
Maceió dispara no preço do aluguel residencial com alta de 11,11% nos últimos 12 meses, de acordo com o Índice FipeZAP de fevereiro de 2026. O encarecimento não é um fenômeno isolado, mas resultado de transformações econômicas, urbanas e demográficas. O percentual posiciona a capital alagoana acima da média nacional, que foi de 8,96%, superando cidades importantes da região, como Salvador (8,18%) e Recife (10,34%).
No Nordeste, capitais litorâneas vêm registrando aumento da demanda habitacional, impulsionadas pelo turismo, pela migração interna e por novos investimentos. Nesse cenário, Maceió figura entre as capitais com maior valorização no período, ocupando a quarta posição no ranking. A cidade fica atrás apenas de João Pessoa (12,64%), Natal (12,59%) e Fortaleza (12,06%). Na sequência aparecem Aracaju (10,60%), Recife (10,34%), Salvador (8,18%) e São Luís (7,52%).
A dinâmica do mercado também se mantém em 2026. Nos dois primeiros meses do ano, o aluguel na capital já acumula valorização de 3,27%, sendo 1,68% apenas em fevereiro, índice superior à média nacional do mês, de 0,94%. Com isso, o valor médio chegou a R$ 56,64 por metro quadrado, colocando Maceió entre as capitais com preços mais elevados do país e reforçando o aquecimento do mercado imobiliário local.
A diretora de locação e administração da Zampieri Imóveis, imobiliária com atuação há 32 anos no mercado de locação no estado de Alagoas, com sede em Maceió (AL), Nicole Zampieri, cita que o aumento dos aluguéis não pode ser analisado de forma isolada, já que é resultado de uma série de fatores acumulados nos últimos anos. Segundo ela, eventos como o afundamento de bairros inteiros, somado aos impactos da pandemia, geraram um desequilíbrio entre oferta e demanda, criando um cenário de escassez habitacional que ainda influencia o mercado atual.
“Não tem como falar sobre aumento dos aluguéis em Maceió sem voltar um pouco e entender o contexto. A gente passou por um momento muito delicado, com o afundamento de um bairro extremamente relevante e, logo depois, a pandemia. Isso gerou uma demanda muito grande por moradia em um mercado que não estava preparado para absorver essa procura com a rapidez necessária”, frisa.
Nicole Zampieri destaca ainda que, mesmo com o início de novos empreendimentos no pós-pandemia, há um descompasso natural entre a demanda e o tempo de entrega dos imóveis, o que mantém a pressão sobre os preços. Ela aponta também que a expansão da cidade para o litoral, as mudanças no comportamento dos moradores, além da concorrência com a locação por temporada e com o mercado de incorporação imobiliária, seguem influenciando tanto os aluguéis residenciais quanto os comerciais.
Na mesma linha, o economista Lucas Sorgato aponta que o aumento dos aluguéis em Maceió está diretamente ligado ao desequilíbrio entre oferta e demanda, intensificado por fatores recentes e estruturais. Segundo ele, o deslocamento de famílias após o afundamento de bairros, aliado ao crescimento populacional e à maior atratividade da capital, contribuiu para pressionar os preços.
“Após o que aconteceu com os bairros afetados pelo afundamento do solo, houve uma realocação rápida de muitas famílias, mas não existia oferta suficiente de imóveis para atender essa demanda. A isso se soma o aumento do fluxo de pessoas interessadas em morar na cidade, seja por qualidade de vida ou pelo turismo, além do crescimento do aluguel por temporada. Quando a demanda cresce mais do que a oferta, o resultado é o aumento dos preços”, afirma.
O economista acrescenta que novos empreendimentos, com mais infraestrutura e serviços, também elevam o valor do metro quadrado e acabam influenciando todo o mercado, inclusive imóveis mais antigos. Ele ressalta ainda que, apesar da valorização, há um impacto social relevante, já que o custo da moradia tem crescido em ritmo superior à renda da população, o que pode comprometer o orçamento das famílias e afetar diretamente a qualidade de vida.

A corretora de imóveis de alto padrão, com atuação em Alagoas e experiência na comercialização de imóveis no mercado nacional e internacional, Raquel Penna, avalia que a valorização imobiliária e a entrada de compradores de fora têm impactado diretamente o aumento dos aluguéis em Maceió, especialmente nas regiões de orla. Segundo ela, esse movimento eleva o preço do metro quadrado e acaba redefinindo os valores praticados em toda a cidade.
“Maceió vive um ciclo forte de valorização, principalmente nas áreas mais nobres. O imóvel valoriza na venda, o proprietário ajusta o aluguel a esse novo patamar e o mercado acompanha esse movimento, inclusive em imóveis mais antigos, criando uma nova referência de preço para toda a região”, explica.
Raquel Penna ressalta ainda que a presença de investidores, muitos deles focados em rentabilidade e locação por temporada, reduz a oferta de imóveis para aluguel tradicional e aumenta a concorrência. Além disso, a chegada de novos perfis de moradores, como profissionais remotos e pessoas de fora com maior poder aquisitivo, mantém a demanda aquecida e contribui para a alta contínua dos preços na capital.