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21 de fevereiro de 2024 19:12

EXCLUSIVO: Crescimento no e-commerce amplia investimentos logísticos no Nordeste

EXCLUSIVO: Crescimento no e-commerce amplia investimentos logísticos no Nordeste

Grandes players reforçam estrutura de logística na região
Centro de Distribuição da Natura em Murici (AL). Crédito: Divulgação

Por Ana Clara Rangel 

Especial para o Investindo por Aí

Já não é segredo que o e-commerce brasileiro sofreu um forte impulso durante a pandemia. Apenas para registrar o crescimento em números, o estudo da Neotrust, que monitora 85% de todo o setor, indicou recordes de crescimento nas vendas em plataformas digitais em 2021. Em comparação com 2020, primeiro ano da pandemia, o aumento em 2021 foi de 26,9%, batendo a marca de 353 milhões de entregas a um ticket médio 8,6% maior.

O crescimento no número de pedidos seguiu em 2022 e o faturamento total do e-commerce no primeiro semestre chegou a R$ 78 bilhões, ainda de acordo com a Neotrust. O que se verifica agora é que o valor gasto no varejo eletrônico cai em função do menor poder de compra do brasileiro.

Enquanto a queda no faturamento geral se acentua no Sudeste (que domina o setor), o movimento inverso ocorre em regiões como Nordeste e Norte do Brasil. Em termos gerais, compras de itens de telefonia, eletrodomésticos e eletrônicos dominam em volume de receitas no e-commerce, mas produtos de moda, beleza e saúde respondem pelo maior número de pedidos.

Em 2021, as compras on-line registradas no Nordeste cresceram 3,5 pontos percentuais, respondendo a 15,1% das encomendas no ano passado. Na região, as redes varejistas estão adotando estratégias de investimento na expansão de Centros de Distribuição (CDs) para dar conta de uma demanda em expansão.

Um dos principais atrativos para novos investimentos em CDs na região é a localização de Recife (PE), muito próxima de um dos principais portos do País, o de Suape, conectado a uma extensa malha rodoviária por meio da BR-101 e da BR-232. O governo do Estado de Pernambuco tem um programa especial para reunir incentivos fiscais para os centros de distribuição, varejistas importadores e indústrias, além de conceder suporte como a oferta de terrenos próprios através de venda subsidiada e apoio de infraestrutura.

Fortaleza, a capital cearense, também é tida como uma cidade-chave. Segundo levantamento realizado pela plataforma de e-commerce da América Latina Nuvemshop, o Ceará apresentou alta nas vendas on-line durante o primeiro trimestre deste ano. Empresas de pequeno e médio porte faturaram cerca de 34% a mais com as vendas on-line no primeiro trimestre de 2022 quando comparado com o mesmo período de 2021.

Além disso, uma análise da Nuvemshop com empreendedores dentro da base de mais de 90 mil lojistas cadastrados na plataforma, o Estado aparece em 4º lugar no ranking nacional do e-commerce, com quase 830 mil produtos vendidos online nos primeiros meses do ano.

De acordo com Alexandre Crivello, diretor de inteligência de mercado da Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABComm), qualquer investimento em varejo on-line demanda conhecimento cuidadoso sobre o PIB dos Estados e de cada região brasileira. Para ele, o auxílio emergencial pago pelo governo federal durante a pandemia pode ter favorecido para que as vendas on-line tenham aumentado na região.

Grandes agentes

A empresa Madeira Madeira inaugurou em 2021 um estoque de armazenagem em Cabo de Santo Agostinho (PE). O CEO Daniel Scandian afirmou que a expectativa é dobrar as vendas e aumentar o market share da empresa na região, além de reduzir pela metade o custo com frete no Nordeste.

A Amazon, o maior player mundial de e-commerce, inaugurou também no ano passado o centro de distribuição em Itaitinga, região metropolitana de Fortaleza. A empresa ainda tem planos para abertura de mais um CD no Ceará e também investiu em outro em Cabo de Santo Agostinho.

Em 2022, a Amazon lançou um plano de entregas de até um dia para dez cidades do Ceará. A entrega não terá um valor mínimo para compra e está destinada a clientes Amazon Prime. O serviço já havia sido lançado em 2021 e foi expandido para mais cidades, incluindo municípios de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e São Paulo.

Amazon reforça posição em Pernambuco. Crédito: Divulgação.

Em 2023 será a vez de Magazine Luiza investir mais na logística no Nordeste para expandir suas operações regionais, onde está concentrado 30% de seu faturamento. Neste ano, a Magalu expandiu seus centros para Belém, Fortaleza, Teresina e Candeias.

A Via Varejo, responsável pelas operações das lojas Casas Bahia e Ponto, utiliza a estratégia dos mini-hubs, usando suas 500 lojas físicas como apoio logístico. A Via possui 11 CDs no Nordeste – e um dos principais, em Maracanaú, no Ceará, dobrou de tamanho recentemente.

O Mercado Livre e a Gol também anunciaram um acordo que visa reduzir o tempo de entrega do e-commerce, em especial para as regiões Norte e Nordeste. Esse acordo é parte do investimento de R$ 17 bilhões anunciado pela empresa argentina e deve triplicar o volume de entregas por via aérea no País. Já para a Gol, o benefício é acrescentar R$ 100 milhões em faturamento no transporte de cargos ainda em 2022, com potencial de alcançar R$ 1 bilhão em cinco anos.

CD do Mercado Livre na Bahia. Crédito: Divulgação

A parceria irá resultar na diminuição do tempo de entrega para as regiões. Em Fortaleza, São Luís, Teresina, Recife, Natal, João Pessoa e Salvador, a entrega via Gol de compras feitas no super marketplace Mercado Livre poderá passar de quatro para até dois 2 dias.

Em Alagoas, a Natura&Co lançou um dos maiores CDs da empresa, com sede no município de Murici, com capacidade para gerenciar cerca de 3,3 mil pedidos das marcas Natura e Avon destinados a toda a região Nordeste e para o Norte do Brasil. O acesso rodoviário para os diferentes estados dessas regiões a partir de Murici foi um dos principais elementos de decisão da empresa para investir cerca de R$ 115 milhões no CD.

Logística

Apesar dos investimentos recentes e dos próximos que já foram anunciados pelos grandes players do mercado varejista, a questão logística ainda é um grande gargalo a ser melhorado no Nordeste. Com estradas e portos precários, investidores se ressantem da falta de segurança, dos custos de transporte e das distâncias muito longas a serem percorridas entre os diferentes centros consumidores.

Em 2022, a alta no preço dos combustíveis tornou-se um fator adicional que poderá ser prejudicial ao crescimento nordestino do mercado perante a expectativa. Espera-se que os custos de logística sejam agora amortecidos com as mudanças de cálculo de cobrança de ICMS sobre combustíveis nos estados.

As regiões Sul e Sudeste ainda levam vantagem no preço do frete principalmente em produtos maiores, como eletrodomésticos e alguns eletrônicos.

“Essas mercadorias possuem o ticket mais alto do e-commerce, girando em torno de R$ 1.000,00 e R$ 1.300,00 e chegam mais caros no Nordeste em função do custo de transporte, diminuindo o ticket médio e fazendo com que as pessoas comprem produtos de menor volume, como perfumaria e beleza – itens que crescem bastante em preferência na região” comentou Alexandre Crivello, da ABComm. 

A FedEx, que possui uma longa história no Nordeste, veio reforçando sua posição desde 2012 com a aquisição do Rapidão Cometa, empresa de Recife. A partir de então, assumiu uma posição como empresa completa de transporte e logística na região. A transportadora opera em sete dos nove Estados nordestinos, possuindo 19 filiais e 18 pontos de atendimento para garantir a operacionalidade da cadeia logística. No Brasil, o número de filiais chega a cem e os Centros Logísticos somam 40. No semestre passado, a filial de Recife foi aprimorada, aumentando a capacidade de processamento em 150%. Se antes a empresa separava simultaneamente os pacotes para 30 rotas, agora ampliou para 130.

Para a FedEx, o e-commerce é um dos pilares de crescimento em todo o mundo. No Brasil é uma das prioridades operacionais. A empresa vem investindo no aprimoramento da estrutura e do portfólio de produtos para atender à crescente e diversificada demanda de clientes, segundo Rômulo Silva Maranhão, diretor administrativo das operações FedEx Express no Nordeste.

Falar em e-commerce é pensar também nos pequenos e médios empreendedores (PMEs). De acordo com a NuvemShop, as PMEs brasileiras faturaram 34% em vendas on-line no primeiro trimestre de 2022 em comparação com o mesmo período de 2021.  “É uma parte importantíssima do nosso negócio e ao qual nos dedicamos a apoiar e promover”, comentou Rômulo.

No Nordeste, foi implantado o projeto Hub & Spoke em 2020, conceito mundialmente utilizado de operações por meio de hubs, em que cada um atende ao conjunto de estações estrategicamente localizadas e com frequências regulares definidas pelo Departamento de Engenharia da FedEx. Os hubs da empresa estão localizados em Feira de Santana (BA), Recife (PE) e em Fortaleza (CE), e são interconectados com os de São Paulo e Campinas.

“A FedEx acredita muito na região nordestina. É a segunda mais populosa do país e com o impulsionamento de e-commerce e o potencial do Nordeste nesse cenário, esperamos poder crescer ainda mais”, afirmou Rômulo Silva.

Projeções para 2022

As varejistas estão investindo no longo prazo, com expectativas de que a região continue em crescimento. De acordo com Alexandre Crivello, da ABComm, o Nordeste deve fechar o ano com crescimento em 15% no balanço de vendas on-line, aumentando mais um ponto percentual na participação do faturamento nacional.

Pelo investimento que vem sendo feito no Nordeste, a tendencia é que as operações e-commerce e as vendas continuem a tendência de alta. A tomar como base o aumento do setor dos últimos cinco anos, o faturamento do e-commerce na região passou de R$ 7 bilhões para R$ 21 bilhões anuais. A expectativa para o Nordeste e para todo o Brasil é de mais estabilidade nos números a partir do arrefecimento da pandemia e do retorno do comércio físico, segundo plataformas como a Nuvemshop, que agrega várias lojas on-line especialmente de pequenos e médios lojistas.

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