
A indústria potiguar terminou 2025 com saldo negativo, com a produção industrial voltando a cair em dezembro, e indicadores de emprego e de capacidade instalada mostrando desaceleração no fim do ano. Porém, para os primeiros meses de 2026, a perspectiva mudou de tom, com empresários demonstrando maior confiança, especialmente em relação à demanda, às exportações e aos investimentos futuros.
De acordo com a Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador de produção industrial recuou para 40,6 pontos em dezembro de 2025, sinalizando queda frente ao mês anterior, um movimento que se repete pelo terceiro mês consecutivo e que, embora típico para esse período do ano, reforça uma fraqueza da atividade produtiva local.
A utilização da capacidade instalada também caiu para 70%, enquanto o índice de emprego industrial ficou abaixo dos 50 pontos, indicando redução da ocupação no setor. Os estoques de produtos finais diminuíram, mas ainda permaneceram acima do nível planejado pelas empresas, sugerindo que o recuo não se deve apenas à falta de demanda imediata.
Os empresários relataram uma série de entraves que pressionaram o desempenho no último trimestre do ano. Condições financeiras mais difíceis, acesso restrito ao crédito, preços elevados de insumos e matérias-primas, além de custos tributários e gargalos logísticos foram apontados como obstáculos importantes.
“A elevada carga tributária e a dificuldade de acesso ao crédito continuam tirando competitividade da nossa indústria, principalmente para as pequenas empresas, que representam mais de 90% do parque industrial”, afirma o economista Cícero Dias.
Este cenário reflete um contexto mais amplo de fragilidade do setor industrial brasileiro, marcado por crescimento quase estagnado no ano passado, impactos dos juros elevados e restrições ao financiamento, segundo análises da própria CNI.
Força na subida
Apesar de o quadro atual inspirar cautela, a confiança dos empresários potiguares mostrou sinais de recuperação logo no início de 2026. A mesma sondagem da Fiern/CNI revela que, em janeiro, os indicadores de expectativas para os próximos seis meses apontaram crescimento esperado na demanda (57,5 pontos), no número de empregados (50,4), nas compras de matérias-primas (54,5) e, principalmente, nas exportações (59,9). A intenção de investimento também avançou pelo segundo mês consecutivo.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) no estado subiu em janeiro de 2026, alcançando 53,9 pontos, acima da linha de confiança e superando o resultado do final de dezembro. Isso indica que os empresários potiguares estão mais otimistas com o panorama futuro, mesmo que ainda sintam o momento difícil.
Segundo Dias, esse otimismo está sendo impulsionado principalmente pela expectativa de recuperação da demanda interna, pela maior participação nas vendas externas e pela perspectiva de melhora nas condições de investimento, sinais que podem estimular a retomada da produção ao longo do ano.
A pesquisa também mostra diferenças nas perspectivas por porte de empresa. Enquanto as pequenas indústrias projetam estabilidade na produção e emprego, as médias e grandes companhias estimam expansão na demanda, contratação de pessoal e aumento das compras de insumos.
O maior otimismo nas projeções contrasta com os desafios reais enfrentados em 2025 e sugere que a indústria potiguar pode estar no início de uma fase de recuperação, caso fatores externos, como taxa de juros, custos de crédito e gargalos logísticos, sejam ao menos parcialmente amenizados.