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9 de fevereiro de 2026 12:32

Transnordestina avança em testes e aproxima empresas de novo modelo logístico no Nordeste

Transnordestina avança em testes e aproxima empresas de novo modelo logístico no Nordeste

Operações experimentais com grãos entre Piauí e Ceará ampliam interesse do setor produtivo e indicam redução de custos no médio prazo
Testes da Transnordestina marcam nova fase na relação com o setor produtivo (Foto: Divulgação/MIDR)

Os testes operacionais da Ferrovia Transnordestina começam a redesenhar as expectativas do setor produtivo no Nordeste. Com as primeiras viagens experimentais realizadas entre o Piauí e o Ceará, cresce a procura de empresas interessadas em conhecer o transporte ferroviário de cargas e em antecipar o desenho de operações comerciais futuras. A promessa central é a redução de custos logísticos, especialmente para cadeias que hoje dependem quase exclusivamente do modal rodoviário.

“Quando a ferrovia estiver totalmente finalizada, com a estrutura de carregamento e descarregamento concluída, a gente enxerga, sim, uma redução real de custos. É praticamente um sonho”, afirma o diretor e sócio da Tijuca Alimentos, Marden Alencar Vasconcelos. Segundo ele, ainda não há um custo final definido, mas a expectativa é que o valor seja inferior ao do transporte por caminhões.

A relação entre o setor produtivo e a Transnordestina Logística S/A (TLSA), operadora da ferrovia, vem se estreitando. De acordo com o diretor Comercial e de Terminais da TLSA, Alex Trevizan, as próximas operações-teste já estão em fase de estruturação com potenciais clientes. O objetivo é simular, na prática, o modelo de contratação e operação que deve se consolidar até 2028, quando a linha férrea estiver totalmente inaugurada. “Após essa operação de dezembro, várias empresas nos procuraram para fazer um transporte parecido, e para começar o transporte de outros tipos de carga”, diz.

A proposta da Transnordestina é operar com um formato sob demanda. Cada vagão pode ser contratado individualmente, conforme o volume, o tipo de mercadoria, a frequência das viagens e os terminais de origem e destino. Na prática, uma locomotiva com 20 vagões pode transportar cargas distintas de diferentes empresas em uma mesma viagem — ou um único produto, com vagões contratados separadamente por clientes diversos.

A partir do momento em que uma empresa apresenta uma proposta, a TLSA inicia o planejamento da cadeia logística, avaliando a infraestrutura necessária para cada tipo de carga. O processo inclui o desenho das etapas de embarque, transbordo, armazenagem e descarregamento, além da definição do melhor arranjo intermodal.

Após autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e licença de operação concedida pelo Ibama, as duas primeiras viagens transportaram milho e sorgo adquiridos exclusivamente pela Tijuca Alimentos. O primeiro contato com a Transnordestina ocorreu em 2024 e evoluiu até a formalização do teste no ano seguinte. “Nós fomos, com muita transparência, fazendo simulações e mostrando os custos”, relata Marden. Ele destaca que, neste momento, ainda é necessário complementar o trecho ferroviário com frete rodoviário.

No modelo executado, os grãos saíram das fazendas em caminhões até o terminal ferroviário de Bela Vista do Piauí (PI). De lá, seguiram pela ferrovia até Iguatu (CE), onde foram novamente embarcados em caminhões com destino às unidades da empresa em Beberibe e Horizonte. Por ser uma fase experimental, a Tijuca aceitou operar com margem menor. “Assumimos o risco e mostramos para o parceiro, a Transnordestina, que acreditamos no projeto”, afirma.

Além do transporte em si, a Transnordestina aposta na estruturação de terminais logísticos com implantação e gestão privada. Nesse arranjo, clientes podem negociar com a TLSA e, separadamente, com operadores dos terminais para serviços como armazenagem e descarregamento. Há ainda a possibilidade de o investidor do terminal atuar também como comprador da carga, reduzindo intermediários e aumentando eficiência.

A TLSA planeja instalar entre seis e oito terminais em pontos estratégicos, como Eliseu Martins e Bela Vista do Piauí (PI), Trindade e Salgueiro (PE), Missão Velha, Maranguape e o Porto do Pecém (CE). No Pecém, o terminal privado TUP NELOG, do Grupo CSN, deve conectar ferrovias e porto, ampliando a capacidade de exportação e importação e fortalecendo a competitividade logística regional.

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