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O mundo vem passando por um processo disruptivo. Diferentemente de pilares que costumavam nortear a economia mundial, como a produção em larga escala com  foco na eficiência de custo, uso de matéria-prima de forma não planejada e estímulo ao consumo desenfreado, o novo paradigma incutiu novos hábitos na sociedade.

Nesse sentido, a mudança de hábitos dos consumidores com foco na sustentabilidade, responsabilidade social e nos valores éticos das empresas vem direcionando o foco da sociedade em direção às empresas com práticas atreladas ao ESG – Environmental, Social and Governance ou, em tradução livre para o português, ASG – Ambiental, Social e Governança. Mas o que é esse tal de ESG?

ESG é um termo utilizado, principalmente, pelo mercado financeiro, para analisar as diretrizes de uma empresa com relação ao seu desempenho junto ao meio ambiente, à sociedade e às práticas de governança. Ou seja, quais são os valores que estão sendo gerados por essa companhia para a sociedade, inclusive, no sentido intertemporal?

Interessante é a origem do termo ESG. Surgiu em 2005 com a publicação do Relatório das Nações Unidas “Who Cares Wins” (“Ganha Quem se Importa”, em tradução livre), na qual representantes de instituições financeiras de apenas 9 países elaboraram diretrizes e recomendações iniciais de como melhores práticas ambientais, sociais e de governança incorporadas ao mercado financeiro gerariam mais e melhores retornos para a sociedade.

Apesar de inicialmente se ter a falsa impressão de que a adoção de melhores práticas vinculadas a ESG leva a um aumento de custo de produção e, consequentemente, à uma redução de rentabilidade do negócio, mundialmente o resultado é exatamente o oposto. Essas empresas estão sendo associadas a negócios sólidos, boa penetração de mercado, aumento da reputação e mitigação de riscos em geral resultando em uma maior possibilidade de sustentabilidade empresarial.

Nesse sentido, investidores mundo afora estão considerando cada vez mais informações ESG. Um exemplo desse cenário é a trajetória do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE B3), que analisa de forma comparativa a performance de empresas listadas em bolsa sob o aspecto do ESG, que apresentou uma alta de 257% desde a sua criação (2005) até o início de 2020, valor superior ao Ibovespa do período que apresentou alta de 198%.

Ainda que o ESG esteja em estágio maduro no mercado financeiro mundial e que a análise de indicadores de sustentabilidade já seja uma realidade para análise de empresas e novos negócios, aqui no Brasil o tema ainda se encontra em estágio inicial, o que resulta, inclusive, em perda de oportunidade para empresas brasileiras, uma vez que fundos internacionais colocam à disposição boa parcela de seus recursos exclusivamente para negócios aderentes ao ESG.

Apesar de o pilar ligado a Governança ter ganho maior relevância nas estruturas empresariais, principalmente após a operação “Lava-Jato”, as estruturas existentes nas empresas ainda são tímidas, o número de profissionais qualificados no assunto é reduzido, os indicadores e as certificações no tema são raros, ou seja, o mercado brasileiro ainda tem muito a se desenvolver.

O que sopra a favor do Brasil é a sua robustez na legislação ambiental e anticorrupção, apesar de retrocessos recentes. A sociedade brasileira percebe que a desigualdade social é um dos entraves ao crescimento econômico do país, o que demonstra um cenário propício para o amadurecimento do tema no curto prazo, principalmente, devido à abundância de recursos disponíveis em nível mundial que, por si só, é um grande incentivo para esse processo.