Chacrinha, o eterno Velho Guerreiro, cunhou a frase “Quem não se comunica, se trumbica”. Por um olhar publicitário, podemos dizer que essa foi uma forma irreverente de um dos grandes comunicadores de massa do Brasil traduzir a importância da presença das marcas na vida das pessoas. Hoje, ao ver a disseminação dos conteúdos através das mais diversas plataformas e linguagens, relembro aquela figura carismática da televisão brasileira e penso no quão gigantesco e desafiador é para as marcas disputarem espaço nas mentes e nos corações das pessoas. E reforço a ideia de que mídia é cerco. E para cercar é preciso estratégia, conhecimento, pesquisa e ação.

 

De acordo com matéria publicada pela Meio&Mensagem, a pesquisa CENP-Meios, de monitoramento dos investimentos em mídia realizado com base na informação prestada pelas agências de publicidade do país ao Conselho Executivo das Normas-Padrão (CENP), apontou uma movimentação total de R$ 7,366 bilhões em compra de mídia no primeiro semestre de 2021. Entre vários dados relevantes, destacamos a diversificação crescente dos investimentos em publicidade, o que nos leva a pensar que a ideia de chegar de forma mais consistente até os clientes e prospects tem sido trabalhada de forma cada vez mais ativa pelas agências e anunciantes.

 

De acordo com o CENP-Meios, que analisou dados de 234 agências brasileiras, a TV aberta mantém a liderança dos investimentos com 52,9% das verbas, um pouco abaixo da pesquisa anterior que marcava 55%, mas reforçando a ideia de que as mudanças nos hábitos de consumo de mídia não acontecem da noite para o dia. Como já era esperado, ainda mais após o início da pandemia, quando os negócios digitais aceleraram, os investimentos no on-line foram os que mais cresceram, chegando à marca de 28% do bolo publicitário. É importante ressaltar que uma das características do on-line é mesmo “apertar” esse cerco ao cliente. Outro destaque da pesquisa fica por conta da mídia out of home, que somou 7,2% de participação, ultrapassando a TV paga (5,2%), o rádio (3,9%) e o jornal (1,9%).

 

Outro ponto a se destacar é o crescimento em números absolutos dos investimentos em publicidade. Aliás, esse crescimento está diretamente atrelado à confiança dos mercados na economia e na capacidade de recuperação do poder de consumo pós-pandemia. Enfim, voltando ao nosso ícone dos programas de auditório, acreditar na comunicação de qualidade, estratégica e focada em resultados continua sendo o melhor caminho para construir e fortalecer marcas. E quem não acreditar nisso e continuar pensando que comunicação é gasto, e não investimento, merece uma bela buzinada do Velho Guerreiro.