Eduardo Setton
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Em meados de março de 2020 a pandemia nos isolou do mundo e, num piscar de olhos, nos levou parentes, amigos, colegas de trabalho… Subitamente, uma grande ameaça caiu sobre nossas vidas, pondo em risco profissões, empresas, empregos, declarando a morte de muitos negócios. Muitas pessoas quebraram, faliram e não têm mais perspectiva.

Os que vinham acompanhando e acreditando na era das organizações exponenciais e que haviam posto a inovação e a tecnologia como parte da estratégia dos seus negócios, paradoxalmente, surfaram a onda da pandemia e cresceram ainda mais. Temos muito a aprender com eles. Porém, os que resistem a esse processo, esperando que tudo passe e volte ao que era antes vão provar de um amargo remédio.

Inovação é estratégia, investimento e oportunidade. Não entregue, espere ou responsabilize o setor de TI de sua empresa pela inovação porque inovação não necessariamente envolve tecnologia. Você pode inovar no atendimento, no cardápio, na equipe, nos processos e, também, lançando mão da tecnologia.

O segundo erro é demandar e investir na construção de um aplicativo, sistema ou mesmo uma nova plataforma digital que terão que ser adaptados a processos velhos. Isto normalmente custa muito caro: tanto a solução quanto os prejuízos que ela normalmente acarreta.

Inovação e transformação digital estão diretamente relacionadas a processos; e processos são a essência da gestão e também dos modelos de negócios. É verdade que as tecnologias mudam e aceleram processos, sejam eles internos (gestão) ou externos (modelos de negócio). No entanto, é preciso pensar na sua evolução, observando como as novas tecnologias podem otimizá-los.

Uma forma de fazer isto é olhar concomitantemente para os processos de sua empresa, para as tecnologias disponíveis e pensar como eles podem ser combinados para alavancar seu negócio e implementar. Aí sim você poderá afirmar que está fazendo ou fez a transformação digital de sua empresa. E que você, de fato, inovou.

Normalmente, os erros que comentemos são decorrentes da visão que temos do mundo e dos modelos aos quais fomos submetidos ao longo da vida. Essas duas coisas formatam o nosso modelo mental (mindset) definindo a nossa forma de agir e que impacta diretamente no resultado final. Perceba que os erros que apontei até aqui são, em geral, cometidos pelas empresas quando decidem que vão fazer a sua própria transformação digital. E o resultado nós já conhecemos.

A zona de conforto gerada pelo sucesso que obtivemos no passado aplicando modelos e métodos que nos trouxeram até aqui é a mesma que nos eliminará do jogo. Organizações públicas e privadas sentem isto na pele hoje. Percebem que é necessário mudar, mas não sabem como. Uma das formas clássicas é a partir da observação. Nosso país tem uma economia lastreada em commodities, investimos errado e pouco em ciência, tecnologia e inovação. No entanto, em meio à pandemia, existem algumas empresas nacionais que precisam ser observadas atentamente como forma de aprendizado. O Magazine Luiza é uma delas. Mas, este é um tema para o nosso próximo artigo. O modelo adotado por eles é interessante não somente para o investidor, mas também para as startups que estão buscando um lugar ao sol e para os varejistas.

Temos muito a aprender na pandemia e fora dela. Ela vai passar e a inovação, o empreendedorismo e a tecnologia vão continuar. Vamos transformar!