
A Usina Caeté, empresa de destaque no setor açucareiro de Alagoas, está implementando uma técnica inovadora no cultivo de cana-de-açúcar. Através do plantio vertical da cana, a usina tem conseguido ganhos expressivos em produtividade e redução de custos. Diferentemente do método convencional, onde os toletes de cana são dispostos horizontalmente no sulco, a nova técnica os posiciona em pé, na vertical. A prática, ainda pouco utilizada no Brasil, está tendo sucesso principalmente em períodos de estiagem.
Mário Sérgio Matias, Superintendente de Operações Agrícolas das unidades Matriz e Marituba da Caeté, conta que, inicialmente, a adoção dessa tecnologia foi direcionada às áreas de replanta, como estratégia para revitalizar a parte da planta que recebe os próximos e aumentar a longevidade dos canaviais. O superintendente conta que no último plantio da Caeté, mais de 1.500 hectares foram replantados utilizando o sistema de plantio vertical.
Segundo Matias, o plantio vertical melhora a performance operacional da implantação do canavial, promovendo maior eficiência no plantio. “O menor consumo de mudas possibilita otimização da mão de obra, simplifica a logística e aumenta a capacidade diária de plantio, resultando em uma maior produtividade geral. “O plantio vertical proporciona economia significativa no uso de mudas devido à maior eficiência de brotação”, diz Matias. “Na Usina Caeté, o consumo médio de mudas foi reduzido em 25% no sistema convencional manual e 50%, quando comparado ao plantio mecanizado”, comenta.
Além da economia, os canaviais plantados com o plantio vertical têm demonstrado uma maior resistência a períodos de seca. Essa resiliência em períodos de estiagem é um diferencial importante para o clima da região Nordeste. “O plantio vertical aumenta a tolerância da cana-de-açúcar ao déficit hídrico porque a inserção da muda em posição vertical, com profundidade uniforme e adequada, favorece um crescimento radicular mais profundo e contínuo, ampliando o volume de solo explorado e a capacidade de acesso à água armazenada em camadas mais profundas”, explica o superintendente. “Como consequência disso, as plantas apresentam menor sensibilidade ao estresse hídrico, mantendo maior vigor vegetativo e estabilidade de crescimento em períodos de restrição de chuvas, especialmente nas fases iniciais do ciclo”, conclui.
A técnica vem sendo aplicada tanto em áreas de replantio quanto em novos plantios, com resultados positivos em ambas as modalidades. A iniciativa coloca a Usina Caeté na vanguarda da inovação agrícola do setor açucareiro, explorando soluções tecnológicas para aumentar a sustentabilidade econômica e operacional da lavoura de cana-de-açúcar, mesmo em momentos de estiagem.