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24 de maio de 2024 17:40

Banco do Nordeste financia primeira usina alagoana de energia elétrica por biogás oriundo do metano do lixo

Banco do Nordeste financia primeira usina alagoana de energia elétrica por biogás oriundo do metano do lixo

Por meio da linha FNE Verde, o financiamento possibilitou a aquisição de equipamentos e infraestrutura para viabilização da usina, que será inaugurada no dia 17

Por Ascom/BNB

A partir da próxima quinta-feira (17), entrará em funcionamento a primeira usina alagoana de geração de energia elétrica por biogás oriundo do metano, gás produzido no processo de decomposição do lixo. O projeto, da Alagoas Ambiental, amplia a atuação do empreendimento, que já transforma o chorume em água limpa e a metralha em material nobre de construção civil. Pela parceria com o Banco do Nordeste, a empresa apostou no FNE Verde, linha do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste destinada a investimentos ambientalmente sustentáveis, para diversificar e modernizar seu trabalho. A usina está implantada no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Metropolitana, localizado no município de Pilar, e tem capacidade para gerar um megawatt/hora de energia, suficientes para suprir a rede elétrica de cinco mil unidades residenciais.

“Podemos considerar essa usina um marco para as ações empresariais que primam pela visão da sustentabilidade e responsabilidade socioambiental nos negócios. Produzir energia elétrica por meio do gás gerado pelo lixo estimula a cultura de uso da energia limpa, beneficia o meio ambiente, reduz custos de processos produtivos e mostra as vantagens da produção sustentável”, destaca o superintendente Estadual do BNB em Alagoas, Sidinei Reis. Ele ressalta ainda o crescimento dos contratos realizados com o Banco, no Estado, para financiamentos com recursos do FNE Verde, que foi de 78%, ano passado, em relação a 2020.

Biogás

De acordo com Tarcísio Neto, um dos administradores da Alagoas Ambiental, a energia elétrica produzida será lançada na rede de distribuição da Equatorial, permitindo descontos de até 12% na conta de quem utilizar a fonte do biogás. “Diferente do que ocorre com a energia solar, o usuário não precisa realizar nenhum investimento na aquisição de equipamentos. A energia será gerada na usina do CTR do Pilar e comercializada pelo sistema de compensação na rede da Equatorial. Para essa parte da comercialização, fizemos uma parceria com o Grupo Gera, que tem vasta experiência nessa área”, esclarece.

O gestor, que é neto do sócio presidente da empresa e idealizador do projeto, ressalta também o ganho ambiental que a usina proporcionará: são mais de 600 toneladas de CO² por ano que deixarão de ser lançadas no meio ambiente, colaborando para redução da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa e alterações climáticas. Em decorrência da diminuição desse poluente, a empresa pretende adquirir créditos de carbono, uma espécie de moeda de troca para quem reduz a emissão do gás carbônico na atmosfera, que pode ser comercializada com países que têm metas a cumprir, nessa seara ambiental.

Sustentabilidade

A Alagoas Ambiental é pioneira também, no estado, na transformação do chorume produzido pela decomposição do lixo em água limpa. O processo ocorre nos CTRs de Craíbas (outra unidade da empresa) e de Pilar. As máquinas necessárias para isso são de tecnologia alemã e também foram adquiridas por meio do crédito verde do BNB. “O Banco é nosso maior parceiro; a gente sonha junto e o Banco do Nordeste ajuda a realizar”, enfatiza Tarcísio. Ele fala, com orgulho, da história da empresa e do aspecto visionário do avô, que, quando teve a ideia de montar um empreendimento de tratamento de resíduos do lixo, nos idos de 2015, foi desacreditado por muitas pessoas. No entanto, a parir de 2018, com o fechamento dos lixões, seu projeto passou a ser uma das únicas opções de prefeituras e empresários para a destinação correta dos resíduos.

Atualmente, as duas unidades geram 160 empregos diretos e atendem 71 municípios alagoanos, além do setor produtivo privado, e recebem, juntas, cerca de 1.450 toneladas/dia de resíduos de todos os tipos, incluindo os oriundos da área de saúde, que precisam de especificidade maior de tratamento, como esterilização e incineração. Outro CTR está em construção na cidade de Delmiro Gouveia, com previsão de inauguração para esse ano ainda.

Ao mostrar a lagoa de água limpa, fruto da transformação do chorume, o neto do idealizador do projeto, repete uma frase inspirada no slogan da empresa: “transformamos lixo em vida”. E, de fato, são cerca de 200 m³/dia de chorume que, livre de impurezas, por meio de um processo chamado de osmose reversa, abastece uma lagoa de 9.000 m³ para criação de peixes.

O investimento em sustentabilidade não para por aí. Também com apoio do BNB, foi possível a construção de uma usina de reciclagem da construção civil, em que metralha se transforma em brita, de até sete granulações, areia, entre outros produtos que são reintroduzidos na cadeia produtiva.

A empresa possui ainda uma área destinada à educação ambiental, com horta, pomar, mudário, criação de pequenos animais e auditório para atendimento de escolas e cetros educacionais.

FNE Verde

Ano passado, no âmbito do FNE Verde, voltado para o desenvolvimento de empreendimentos e atividades econômicas que propiciem a preservação, conservação, controle e recuperação do meio ambiente, com foco na sustentabilidade e competitividade das empresas e cadeias produtivas, o Banco contratou, em Alagoas, R$ 36 milhões em 219 operações de crédito. Do total, R$ 6,4 milhões foram destinados à projetos de energia solar por pessoas físicas.

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