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11 de março de 2026 07:02

Embrapa leva tecnologia integrada de produção a comunidades vulneráveis a municípios nordestinos

Embrapa leva tecnologia integrada de produção a comunidades vulneráveis a municípios nordestinos

Parceria com o MDS prevê instalação de 300 Sisteminhas beneficiando famílias em situação de insegurança alimentar
Foto: Roberta Aline

A Embrapa e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) uniram forças para levar inovação tecnológica à mesa de famílias vulneráveis em todo o Brasil. No último dia 5, foi inaugurada uma Unidade Demonstrativa do Sisteminha Comunidades no Quilombo Mimbó, em Amarante (PI), com a presença dos ministros Wellington Dias e Guilherme Boulos. O evento marcou mais uma etapa de uma parceria que movimenta quase R$ 11 milhões para instalar 300 unidades da tecnologia em 20 municípios de 12 estados.

O Sisteminha é uma solução de produção integrada que combina, em pequenos espaços, criação de peixes, galinhas, compostagem, minhocário e cultivo vegetal. O sistema funciona em ciclo fechado: os resíduos dos peixes irrigam as plantas, os dejetos alimentam as minhocas, que produzem húmus para adubo. O resultado é um sistema agroecológico eficiente, sem agrotóxicos, adaptável a realidades rurais, urbanas e periurbanas.

O impacto econômico é expressivo. Segundo o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim, a cada R$ 100 investidos no Sisteminha, a família amplia em até três vezes sua capacidade de aquisição de alimentos. “Se a dona de casa fosse comprar a mesma quantidade no mercado, precisaria de quase R$ 300”, explica. Além da eficiência produtiva, a tecnologia gera autonomia: as famílias decidem o destino da produção e comercializam o excedente.

A estratégia de escalamento aposta em organizações da sociedade civil como multiplicadoras da tecnologia. Um edital lançado em fevereiro prevê a implantação de 29 unidades nos municípios de Ananindeua (PA) e Vitória da Conquista (BA), com contratação de entidades especializadas em desenvolvimento rural e agricultura urbana. A ideia é formar uma rede autônoma capaz de expandir o Sisteminha de forma independente da Embrapa.

Para além da produção de alimentos, o modelo fortalece o tecido social das comunidades. No Quilombo São Martim, em Paulistana (PI), a chegada do Sisteminha estimulou o diálogo coletivo, a troca de alimentos entre vizinhos e a compra compartilhada de insumos. “A tecnologia passa a ser um elo de conexão das pessoas”, destaca Bomfim.

A iniciativa está alinhada ao Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana e contribui diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável voltados ao combate à fome e à pobreza — pilares centrais da agenda federal de segurança alimentar.

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