
O maior centro comercial do Rio Grande do Norte mudou de mãos. O Midway Mall foi vendido por R$ 1,61 bilhão pela Guararapes Confecções, controladora da Riachuelo, para um fundo imobiliário liderado pela Capitânia Capital. Com 65 mil m² de ABL (Área Bruta Locável), o empreendimento inaugurado em 2005 no bairro do Tirol tem mais de 300 lojas. O shopping não é apenas um ativo imobiliário, servindo segundo economistas locais como um termômetro do consumo e da confiança da classe média do estado.
“O Midway Mall é hoje o principal equipamento comercial do Rio Grande do Norte e um dos mais relevantes do Nordestes em termos de fluxo e faturamento”, diz Robespierre do O’ Procópio, economista do CORECON-RN (Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte), que completa dizendo “Não é apenas um shopping center, mas um polo estruturante do comércio e dos serviços de Natal”.
Robespierre entende que a relevância econômica do empreendimento se manifesta em três frentes. “Primeiro, pela geração direta e indireta de empregos, envolvendo varejo, alimentação, entretenimento, segurança, limpeza e serviços terceirizados. Segundo, pelo impacto sobre a arrecadação de tributos estaduais e municipais, especialmente ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto Sobre Serviços). E terceiro, pela capacidade de induzir investimentos no entorno, valorizando imóveis atraindo novas empresas e fortalecendo o eixo comercial da zona sul da capital.”
Termômetro do consumo
Procópio reforça a ideia de que o desempenho do shopping costuma refletir o cenário econômico do estado. “Em termos práticos, o Midway funciona como um termômetro do consumo da classe média e média alta do estado. O desempenho do shopping costuma refletir o nível de confiança do consumidor e a dinâmica da renda disponível no Rio Grande do Norte”. Além disso, o economista entende que “o fluxo constante de consumidores cria estabilidade para pequenos e médios negócios da região, reduzindo a sazonalidade típica do comércio de rua”. De forma que o entorno do Midway passa a ter uma economia mais resiliente e menos dependente de ciclos pontuais.
Localizado em uma das áreas mais valorizadas de Natal, o shopping mudou o mapa comercial da cidade ao longo de suas duas décadas. Segundo Robespierre, “Ele (o shopping) atua como um polo de atração que reorganizou o eixo comercial da zona sul de Natal, consolidando a região como um dos principais corredores de serviço e consumo da capital.” Este fenômeno, em que um empreendimento encadeia outros ativos na mesma região, acelerando a dinâmica comercial daquele território, é conhecido na economia urbana como “efeito âncora”.
O que muda com o novo controlador
A gestão do Midway passará a ser feita pela Ancar Ivanhoe, que já administra o Natal Shopping e que com a nova aquisição passa a ter sob sua gestão 23 shoppings pelo país. Para Procópio, a mudança deve gerar alguns impactos práticos, “quando um ativo desse porte é negociado, o novo controlador tende a buscar ganho de eficiência operacional e maximização de receita” o que pode levar a “revisão de contratos, reestruturação do mix de lojas, ajustes na política de aluguel e maior foco em performance por metro quadrado”, explica o economista.
Para os lojistas, o cenário pode ser ambivalente se por um lado a exigência de produtividade aumenta e há algumas renegociações de condições, Robespierre também enxerga que “um novo ciclo de investimentos pode trazer modernização, reposicionamento de marca e aumento de fluxo, o que beneficia o ambiente de negócios como um todo”. Do ponto de vista macroeconômico a venda é tida como positiva, “mostra que o ativo é valorizado e atrativo para o mercado” afirma o potiguar.