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2 de março de 2024 03:25

EXCLUSIVO: e-commerce mantém investimentos em logística no Nordeste durante a crise

EXCLUSIVO: e-commerce mantém investimentos em logística no Nordeste durante a crise

Especialistas apostam no crescimento e expansão dos investimentos em logística na região

 

Por Kristhian Kaminski
Para Investindo Por Aí

As sucessivas crises econômicas que o Brasil enfrentou desde 2015, agravadas pela pandemia da COVID-19 que impactou o País a partir de 2020, trouxe severos impactos a praticamente todos os setores da economia brasileira. A região Nordeste, que vinha num crescimento acelerado em termos de investimento em logística entre os anos de 2008 e 2014 foi uma das que mais sentiu esse efeito.

Segundo André Pimentel, Managing Partner da Performa Partners, consultoria focada em processos de reestruturação, turnarounds operacionais e financeiros, bem como em projetos de melhoria de desempenho, dois aspectos são fundamentais para avaliar onde se investir em logística. O primeiro é a demanda do público consumidor. O segundo é a carência de infraestrutura. A região Nordeste, antes da crise, reunia essas duas características. “Ninguém investe num local que não tem potencial e, portanto, o Sudeste sempre foi prioridade pelo tamanho do mercado consumidor, demanda, concentração de empresas e tamanho do PIB. Mas o Nordeste começou a apresentar um potencial muito grande do ponto de vista do consumo e da necessidade de uma infraestrutura para atender essa demanda”, afirma Pimentel.

Não fosse a crise, diz Pimentel, o Nordeste estaria em uma onda extremamente positiva de crescimento. Segundo ele, em primeiro lugar, as empresas investem em centros de distribuição para darem mais agilidade às entregas aos consumidores. Em uma etapa seguinte, montam fábricas na região, como os setores de bebidas ou alimentos, para produzirem mais perto do mercado consumidor. O terceiro movimento é a instalação de fabricantes de insumos para essas indústrias.

Esse processo se confirmou no Nordeste, mas em velocidade menor do que poderia ocorrer. Por alguns motivos. Algumas regiões do Nordeste ainda são muito carentes de infraestrutura básica, como a rodoviária. “O lado positivo da história é que muitas empresas começaram a perceber que precisavam criar hubs de armazenamento para minimizar seus prazos de entrega e começaram a investir na região para atender o fluxo de compras”, analisa Pimentel.

 

Foco em agilidade

Para ele, durante a crise, enquanto o crescimento dos investimentos em logística no Nordeste ficou dependente de projetos vinculados a negócios bastante específicos, o e-commerce exerceu um papel fundamental para manter as apostas ativas na região. Exemplo disso foi a Amazon, que inaugurou um centro de distribuição de 41 mil m² em Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. No lançamento do empreendimento, o diretor de operações da Amazon no Brasil, Ricardo Pagani, reforçou a importância do Nordeste para as operações da companhia, motivando a inauguração da segunda unidade em Pernambuco.

Outra empresa que tem apostado fortemente no Nordeste é a Via, controladora das empresas Casas Bahia, Ponto (nova denominação do Ponto Frio) e Extra.com.br. Durante a pandemia, a empresa foi uma das que mais investiu na transformação do varejo tradicional para o e-commerce. Segundo a empresa informou ao portal Investindo por Aí, hoje a empresa tem 30 centros de distribuição espalhados pelo país, sendo dez deles localizados no Nordeste – nos estados Bahia, Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Ceará, Pernambuco e Piauí. Como mencionou Pimentel, da Performa Partners, a estratégia dos projetos do setor é a busca de agilidade na entrega de produtos. Hoje, a Via faz as entregas dos pedidos no mesmo dia em 65 cidades e, no prazo de 24h, em 2,5 mil cidades.

Em 2021, 90 unidades da Casas Bahia foram inauguradas nas regiões Norte e Nordeste. As lojas físicas são pontos estratégicos para levar o comércio eletrônico a todo o país. Elas funcionam como uma extensão do e-commerce e fornecem apoio logístico para que as mercadorias cheguem ainda mais rápido até o cliente – seja por meio da entrega de última milha ou pela opção “Retira Rápido”, na qual o consumidor pode buscar o produto no balcão da loja.

Em maio de 2021, a Via finalizou a expansão de 60% do Centro de Distribuição do Ceará, localizado em Maracanaú (região metropolitana de Fortaleza), passando para 21 mil m².

Com o CD do Ceará, a Via melhora o atendimento ao cliente local, com disponibilidade de produtos perto de grandes centros, reduzindo custos e ganhando mais velocidade nas entregas. Nos próximos anos, essa unidade deve crescer ainda mais, chegando a 35 mil m², pois o Ceará será um ponto estratégico para a logística da Via no Norte e Nordeste. Além disso, os dois CDs da Bahia, localizados em Camaçari, somam juntos 70 mil m².

Outro exemplo de expansão no Nordeste é a Natura. Preocupada em alcançar a meta estratégica da empresa em reduzir o prazo médio de entrega de seus produtos, a gigante de cosméticos confirmou em 2020 o investimento em um centro de distribuição em Alagoas, no município de Murici (a 56 quilômetros da capital, Maceió), com previsão para ser inaugurado ainda neste semestre. Com terreno doado pelo governo do Estado, a previsão é de geração de 800 empregos e de investimento na ordem dos R$ 115 milhões.

 

Aposta em galpões

Guilherme Maziero, sócio da Guardian Gestora, que detém R$ 1,2 bilhão sob gestão e que opera um fundo de investimento específico para operações de logística (o que representa metade dos ativos sob gestão da firma), diz apostar muito no potencial no Nordeste. O fundo Guardian Logistic já conta hoje com 7 mil cotistas e seis galpões ativos, sendo que dois dos maiores estão na região Nordeste: um em Vitória de Santo Antão, na região metropolitana de Recife, e outro em Salvador (ambos galpões refrigerados destinados a atender a BRF, uma das maiores produtoras de alimentos do mundo).

“Estamos olhando outras aquisições na região, no estado do Ceará. A região Nordeste sofreu alguns baques com a saída da fábrica da Ford da Bahia e com a questão da refinaria Abreu de Lima, mas ainda enxergamos grande potencial para investimento”, afirma. Maziero refere-se à tentativa frustrada da Petrobras em vender a refinaria, que esteve no centro das investigações de corrupção lideradas pela força-tarefa da Lava Jato.

De acordo com a CBRE, maior empresa de investimento e serviços imobiliários comerciais do mundo, existem 90 milhões de m² de estoque de galpões industriais em São Paulo, cerca de 15 milhões em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Já no Estado da Bahia, são 6,8 milhões de m², seguido pelo Ceará (com 5 milhões de m²), Pernambuco ( 3,2 milhões de m²) e Alagoas (1 milhão de m2).

O sócio da Guardian Gestora enfatiza a posição estratégica que o Nordeste já conquistou nos planos de investimento de grandes empresas do varejo. Ele cita as Americanas, com 110 mil m² de estrutura instalada na região; o grupo GPA, com 70 mil m²; e a própria Amazon. Outro ponto relevante, segundo Maziero, são as taxas de vacância relativamente baixas nos imóveis industriais da região, em torno de 10%. A Bahia seria a exceção, com 12%, enquanto Pernambuco tem uma taxa de 8,9%, Alagoas, de 6,4% e Ceará, de 5,7%, para citar apenas alguns exemplos.

Para Maziero, o investimento via fundos é uma boa oportunidade, especialmente diante da resiliência e do retorno ofertado. Esta é também a opinião de outro sócio da Guardian, Gustavo Asdurian, que falou sobre o tema em entrevista ao Investindo por Aí (https://www.youtube.com/watch?v=v8VryyED5so&t=647s ).

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