
A Ferrovia Transnordestina iniciou na quinta-feira (18) a sua primeira operação-teste em um trecho estratégico de 585 quilômetros entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu, no Ceará. A estreia operacional foi marcada pela circulação de uma locomotiva com 20 vagões carregados de milho, simbolizando um avanço concreto em um dos mais relevantes projetos de infraestrutura logística do país.
De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a operação tem caráter experimental e inclui testes de carga, descarga e desempenho em marcha. A iniciativa ocorre uma semana após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conceder a Licença de Operação (LO), liberando oficialmente o transporte de mercadorias nos trechos já concluídos da ferrovia.
A Transnordestina Logística S.A. (TLSA), concessionária responsável pela construção e futura operação comercial da ferrovia, informa que o início da operação comissionada — etapa anterior ao funcionamento pleno — será definido em conjunto com o Governo Federal e os governos do Ceará e do Piauí. Quando estiver totalmente em operação, a ferrovia será destinada ao transporte de cargas de alto desempenho, como grãos, algodão, minérios, gesso, gipsita e contêineres, ampliando significativamente a competitividade da produção nordestina.
Para o secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR, Eduardo Tavares, o alcance da Transnordestina vai além do transporte interno. Segundo ele, a chegada da ferrovia ao Porto do Pecém, no Ceará, ampliará a escala logística do projeto e abrirá novas possibilidades de expansão e integração com o mercado internacional, especialmente para exportações.
A estratégia logística da Transnordestina prevê a implantação de seis a oito terminais ao longo do traçado, com o objetivo de acelerar o escoamento da produção regional. Entre os pontos já planejados estão Eliseu Martins e Bela Vista, no Piauí; Trindade e Salgueiro, em Pernambuco; além de Missão Velha, Maranguape e o Porto do Pecém, no Ceará. Neste último, será implantado o TUP NELOG, terminal de uso privado do Grupo CSN, que conectará a Transnordestina a outras ferrovias e ao porto, com investimento estimado em R$ 900 milhões.
Parte desses terminais será construída e operada diretamente pela TLSA, enquanto outros contarão com a participação da iniciativa privada. No Piauí, por exemplo, o terminal de Bela Vista deve receber cerca de R$ 50 milhões. Já no Ceará, os terminais de Iguatu, Quixeramobim e Quixadá serão desenvolvidos por parceiros privados em um modelo de condomínio logístico, no qual as empresas instalam suas operações dentro da área de concessão da ferrovia.
No campo das obras, a última semana marcou a assinatura da ordem de serviço para os lotes MVP 9 e MBP 10, referentes aos trechos de Baturité e Aracoiaba. Com isso, o Ceará alcança 100% das obras mobilizadas, em um projeto que já gera cerca de 6,5 mil empregos diretos.
O financiamento da conclusão da Transnordestina vem sendo estruturado desde 2023 pela Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR. A finalização dos 19 lotes da Fase I da ferrovia contará com investimento total de R$ 8 bilhões, incluindo recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do leilão do Finor. A operação-teste dessa semana representa, assim, um marco simbólico e prático rumo à consolidação da Transnordestina como eixo logístico fundamental para o desenvolvimento do Nordeste.
