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1 de março de 2024 20:02

Brasil tem potencial para liderar transição energética com produção de gás

Brasil tem potencial para liderar transição energética com produção de gás

Maceió é palco de discussões sobre o mercado de energias renováveis na Onshore Week

Painel de abertura da Onshore Week 2023, em Maceió. Foto: Divulgação.

Por Kamilla Abely

“A humanidade precisa de uma transição energética, é uma urgência imediata”. A exortação foi feita nesta manhã pelo vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, André Clark, durante o evento Onshore Week 2023, em Maceió.

A capital alagoana é sede de debates até a próxima quinta-feira, no Jatiúca Hotel & Resort sobre os principais assuntos relacionados ao potencial da indústria de petróleo e gás no Nordeste e no Brasil. 

Traçando um panorama mundial sobre o problema da dependência energética e da necessidade de sustentabilidade no estilo de vida da sociedade, Clark destacou que “o Brasil é parte da solução e o [investimento em] gás natural é um grande passo para a transição energética. Nesse processo, a palavra-chave é convergência, ou seja, todas as fontes juntas trabalhando para a descarbonização do planeta”.

A opinião do executivo ancora-se na análise sobre a necessidade de impulsionar investimentos do setor de óleo e gás, incluindo as operações terrestres – foco do evento em Maceió, promovido pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), com patrocínio master da Origem Energia.

Para Clark, o Brasil segue uma trajetória singular e está à frente de outros países porque, frente à necessária diversificação da matriz energética, conta com água, alimento e é autossuficiente: “o Brasil será o quinto maior exportador de petróleo no planeta nos próximos anos, pronto para prover essa energia também para o mundo”, avaliou.  

Desafios da produção onshore

Para Karine Fragoso, presidente da ONIP, o potencial de produção de gás e petróleo em bacias terrestres ainda é pouco explorado no país, representando apenas 6% do total nacional.

Fragoso é otimista: “Temos uma nova cultura sendo inserida nesse mercado mais restrito do óleo e do gás, mas quando a gente amplia para o mercado energético, acreditamos muito no potencial das empresas que estão no onshore brasileiro e que estão fazendo a diferença”.

Segundo a executiva, a escolha de Alagoas como palco da discussão sobre o segmento deve-se porque o estado é exemplo concreto do potencial da produção de óleo e seus derivados. Mas Fragoso também argumenta que falta conhecimento mais amplo sobre a riqueza e as potencialidades brasileiras não só em relação ao óleo e gás, mas também a outros minerais que registram forte demanda mundial. “Nesse sentido, temos certeza que o Brasil ainda vai ocupar uma posição de bastante destaque nessas produções”, complementou. 

O mercado brasileiro de produção de petróleo e gás natural terrestre evidencia tendência de crescimento, a ponto de já ter R$ 40 bilhões em investimentos previstos no pipeline até 2029.

Em Alagoas, a empresa Origem Energia, que comprou o Polo da Petrobras, alcançou produção de 1 milhão e 200 mil metros cúbicos de gás por dia e, com investimento de  US$ 70 milhões, está na direção para se tornar o maior armazenador de gás natural do País. O município de Pilar, na região metropolitana de Maceió e onde a Origem opera sua principal estação de gás no estado, pode tornar-se o principal centro de distribuição de gás natural no Nordeste brasileiro.

Desenvolvimento

Por isso, vários governadores foram convidados para a discussão na Onshore Week 2023, que promete colocar em pauta os aspectos regulatórios da indústria. Para o governador de Alagoas, Paulo Dantas, esse debate é indispensável em função do potencial do setor para toda a região nordestina. 

“A gente tem todas as condições de contribuir com o crescimento econômico e social do nosso estado e do Nordeste. Momentos como esse criam as condições adequadas para integrarmos o setor energético e nos conectarmos, buscando inovação e atraindo investimentos”, destacou Dantas, na abertura do evento. A expectativa dele é a de que Alagoas tenha a capacidade de dobrar a atual produção nos próximos anos”.

O governador Paulo Dantas, de Alagoas, projeta expectativa de dobrar produção de gás no estado. Foto: Tallyta Marques.

 

O governador também realçou o esforço conjunto realizado pela Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas (Sefaz-AL) e pela Origem Energia, que assumiu papel central nessa indústria em Alagoas. De acordo com ele, o governo e seus técnicos fazendários mobilizaram condições regulatórias para que a empresa assumisse as antigas operações da Petrobras e vislumbrasse potencial de retorno para os investimento realizados. “A partir disso, as operações da Origem permitiram ampliar em quatro vezes o valor que era produzido pela Petrobras, gerando oportunidades de empregos e renda no nosso estado.”.

De acordo com o CEO da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, a atividade da empresa em Alagoas continuará a fazer do estado um dos principais centros de energia do Nordeste. “Temos a oportunidade de estar aqui em uma das regiões talvez mais carentes de investimento no Brasil e construir políticas públicas para descentralizar a produção energética, evitando uma concentração dos estados mais ricos, é fundamental para promover o desenvolvimento nacional de forma mais homogênea”, avaliou Coutinho. Segundo ele, a produção de gás natural é crucial nesse processo.

Sobre o evento

A Onshore Week 2023 é um evento realizado nos dias 11, 12 e 13 de abril, em Maceió, pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), com patrocínio master da Origem Energia. O evento tem como objetivo promover debates sobre a indústria de petróleo e gás no Brasil, contando com a presença de lideranças do setor, especialistas e representantes de instituições públicas, além de uma rodada de negócios promovida entre os demandantes e fornecedores, criando uma agenda de encontros e troca de experiências.

O evento conta com o apoio institucional da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Associação Brasileira das Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás (ABPIP), Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Eneva, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) local, Prefeitura de Pilar e governo do Estado de Alagoas. Além da Origem Energia, o evento tem patrocínios da Algás, Petroreconcavo, 3R Petroleum, Seacrest, Vallourec e Perbras.

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