
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Embratur avançam em uma iniciativa que promete mudar o perfil tecnológico do turismo regional. O programa Destino Futuro acaba de concluir seu processo seletivo e libera agora a primeira parcela dos recursos para os cinco projetos escolhidos, que entram na fase de execução com investimento total de R$ 2,8 milhões.
O programa foi estruturado por meio de acordo de cooperação técnica e edital público, com apoio operacional do Porto Digital, hub de inovação sediado no Recife. De 105 inscrições iniciais, 58 propostas foram habilitadas e, ao final do processo, cinco projetos em estágio avançado de maturidade tecnológica foram selecionados — todos já validados em ambiente real e prontos para implementação em escala. Cada projeto recebe aporte médio de R$ 560 mil da Sudene, com contrapartida de R$ 140 mil das próprias startups envolvidas.
“O setor é muito importante para o desenvolvimento regional, com alta geração de emprego e renda para a população local”, destacou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre. Para o coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da autarquia, José Farias, o início da fase de execução representa um marco para a política de inovação regional. “Esperamos que, ao longo deste ano, essas soluções sejam consolidadas e expandidas para todo o setor no Nordeste”, afirmou.
Cinco frentes de inovação
Os projetos selecionados cobrem áreas estratégicas e mostram a diversidade de abordagens possíveis dentro do setor turístico. As startups são originárias de Alagoas, Bahia, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte, e atuam em parceria com empresas do trade turístico local.
Em Natal (RN), a Dexcap Investimentos e Tecnologia desenvolve o Retrofit Rent, plataforma de crédito tokenizado para reforma e requalificação de imóveis de temporada, com base na receita futura de locações em plataformas como Airbnb e Booking — sem depender do sistema bancário tradicional.
Em Tamandaré (PE), a Bio Fábrica de Corais lidera o Regenera Turismo, projeto que combina biotecnologia de enxertia de corais com turismo regenerativo para recuperar recifes degradados e criar experiências sustentáveis para visitantes.
Em Ilhéus (BA), a startup C F Penna desenvolve o GABI, sistema de inteligência artificial generativa voltado para a gestão hoteleira. A solução prevê demanda, otimiza tarifas e melhora a alocação de recursos em empreendimentos do setor.
A Compensei Sustentabilidade aposta em inteligência climática para monitorar e reduzir emissões de gases de efeito estufa no turismo, gerando relatórios automatizados de gestão ambiental para hotéis e resorts parceiros.
Por fim, em Maceió (AL), a Vortex Lab desenvolve o HAMORA, sistema preditivo de manutenção hoteleira que aumenta a eficiência operacional e reduz custos por meio de tecnologia aplicada à infraestrutura dos estabelecimentos.
A parceria entre Sudene e Embratur está alinhada à Estratégia Nacional de Inovação e aos planos de desenvolvimento regional do governo federal, reforçando o turismo como vetor de crescimento econômico. Além de modernizar o setor, o programa mira a integração da base produtiva nordestina aos mercados nacional e internacional.