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7 de maio de 2026 07:01

Artesanato alagoano é destaque em circuito internacional de design

Artesanato alagoano é destaque em circuito internacional de design

Exposição “Alagoas Plural” marca presença em Milão e amplia inserção global do setor
Foto: Ascom/Serfi

O artesanato de Alagoas esteve presente em um dos principais palcos do design mundial, a Milan Design Week 2026, em Milão. Com a exposição “Alagoas Plural”, obras de 46 mestres e artesãos do estado foram apresentadas ao público internacional, levando técnica, identidade cultural e ancestralidade.

A presença no evento marca um momento importante de valorização do artesanato como linguagem estética e cultural, com ampliação da inserção em circuitos internacionais. Em Alagoas, esses movimentos são construídos a partir de políticas públicas, a exemplo do Programa Alagoas Feita à Mão, do Governo do Estado, que visa fortalecer a cadeia produtiva e a geração de renda, como destaca Júlia Caroá, secretária executiva de novos negócios da Secretaria de Estado de Relações Federativas e Internacionais (Serfi).

“O artesanato deixou de ser visto apenas como cultura local e passou a ser trabalhado também como produto para o mundo. O programa Alagoas Feita à Mão hoje conecta os artesãos a eventos internacionais, como esse em Milão, com apoio de curadoria e estratégia comercial. Estar em Milão aumenta muito a visibilidade e o valor das peças. Também abre portas para contatos internacionais, vendas e possíveis exportações”, aponta.

Júlia reforça que, fazendo jus ao nome da exposição, a curadoria realizada por Marco Aurélio Pulchério foi pensada para espelhar a pluralidade do estado. “Foram escolhidas peças que mostram a diversidade de Alagoas, com foco em cerâmica, madeira e bordado. A ideia foi levar trabalhos que contam histórias, saberes tradicionais e a pluralidade de técnicas.”

Além da projeção cultural, a vitrine internacional abre caminhos para a inserção comercial em mercados mais amplos e exigentes. A expectativa é que a participação no evento contribua para reafirmar o artesanato como vetor estratégico de desenvolvimento econômico no estado.

O orgulho dos artistas

Entre os participantes da exposição, o mestre Nen, da Barra de Santo Antônio, destaca o significado da experiência. “Ver uma peça criada dentro da minha comunidade atravessando o oceano e chegando a Milão foi uma mistura muito forte de emoção, orgulho e pertencimento. É como se cada história, cada pessoa e cada detalhe do lugar de onde eu venho estivessem sendo levados junto comigo para o mundo. Por isso, não foi só uma conquista pessoal, mas uma conquista coletiva”, celebra.

Foto: Ascom/Serfi

Também integrante da exposição, Nena da Capela menciona que o trabalho tem um papel importante para a economia da região. “O artesanato gera renda para os artesãos e para outras pessoas. Por exemplo: para poder chegar ao ponto do barro que eu uso, é preciso um quebrador de barro, que também ganha sua renda. Eu, enquanto artesã, tenho várias pessoas por trás de mim que também são beneficiadas com o meu trabalho.”

Ela acrescenta que vê como diferencial do artesanato alagoano a conexão com as raízes do estado. “No barro, eu conto um pouco do que estou sentindo no momento em que crio as obras e, além disso, conto um pouco da história da minha cidade e do meu estado, com as brincadeiras, danças e folguedos”, afirma.

Para o mestre Nen, a transmissão do conhecimento entre gerações é também um grande trunfo das produções do estado. “O que mais encantou os visitantes internacionais foi justamente essa autenticidade: a alma coletiva que existe em cada peça. Não é apenas um objeto bonito, mas também história viva, identidade e território transformados em arte pelas mãos de quem carrega saberes passados de geração em geração.”

O que vem depois

Após o sucesso da exposição “Alagoas Plural”, a expectativa é que os artesãos colham frutos diretos das conexões estabelecidas no evento, como aponta o mestre Nen. “A visibilidade internacional abriu portas importantes, trazendo novos contatos com designers, curadores, lojistas e pessoas interessadas em conhecer mais profundamente o artesanato produzido em Alagoas. Surgiram conversas sobre parcerias, possíveis exposições futuras e oportunidades de levar as peças para outros mercados.”

Foto: Ascom/Serfi

Júlia Caroá destaca que o programa Alagoas Feita à Mão seguirá acompanhando de perto os trabalhos desenvolvidos no estado, visando fortalecer a cadeia produtiva local. “O próximo passo é capacitar ainda mais os artesãos por meio do programa. A intenção é melhorar a produção, a organização, os preços e a logística, para que consigam atender a pedidos, inclusive de fora do Brasil, com qualidade. A expectativa é aumentar a renda, porque as peças passam a ter mais valor e alcançam novos mercados.”

Com a presença em Milão, Alagoas amplia sua visibilidade no cenário global e reforça o papel do artesanato como expressão cultural e motor da economia criativa, ampliando o interesse pelas obras dentro e fora do estado.

“Essa oportunidade ajuda a valorizar o trabalho artesanal dentro de Alagoas, porque mostra, de forma concreta, que aquilo que nasce nas nossas comunidades tem valor no mundo inteiro. Quando o artesanato alagoano ocupa espaços internacionais, ele deixa de ser visto apenas como algo local ou turístico e passa a ser reconhecido como design, cultura e patrimônio vivo. Isso fortalece a nossa autoestima enquanto artesãos e artesãs”, finaliza o mestre Nen.

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