
Com um investimento de R$ 5,4 bilhões – que representa uma das maiores obras de mobilidade urbana em execução no país -, o governo da Bahia segue trabalhando na construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador. A obra de infraestrutura e melhoria para a capital está com mais de 50% de execução. De acordo com o governo da Bahia, o sistema contará com cerca de 43,31 quilômetros de extensão, distribuídos em três trechos, promovendo a integração do Subúrbio Ferroviário com outras regiões da cidade e com a Região Metropolitana.
Em conversa com o Investindo Por Aí, a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), afirma que o projeto está conectado a ações de reordenamento urbano e impacto econômico, conectando áreas historicamente excluídas e ampliando o acesso a serviços, empregos e oportunidades. “Obras de urbanização e paisagismo estão previstas em pontos estratégicos, a exemplo de Santa Luzia, Lobato, Plataforma e Praia Grande, gerando desenvolvimento urbano e movimentando a economia local, através do turismo e prestação de serviços, por meio dos equipamentos urbanos que serão instalados ao longo das áreas requalificadas.”
Para Tiago Brasileiro, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BA), a implantação do modal além de propiciar mais qualidade e rapidez nos deslocamentos da população, também poderá dinamizar o comércio nos locais situados nas proximidades das estações. Tiago destaca a rapidez nos trajetos. “Por ser um meio de transporte público, moderno e eficiente, certamente favorecerá a mobilidade de Salvador, especialmente integrando o Subúrbio Ferroviário a outras regiões da cidade”, afirma.
Brasileiro acrescenta que o projeto, de acordo com seu traçado, vai interligar áreas distantes na cidade, e também vai unir os diferentes modais de transporte de Salvador. “Isso já será suficiente para aumentar a eficiência e produtividade em diversos setores da economia, potencializando o desenvolvimento.”

A maior parte das linhas funcionará em vias com pouca interferência no trânsito de automóveis. Porém, nos bairros do Comércio e Calçada, o transporte vai interagir no trânsito geral.
Segundo a CTB, o sistema conta com mais de 21km de via permanente implantada, além de energização consolidada em 4km de uma das vias. A Companhia destaca ainda que os primeiros trens encontram-se em testes, com previsão do início da operação assistida e sem cobrança tarifária a partir de junho/2026, no trecho entre Calçada e Lobato. “O início da operação assistida marca o início de uma nova fase da mobilidade urbana, uma vez que o funcionamento proporcionará uma opção de transporte moderno e mais confortável aos usuários, sobretudo para a população da Cidade Baixa.”
Às vésperas do Carnaval, na quinta-feira (12) foi realizada a ação “Abre-alas do VLT”, com teste entre Calçada e Lobato, com as paradas de Santa Luzia, Pedreira, Voluntários da Pátria e Lobato.
O presidente do CAU/BA relembra que o trecho que entra em operação assistida está implantado numa área onde houve, durante muito tempo, a presença do trem. “Essa dinâmica de transporte sobre trilho, de certa forma, já é conhecida por essa população. Acredito que os primeiros impactos serão aqueles que se relacionam com a recuperação de uma maneira de se locomover. Só que agora com mais conforto, segurança e eficiência, devido à tecnologia aplicada”, pontua.
Para o Governo da Bahia, o projeto representa um importante vetor de desenvolvimento econômico e social, com geração de empregos, estímulo à economia local e valorização urbana ao longo do traçado. A Companhia de Transportes do Estado pontua ainda que estão previstas melhorias na infraestrutura da região alimentada pelo VLT, com as obras de macrodrenagem “resolvendo alagamentos históricos” e urbanização em regiões com grande potencial turístico, a exemplo de Praia Grande.

O presidente do CAU/BA concorda também que setores de comércio e serviços diversos devem se beneficiar com a operação do novo transporte, pois facilitará a circulação das pessoas e de pequenas cargas, interligando áreas distantes da cidade.
“A médio e longo prazos, poderemos perceber mais qualidade de vida para grande parte da população de Salvador, que utilizará o modal no cotidiano, aumento de produtividade no trabalho, otimização do sistema viário e redução de deseconomias. Além disso, podem ser realizados projetos de dinamização sócio econômica das centralidades situadas no entorno das estações do VLT, com implantação de empreendimentos-âncora, condizentes com as vocações de cada bairro ou localidade”, sugere Brasileiro.
O especialista aponta que será fundamental que o projeto de traçado do transporte possa favorecer a requalificação dos bairros do Comércio e Calçada, por meio de um ordenamento na mobilidade. “Considero ser de grande importância, que haja um pensamento sobre o Projeto de Cidade, à luz da Arquitetura e Urbanismo, que poderá emergir, a partir da construção de estruturas de porte e impacto excepcionais, como o VLT e a Ponte Salvador Itaparica.”
Integração e Funcionamento
O projeto terá integração física e tarifária com o metrô, em três pontos específicos: Águas Claras, Bairro da Paz e Retiro, formando uma rede sobre trilhos que reduz viagens longas e melhora a conexão entre Salvador e a Região Metropolitana. Próximas às paradas, existirão baias de ônibus, para que haja a junção física e operacional com os dois sistemas. Prevê-se também a construção de um Terminal de Ônibus próximo à parada Ilha de São João, atendendo os moradores de Simões Filho que utilizarão o sistema. E por fim, o VLT também será conectado ao Complexo Intermodal em Águas Claras, atualmente formado pelo Terminal de Ônibus, Metrô e Nova Rodoviária, recém-inaugurada.