
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) está coordenando em parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) um projeto que visa revisar os Planos de Ação Estaduais de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, conhecidos como PAEs, em 10 estados: todos os estados do Nordeste com exceção da Bahia, Minas Gerais e o Espírito Santo estão no plano de ação. Está previsto um investimento de R$ 3,5 milhões no desenvolvimento dessa atividade.
Segundo Gustavo Hees de Negreiros, professor de Geografia na Univasf e coordenador do projeto, os planos estaduais de combate à seca atuais foram feitos, em média, há 10 anos. Portanto, a revisão é necessária para se adequar a um novo contexto, marcado pelas mudanças climáticas. “Além disso, uma das grandes críticas feitas pelos tribunais de contas dos estados e pela sociedade civil sobre esses planos é a dificuldade deles em se tornarem políticas públicas e ações concretas”, afirma o professor.
Negreiros também cita que há 10 anos, quando os atuais planos foram escritos, o paradigma entre os especialistas falava sobre a necessidade de ações para evitar as mudanças climáticas. Hoje, para a comunidade científica no geral, essas mudanças já são uma realidade, portanto, as ações relacionadas à ecologia precisam se adequar a essas mudanças.
Outro ponto importante do projeto é a realização desses novos planos de forma coletiva. “Anteriormente, cada estado fez seus planos em um momento, o que acaba dificultando o Governo Federal e as instituições de financiamento de articular planos que trabalhem de forma regional”, comenta o geógrafo. “Esse fazer articulado dos novos planos permite que a partir de agora toda a região Nordeste trabalhe junto seus pontos em comum no combate à seca”, conclui.
O ano de 2025 promete ser propício para as discussões sobre ecologia e mudanças climáticas, visto que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, mais conhecida como COP30, acontecerá no final do ano em Belém do Pará. Portanto, a revisão desses planos olhando para a realidade das mudanças climáticas também é uma boa forma dos estados do Nordeste captarem recursos e investimento para o combate à seca.
O foco do projeto é entregar novos planos de combate à seca que possam efetivamente ser transformados em ações reais. “Dentro dessa perspectiva, além da revisão dos planos, nós também entregaremos, como último produto, projetos estruturados e, se possível, já com fontes de financiamento para cada estado”, diz Negreiros.
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Atualmente, segundo o Monitor das Secas, a situação das secas no Nordeste está abrandada, principalmente pela alta das chuvas nos últimos meses devido ao fenômeno climático da La Niña, porém, mesmo com maior quantidade de precipitação, os indicadores de seca pioraram na Bahia e no Piauí. São esses dois estados que, de acordo com o Monitor das Secas, também tiveram regiões com o maior aumento da severidade da seca, quando é comparado o mês de fevereiro de 2025 com o de 2024. O Maranhão e o agreste pernambucano também são regiões com um aumento expressivo no aumento da seca nesse mesmo período.
O trabalho de revisão dos planos estaduais de combate à seca será dividido em três fases: primeiro um diagnóstico sobre os planos atuais e a situação climática; depois uma segunda fase que entregará novos planos estaduais até novembro deste ano; e, por último, estruturar programas e projetos específicos para entrarem em ação nos estados até 2026.