
Na quinta-feira (9), Maceió sediou a “Homenagem Família Lundgren”, realizada no Jatiúca Hotel & Resort com o objetivo de celebrar a história do setor hoteleiro na cidade e apresentar projetos para o futuro da cadeia. Promovido pela Record Construções em parceria com o grupo Casas Pernambucanas, a ABIH/AL e o Maceió Convention & Visitors Bureau, o evento reuniu empresários, líderes do trade turístico e investidores.
A homenagem celebra o legado de Helena Lundgren, empresária responsável pela implantação do Hotel Jatiúca, em 1979, além de outros empresários importantes para o crescimento do setor na cidade. Foram homenageados Márcio Vasconcellos (Grupo Amarante), Mauro Vasconcelos (Hotéis Ponta Verde), Kiko Gatto (Brisa Hotéis), Márcio Coelho (Ritz), Glênio Cedrim (Grupo Augis) e Luiz Vasconcelos (Maceió Mar, in memoriam).
Mauro Vasconcelos, fundador do grupo Hotéis Ponta Verde, destacou a alegria de ser homenageado e, principalmente, ver crescer o setor em que foi pioneiro. “Eu tenho muito orgulho dessa história, e é lógico que tudo isso que aconteceu foi em parceria com vários outros hoteleiros. Nós sempre trabalhamos pelo destino Maceió, porque a gente tinha a consciência de que se o destino não estiver bom, o nosso hotel não vai ter resultado. Por isso, sempre juntamos forças, mesmo com um hotel sendo concorrente do outro, mas formamos uma rede de apoio, sempre desejando o sucesso individual e coletivo”, contou.
O evento celebrou a importância da continuidade de cada legado construído pelos homenageados, além do bom momento vivido pela hotelaria e pelo turismo na capital alagoana. Para Gabriel Cedrim, presidente da ABIH/AL e filho de Glênio Cedrim, o ponto chave é unir o que veio antes às inovações da atualidade. “A gente tenta trazer a nossa expertise da juventude, nossa vontade de inovação com toda a experiência de mercado deles, com toda a visão de estrutura de cidade que eles têm. Então eu acho que esse mix é o que faz com que a Alagoas esteja entre os principais nomes do país hoje quando a gente fala em destino turístico, e eu espero que continue assim, pois tem sido um trabalho muito bem feito”.
Indicadores recentes apontam que, pós-pandemia, Alagoas vive um momento de expansão de seu turismo, com empreendimentos – muitos geridos pelos homenageados da noite – chegando a outras cidades do estado, a exemplo de Maragogi e São Miguel dos Milagres. A capital, especialmente, é palco de um ciclo de crescimento de demanda e consolidação de produtos hoteleiros.
De acordo com a Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), Maceió é a capital nordestina com a maior taxa de crescimento na geração de empregos no turismo pós-pandemia, criando em média 3,82% de vagas para cada mil habitantes. Além disso, a cidade é o 2º destino de lazer mais relevante do Brasil, com crescimento de 7% no volume de diárias e aumento de 18% na tarifa média entre 2024 e 2025. Outro ponto é que, em alta temporada, chega-se a registrar 90% de ocupação na rede hoteleira, segundo a ABIH/AL.
Presidente do Sindicato das Indústrias da Construção do Estado de Alagoas (Sinduscon-AL), Zezinho Nogueira aponta que há boas expectativas para a cadeia produtiva do turismo nos próximos dez anos. “O estado vem num bom ritmo de desenvolvimento pela infraestrutura que vem sendo construída por aqui. Claro que temos coisas a melhorar, por exemplo expandir a nossa malha aérea, mas eu não vejo nenhum retrocesso a caminho, muito pelo contrário. Acredito que com a união que temos entre setor público e privado, a tendência é que o setor siga se fortalecendo”.
Novo complexo do Hotel Jatiúca: o desenho do próximo ciclo da categoria
Projetando o futuro do setor, o evento contou com apresentação do Novo Complexo do Hotel Jatiúca, que promete revolucionar a ocupação urbana da região, especialmente na orla marítima da cidade. Assinada pelo designer Guto Índio da Costa, a proposta prevê a integração entre a Jatiúca e Cruz das Almas, com abertura de áreas do terreno para o uso público.
Além de um novo empreendimento vertical do Hotel, que deve abrir leitos residenciais e turísticos, o projeto conta ainda com requalificação da área do hotel, criação de espaço verde aberto ao público às margens da Lagoa da Anta e um novo parque com lojas, bares e restaurantes.
Essa transformação dialoga diretamente com a Nova Orla de Maceió, recentemente inaugurada. A proposta traz tendências nacionais e internacionais de reconversão de ativos turísticos tradicionais em espaços híbridos, combinando hospitalidade, moradia, lazer e uso público. O projeto urbanístico conta com a participação de nomes como o designer Guto Índio da Costa, envolvido também no conceito da nova orla de Maceió, o que reforça a integração entre o empreendimento privado e o redesenho da cidade.
Ao Investindo Por Aí, Guto afirmou que o projeto foi idealizado a partir de necessidades vistas na cidade. “Começou com uma escuta muito grande da sociedade de Maceió: nós ouvimos jangadeiros, pescadores, artesãos, toda a turma dos hotéis, do turismo, dos bares e restaurantes, moradores, visitantes. Fizemos pesquisas de grande porte para entender e se aprofundar na cultura, nos propósitos, nos desejos, o que que a cidade, a população queria para a sua Maceió dos sonhos, esse projeto tenta responder a todos esses anseios”.

Mais do que uma intervenção pontual, o movimento sinaliza uma transformação mais ampla: a valorização da faixa litorânea como ativo econômico estratégico, com potencial de induzir novos investimentos imobiliários, turísticos e de serviços. E esses componentes se tornam ainda mais importantes quando observados juntos ao bom momento que a capital vive no setor hoteleiro, sendo reconhecida internacionalmente como destino turístico.
Para Adriano Moura, arquiteto que compõe o projeto, a expectativa é que a população da cidade e os visitantes consigam celebrar os novos empreendimentos. “Com certeza é o projeto de maior responsabilidade que já me envolvi. É um projeto de padrão internacional e nós conseguimos traduzir a nossa cultura nele, então espero que a cidade como um todo abrace o projeto para que a gente tenha uma Maceió para o futuro para todos, com valorização de paisagem que essa é a grande riqueza desse local”, destaca.
Unindo o passado da hotelaria local – responsável por colocar Maceió e Alagoas no mapa do turismo nacional – ao futuro da capital, o setor se coloca como plataforma de expansão econômica mais ampla, promovendo conexão entre investimentos, novas possibilidades de ocupação da cidade e qualificação urbana.