principal condicionante para o avanço do setor. O estado mantém diálogo constante com o governo federal, Aneel, ONS e investidores para priorizar novos leilões de transmissão, ampliar margens de conexão e reduzir restrições operacionais”, afirmou. Ele observou que há um “volume expressivo de investimentos previstos em geração, mais de R$ 40 bilhões em projetos eólicos e solares, cuja concretização depende diretamente da expansão da rede”.

Gestores da Coordenadoria de Desenvolvimento Energético (Coder) enfatizam que articulações institucionais e planejamento integrado são fundamentais para destravar novos empreendimentos. Eles defendem que leilões de transmissão coordenados com o ingresso de projetos renováveis e um planejamento energético robusto são essenciais para reduzir a dependência de regras excepcionais de operação que limitam a injeção de energia no sistema elétrico.

Equilíbrio entre eólica e solar na estratégia de atração de capital

A matriz potiguar permanece dominada pela energia eólica, que responde por cerca de 85% da potência instalada, enquanto a energia solar representa aproximadamente 12% e cresce de forma consistente, segundo Fonseca. “A secretaria avalia que o equilíbrio reside na transição gradual do perfil de novos investimentos, onde a energia solar ganha protagonismo devido ao seu vasto potencial ainda não explorado, visto que 71,7% das usinas solares outorgadas ainda estão em fase de implantação”, explicou.

Hugo Fonseca | Foto: Divulgação

Ele destacou que o governo tem incentivado usinas híbridas que combinam eólica e solar, utilizando a mesma infraestrutura de transmissão para ambas as fontes, o que aumenta a eficiência dos ativos e torna o portfólio energético do estado mais resiliente e atrativo para grandes investidores internacionais.

Segurança jurídica e regulação como âncora de confiança

Para ampliar a segurança jurídica e a previsibilidade aos investidores, Fonseca destacou a necessidade de aperfeiçoamentos regulatórios. Entre os pontos apontados estão “regras claras para curtailment e ressarcimento, maior previsibilidade na conexão e no escoamento, segurança jurídica contratual e planejamento coordenado entre geração e transmissão”. “O Rio Grande do Norte já é competitivo em recurso natural; o avanço regulatório fortalece a competitividade econômica”, afirmou.

Especialistas independentes observam que a incorporação desses elementos regulatórios é fundamental para mitigar riscos percebidos pelos investidores, pois os custos de capital e os prêmios de risco tendem a aumentar em contextos de incerteza operacional e de regras não consolidadas.

O protagonismo do estado na transição energética já produz efeitos econômicos tangíveis. Em 2025, a implantação de usinas gerou mais de nove mil empregos diretos e indiretos, sendo 5.917 no setor eólico e 3.449 no setor solar. Fonseca enfatizou que “o setor elétrico renovável já é um dos motores do desenvolvimento regional do estado”.

Gestores da Coder reforçam que a presença de projetos de energia renovável tem dinamizado economias locais, com aumento da circulação de renda em municípios que recebem parques eólicos e solares, impulsionando serviços, hospedagem, alimentação e obras civis.

Portanto, o Rio Grande do Norte consolidou-se como modelo nacional de matriz elétrica renovável em 2025, apoiado em condições territoriais privilegiadas e um ambiente institucional propício a investimentos.

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