Danielle Santoro

Líderes do atacarejo afirmam que a disputa comercial deve ser calcada em refinada estratégia, investimento volumoso e conhecimento do consumidor.

 

Por Fabíola Lago
Para Investindo Por Aí

Com a falência em 2019 da rede de supermercados Maciel, que reinou durante muitos anos no Maranhão, tudo aparentava tranquilidade para a vida de seu maior concorrente, o Grupo Mateus. Pura aparência. Logo depois, a chegada de grandes marcas nacionais ao Estado levou emoção, drama e muito dinheiro à acirrada briga pelo consumidor do varejo, do atacado e, do agora badalado, atacarejo.

Em 2020, chegou o Assaí. Em 2021, a Havan. No meio do ano passado, o grupo Big BomPreço reformulou suas lojas para suportar a briga dos gigantes. Também houve marcas que chegaram mais discretamente, como as Lojas Avenida, a maior rede de varejo de moda do Centro-Norte e uma das dez maiores do Brasil, há pouco mais de um ano.

A pergunta que se fazia – e ainda se faz – é se o Maranhão comporta tantas marcas. A resposta parece caminhar numa só direção: sim. E já não era sem tempo.

O Assaí, que viveu o drama de inaugurar sua primeira loja em São Luís em maio de 2020, no auge do primeiro pico do coronavírus em todo o Brasil. Desde então já abriu outras duas: uma na capital e outra em Imperatriz, a segunda maior cidade do Estado. A Havan já anunciou que pretende expandir. E o Grupo Mateus vive um ritmo frenético de abertura de novas unidades.

Ou seja, para existir, as marcas consolidadas no Maranhão e as que estão chegando ao Estado não precisam da extinção das outras. Não se trata de coleguismo ou camaradagem, mas de uma disputa comercial calcada em refinada estratégia, investimento volumoso e conhecimento do consumidor.

“Estamos sempre atentos às demandas de nossos clientes de cada região para que as lojas do Assaí possam refletir de maneira única as suas cidades e Estados. No Maranhão, por exemplo, o Assaí realiza campanhas publicitárias estreladas por nomes e influenciadores locais. Outros diferenciais das lojas maranhenses incluem balcões onde comercializamos filés de peixes frescos, resfriados e embalados”, diz ao Portal Investindo Por Aí Claudemir do Carmo, diretor para o Nordeste do Assaí Atacadista.

 

Sem recuo

Evidentemente, o Grupo Mateus não assiste a tudo isso parado. A concorrência não assusta, garante Marcelo Korber, Head de Relação com Investidores do Grupo Mateus, também em entrevista ao Portal Investindo Por Aí.

“Estamos no mercado há 35 anos e permanecemos em crescimento, mesmo convivendo com empresas do mesmo segmento. Certos de que nosso modelo – que combina logística, serviços e multicanalidade – é vencedor para as regiões Norte e Nordeste, seguiremos dominantes no Maranhão”, diz Korber.

Não é só isso, acrescenta: “Também fazendo o movimento contrário, entrando em novas cidades onde outros players também já atuam”. Traduzindo para palavras menos diplomáticas, o que o Grupo Mateus diz é: se vocês vieram em busca de nosso consumidor, nós vamos em busca de seu consumidor.

Não se trata de retórica. No fim do ano passado, a companhia lançou a Regional Nordeste, uma equipe focada no varejo e atacado com base na Bahia e em Pernambuco.

“Para dar suporte à operação da regional Nordeste, estrategicamente, inauguramos sedes administrativas em Recife e Salvador. E para garantir a logística e abastecimento novas lojas, já inauguramos dois Centros de Distribuição: um em Cabo de Santo Agostinho (PE) e outro em Feira de Santana (BA). A meta é nos consolidarmos com uma das maiores empresas varejistas do país”, afirma o Head de Relações com Investidores da empresa. Em 2021, o Mateus abriu 44 novas lojas.

 

Estratégias

A busca por outros Estados é reflexo da já grande presença do Grupo Mateus no Maranhão. Marcelo Korber explica que no estado as oportunidades já estão mais limitadas. “Nossas lojas atuais seguirão crescendo e maturando, mas novas lojas terão colocação pontual no Estado.”

Além disso, o grupo enxerga a longo prazo: “Para a região [Nordeste] como um todo, entendemos que manteremos um ritmo de crescimento forte e acelerado ainda pelos próximos cinco anos e, em seguida, após este ciclo, o atacarejo deve começar a arrefecer. Então, nós vamos ter como base de expansão nossos outros formatos. O nosso modelo de negócio, que é multicanal, terá foco em cidades de médio e pequeno portes”.

Nunca é demais lembrar que a estratégia que moldou a trajetória do Grupo Mateus levou seu proprietário, Ilson Mateus, a integrar a mais recente lista de bilionários da Forbes. Em outubro de 2020 o Grupo Mateus foi o segundo maior IPO do ano, angariando R$ 4, 1 bilhões, perdendo apenas para a Rede D’Or, se tornando 14º maior IPO da história do Brasil, num dos melhores anos da bolsa desde 2007.

O Assaí, que também vive expansão em território nacional (28 novas lojas em 2021), tem 57 unidades no Nordeste. O diretor Claudemir do Carmo afirma que “o Nordeste é uma região muito importante para o Assaí; e o Maranhão é um dos Estados que mais têm crescido nos últimos anos em nível nacional”.

E revela: “Posso dizer que pelo menos mais três novas lojas já estão previstas para o 1º trimestre deste ano nos Estados da Bahia, Sergipe e Pernambuco”.

 

Suspense

A situação de maior suspense está em torno do Big BomPreço, que tem três unidades no Maranhão. No ano passado, a rede foi adquirida pelo Carrefour e havia expectativa de mudanças de bandeiras. Mas até agora isso não aconteceu.

Mesmo assim, houve mudanças: o Grupo Big revitalizou toda a sua rede em setembro de 2021. As lojas em São Luís hoje têm mais variedades e também produtos para cativar o consumidor com mais dinheiro – algo que o Grupo Mateus soube fazer bem com seus empórios dentro dos supermercados.

 

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