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2 de março de 2024 00:44

Conexão ODS fortalece startups nordestinas comprometidas com a sustentabilidade

Conexão ODS fortalece startups nordestinas comprometidas com a sustentabilidade

Evento em Fortaleza premia empreendimentos da região que abraçam os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Nos dias 19, 20 e 21 de outubro, o Pacto Global da ONU no Brasil realizou o evento “Conexão ODS” em Fortaleza, que trouxe à tona discussões cruciais relacionadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. O evento enfatizou questões sociais, ambientais e de governança nas empresas, enquanto debatia estratégias para avançar no âmbito do impacto social.

Conexão ODS

Durante o evento, o “Desafio Inovação com Impacto” premiou duas startups nordestinas com grants financeiros. A competição selecionou oito negócios da região Norte-Nordeste, todos focados em solucionar desafios ambientais e sociais, alinhados às políticas ESG (ambiental, social e governamental). Entre os vencedores estavam a EcoCiclo e a AfroSaúde, ambas sediadas em Salvador, Bahia, e direcionadas a atender a população negra e periférica.

Os oito negócios participantes provinham exclusivamente da região Nordeste, com quatro deles sediados na Bahia, dois no Rio Grande do Norte, um no Ceará e um em Pernambuco. Cada empresa teve a oportunidade de apresentar seu projeto e relevância, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), em pitches curtos, com duração de três a cinco minutos.

Os empreendimentos selecionados receberam um investimento de R$ 50 mil cada para impulsionar suas iniciativas. O “Desafio Inovação com Impacto” foi uma colaboração entre a Somos Um e o Pacto Global da ONU, alinhando-se com as metas dos ODS.

Dignidade menstrual

Uma das startups laureadas foi a EcoCiclo, fundada em 2018 no programa ProLíder do Instituto Four. A empresa se dedica à fabricação de absorventes biodegradáveis, produzidos por mulheres em situação de vulnerabilidade.

A EcoCiclo está comprometida em combater a chamada “pobreza menstrual”, que afeta uma em cada quatro meninas no Brasil, levando a uma perda de, pelo menos, 45 dias de aula, conforme dados da UNICEF. Além do impacto social, a iniciativa contribui para a sustentabilidade ambiental ao substituir absorventes convencionais que levam 500 anos para se decompor.

Os resultados da EcoCiclo em 2023 incluem:

  • Geração de renda para mais de 50 mulheres.
  • Impacto positivo em mais de 3,1 mil mulheres.
  • Venda de mais de 1 mil absorventes.
  • Atendimento a seis empresas.

A liderança da EcoCiclo permanece nas mãos das três fundadoras: Hellen Nzinga, CEO da startup; Adriele Menezes, diretora operacional e engenheira química; e Patrícia Zanella, diretora de marketing. Durante sua participação em Fortaleza, elas ressaltaram a relevância de um evento de tal magnitude realizado fora do eixo Sul-Sudeste.

Hellen Nzinga enfatizou a importância de ganhar esse prêmio, especialmente por se tratar de um evento no Nordeste voltado aos ODS da ONU. Destacou a oportunidade de apresentar o trabalho da EcoCiclo e abordar a questão dos absorventes de plástico, que afetam a vida e a saúde das mulheres e pessoas que menstruam no Brasil.

A utilização de mão de obra de mulheres da periferia de Salvador para a produção dos absorventes não só gera renda, como também proporciona oportunidades de emprego em um mercado com escassez de alternativas formais, conforme observou Adriele Menezes. Ela acrescentou que o objetivo da EcoCiclo é empoderar financeiramente essas mulheres e promover a educação e o autocuidado.

Patrícia Zanella explicou que a escolha de absorventes biodegradáveis produzidos por mulheres periféricas foi intencional. As três fundadoras da startup vêm de comunidades em Salvador e desejam melhorar a realidade de outras pessoas por meio dessa iniciativa.

Saúde de qualidade para a população negra

Outra startup premiada, a AfroSaúde, coloca o público afro-brasileiro como protagonista. Fundada em 2018 por Igor Leo Rocha e Arthur Lima, a empresa enxerga a falta de representatividade no sistema de saúde tradicional como uma oportunidade para oferecer atendimento de qualidade a essa parcela da população.

A AfroSaúde surgiu das experiências pessoais dos fundadores, que perceberam desafios tanto para profissionais de saúde quanto para pacientes, especialmente no acesso a profissionais negros para tratar de questões relacionadas à raça. A falta de diversidade no mercado de trabalho para pessoas negras na área da saúde também foi um fator motivador.

Em quatro anos, a AfroSaúde conquistou os seguintes números:

  • Mais de 7 mil clientes cadastrados na plataforma.
  • Mais de 1,8 mil profissionais atendendo.
  • Realização de mais de 3 mil consultas.
  • Oferta de mais de 1 mil atendimentos de saúde mental em empresas.

Grandes empresas, como Mondelez, Nubank, Amil (Grupo UGH), 99jobs, Google for Startups e BASF, contam entre os clientes da AfroSaúde, conforme informações disponíveis em seu site.

Com o prêmio de R$ 50 mil do Desafio Inovação com Impacto, a startup planeja expandir exponencialmente até 2030, concentrando-se na promoção da saúde mental dos funcionários de empresas, por meio de atendimento personalizado e acessível.

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