
A movimentação de cargas no Porto de Natal encerrou 2025 com crescimento de 21,23% em relação ao ano anterior, alcançando 494.963 toneladas, frente às 408.293 toneladas registradas em 2024. Os dados, divulgados pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), indicam a consolidação de um processo de retomada operacional do terminal, impulsionado pela ampliação das exportações e pela reestruturação da infraestrutura portuária.
Apesar do resultado positivo, o desempenho ao longo do ano foi marcado por forte volatilidade. Meses como agosto e outubro apresentaram altas expressivas — de 271,33% e 74,56%, respectivamente — enquanto períodos como janeiro e julho registraram retrações significativas. A oscilação reflete a sazonalidade das operações, concentradas principalmente no escoamento de frutas, principal carga exportada pelo porto.
No acumulado, o crescimento ganhou tração no segundo semestre. O volume movimentado passou de 171.479 toneladas em junho para quase meio milhão de toneladas ao fim do ano, evidenciando uma aceleração consistente das atividades.
Segundo o diretor-presidente da Codern, Paulo Henrique Macedo, o desempenho tem ampliado o interesse de investidores internacionais. Um dos exemplos citados é o arrendamento do Pátio Norte pela empresa indiana Fomento do Brasil, sinalizando a inserção do terminal em novas dinâmicas de capital estrangeiro.
O avanço ocorre em paralelo à execução do Plano de Modernização da Infraestrutura Portuária, que prevê uma série de intervenções estruturais. Entre as ações estão a reforma de armazéns, a implantação de energia fotovoltaica e projetos como a dragagem do canal de acesso e melhorias nas estruturas do cais.
A estratégia de financiamento combina recursos públicos e privados. A Lei Orçamentária Anual de 2026 destina cerca de R$ 80 milhões à Codern, enquanto contratos de arrendamento, como o firmado com a empresa Top Link para o pátio sul, ampliam a capacidade de investimento.
De acordo com a companhia, o modelo adotado não envolve privatização, mas sim a intensificação de parcerias com a iniciativa privada. A expectativa é de continuidade do crescimento nos próximos anos, com maior diversificação de cargas e previsibilidade operacional, consolidando o Porto de Natal como um ativo estratégico no cenário logístico regional.