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10 de fevereiro de 2026 02:54

União entre setor público e privado será determinante para transformar portos do Nordeste em hubs logísticos, afirma secretário Nacional de Portos

União entre setor público e privado será determinante para transformar portos do Nordeste em hubs logísticos, afirma secretário Nacional de Portos

Principais portos públicos e privados da região movimentaram 336,2 milhões de toneladas em 2024, com crescimento de 4,2% em relação a 2023 e superando a média nacional de 1,18%.

O setor portuário nordestino apresentou crescimento acima da média nacional em 2024. Os 18 principais portos públicos e privados da região movimentaram 336,2 milhões de toneladas em 2024, registrando um crescimento de 4,2% em relação a 2023. O desempenho da região superou a média para todo o país, que avançou 1,18%, alcançando também um novo recorde de 1,32 bilhão de toneladas movimentadas. 

Para manter essa trajetória positiva, no entanto, especialistas do setor afirmam que a continuidade nos projetos de infraestrutura, ampliação da cabotagem e digitalização dos processos operacionais são cruciais. 

O Investindo Por Aí conversou com o secretário Nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, sobre os investimentos e desafios para os portos nordestinos, e como a região pode garantir competitividade em relação ao resto do país. 

O secretário afirma que “o fortalecimento dos portos do Nordeste como hubs logísticos de exportação e importação é um passo essencial para consolidar a competitividade da região no cenário nacional e internacional.” 

Ele acredita que o “alinhamento entre setor público e privado, aliado a políticas que promovam a integração multimodal e a sustentabilidade, será determinante para o avanço contínuo do setor portuário na região”. Confira:

Foto: Divulgação

Investindo Por Aí: Segundo dados do Estatístico Aquaviário 2024, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, os 18 principais portos públicos e privados do Nordeste movimentaram 336,2 milhões de toneladas no último ano, um crescimento de 4,2% em relação a 2023. Na mesma linha, o país alcançou novo recorde (1,32 bilhão) em toneladas movimentadas no ano passado. Das ações estratégicas do governo para os portos da região, a que podemos atribuir esse crescimento? 

Alex Sandro de Ávila: No Nordeste, o crescimento foi realmente expressivo, impulsionado pela ampliação da infraestrutura, pelo fortalecimento das operações de cabotagem e pelo aumento da demanda por commodities agrícolas e minerais.

O desempenho da região está ligado, principalmente, aos investimentos estratégicos, tanto públicos quanto privados, direcionados à modernização de terminais e à adoção de novas tecnologias operacionais. Mas quem está no dia a dia do trabalho dos portos sabe que as políticas de incentivo à cabotagem e melhorias na conectividade multimodal estão proporcionando eficiência logística, que é fundamental.

IPA: Em reunião com representantes das confederações da indústria no início deste ano, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que o governo deseja, ao “lado da Confederação Nacional da Indústria (CNI), trabalhar muito para poder avançar na agenda produtiva do Brasil”. Para o Nordeste, qual é a agenda produtiva que está na ordem do dia do governo no que diz respeito à atuação dos portos? 

A agenda produtiva do Nordeste precisa estar voltada para a diversificação das cargas movimentadas, ampliação da infraestrutura e atração de novos investimentos. O fortalecimento dos portos como hubs logísticos para exportação e importação, além da consolidação de terminais especializados em setores estratégicos como o agronegócio, energia e indústria, são pontos essenciais.

A Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários tem atuado para viabilizar a modernização dos portos nordestinos, buscando parcerias público-privadas e facilitando processos regulatórios para ampliar a eficiência operacional. 

IPA: A cabotagem – transporte de cargas ou passageiros entre portos do mesmo país, por via marítima ou fluvial – tem sido apontada como uma área que deve receber mais atenção e investimento.  Como o Nordeste poderá se beneficiar desses investimentos? 

 O Nordeste tem se beneficiado do fortalecimento da cabotagem especialmente na movimentação de cargas conteinerizadas e granéis líquidos. A infraestrutura portuária da região melhorou para atender o aumento da demanda, permitindo maior integração entre portos e outros modais de transporte.

A implementação do programa de incentivo à cabotagem contribui para a redução da dependência do transporte rodoviário, que é um problema histórico, e aumenta a competitividade das cadeias produtivas regionais. Portos como Suape, Pecém e Salvador desempenham papel fundamental nesse cenário.

Foto: Divulgação

IPA: O Porto de Salvador teve um crescimento importante de 41,18% em 2024, jogando para cima os números gerais de movimentação de cargas da região no último ano.  

Sim, esse crescimento está ligado ao aumento da movimentação de contêineres, granéis líquidos e à maior eficiência logística nas operações portuárias, e sabemos que a digitalização dos processos operacionais e a expansão das operações de cabotagem tiveram impacto para esse crescimento expressivo. 

IPA: Onde estão concentrados os investimentos portuários do nordeste neste momento? 

 Os investimentos portuários no Nordeste estão concentrados em projetos estratégicos de ampliação e modernização, abrangendo portos como Suape, Pecém e Recife.

Em Suape, o porto segue em expansão, com novos terminais e melhorias operacionais para aumentar a capacidade de movimentação de cargas industriais e de granéis líquidos.

Já em Pacém, com infraestrutura ampliada, o porto tem atraído novos investimentos em setores estratégicos como energia e siderurgia, e já é um dos principais hubs de exportação da região.

Os projetos de modernização e integração logística do Porto de Recife estão em andamento e a ideia é fortalecer a competitividade do porto. 

Leia também: Portos do Nordeste ganham relevância e viram prioridade comercial do País

IPA: Uma pesquisa feita em 2024 pela CNI com empresários do setor portuário mapeou a percepção do empresariado em relação à infraestrutura da região Nordeste para a dinâmica da economia, e apontou que esses empresários avaliaram o acesso aos portos e a infraestrutura como regular ou ruim. O que vocês têm ouvido desses empresários e o que é prioridade nas demandas trazidas por eles? 

Empresários da região têm apontado desafios no acesso terrestre aos portos e na infraestrutura logística integrada. A necessidade de melhorias na conectividade rodoviária e ferroviária tem sido uma demanda recorrente, impactando a eficiência no escoamento das cargas.

Além disso, há um forte apelo para a modernização dos processos portuários, com a redução de burocracias e o investimento em soluções tecnológicas para otimizar a operação. O Ministério tem buscado atender essas demandas por meio de iniciativas voltadas à digitalização, melhoria da infraestrutura e atração de investimentos privados.

IPA: Qual é o maior desafio da Secretaria Nacional de Portos no Nordeste hoje? 

É preciso investir continuamente para modernizar os terminais e ampliar a capacidade de atendimento. A integração multimodal, que garante melhor conexão entre rodovias, ferrovias e hidrovias e otimiza a movimentação de cargas é um trabalho sensível, desafiador, mas fundamental. 

Mas além de mais eficiência e modernização, que são temas recorrentes para a área portuária, precisamos estar mais atentos à sustentabilidade ambiental, com a adoção de práticas mais eficientes e tecnologias que reduzam impactos ambientais nas operações portuárias. 

Superar esses desafios exige articulação entre governo, iniciativa privada e sociedade, garantindo investimentos estruturantes e políticas de longo prazo, que é o que a gente quer. 

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