Danielle Santoro

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Por Rodrigo Miotto
Especial para o Investindo por Aí

Fazia sete anos que aquela grande fábrica a 25 quilômetros do centro de São Luís (MA) não ouvia um som antes muito conhecido: o das máquinas produzindo alumínio. O silêncio acabou no fim de abril, quando a norte-americana Alcoa retomou as atividades da fábrica Redução, que faz parte do Complexo Industrial da Alumar.

A reativação da fábrica é a parte mais visível de um movimento acompanhado por outras grandes companhias no Maranhão: a abertura ou a expansão de unidades para aumentar a produção de matérias-primas ou elevar a capacidade de escoamento.

A aposta das empresas é tanto na demanda doméstica quanto nas vendas para o mercado internacional.

Em entrevista ao Investindo Por Aí, o diretor da Alumar, Helder Teixeira, diz que “existe, atualmente, uma importante demanda no mercado. A retomada da produção de alumínio baseia-se em nossos pontos fortes, competitivos no mercado global e nacional”.

O investimento para a retomada da unidade foi de R$ 957 milhões. A cifra é alta e foi muito bem pensada antes de ser executada. E o impacto será grande.

“Antes do desligamento da fábrica da Alumar na capital maranhense, o Brasil ocupava a 6ª posição no mercado global de produção de alumínio primário. Com a suspensão das atividades, em 2015, o país caiu para 19º lugar, e, com o aumento de 11% no consumo de alumínio em 2021, o país foi obrigado a recorrer a importações para suprir o mercado”, explica Helder Teixeira.

A retomada acrescentará mais 447 mil toneladas métricas de alumínio por ano na produção nacional, elevando das atuais 910 mil toneladas métricas anuais para cerca de 1, 357 milhão de toneladas.

“Isto dará ao Brasil um papel de destaque no cenário mundial, além de resgatar a autossuficiência do país na produção. O excedente será negociado no mercado internacional”, afirma o diretor da empresa.

 

Helder Teixeira, diretor da Alumar/ Foto: divulgação

Logística

Quando a produção das empresas aumenta, uma das consequências óbvias é a necessidade de incrementar a infraestrutura e logística para chegar aos compradores. É o que está acontecendo no Maranhão.

A 550 quilômetros de São Luís, a pequena cidade de Porto Franco está mais agitada do que o habitual. A VLI está em ritmo acelerado com as obras para operar o Terminal Integrador de Porto Franco.

A companhia atua no setor de logística com integração entre ferrovias, portos e terminais. O local deve começar a escoar cargas nos próximos meses. Os trabalhos incluem preparar as estruturas para receber os caminhões carregados com grãos e ganhar relevância no Arco Norte. A capacidade operacional será de 95 mil toneladas por mês.

Armazenamento

Além de transportar, é preciso capacidade para armazenar a produção adicional e as mercadorias que serão escoadas aos diferentes mercados por meio do Maranhão. O Porto do Itaqui, um dos que mais crescem no Brasil, tem vivido tempos acelerados, com expansão, novos berços e novas estruturas.

Uma delas é da Granel Química, que inaugurou em abril a expansão do Terminal 1, elevando a sua capacidade de armazenagem. A expansão de R$ 85 milhões já estava prevista quando a concessão foi estendida até 2039. Mas não se trata apenas de uma obrigação contratual.

“Buscamos atender uma crescente demanda dos mercados nacional e internacional de armazenagem de granéis líquidos”, diz ao Investindo Por Aí, o gerente geral da Granel Química, Edson Souki.

De toda a capacidade da Granel Química na América do Sul, 28% estão no Porto do Itaqui. “Além da armazenagem e da movimentação predominante de combustíveis e biocombustíveis no Porto, buscamos a diversificação de nossa carteira de negócios, visando o aproveitamento de oportunidades em outros segmentos como o agronegócio, que está crescendo significativamente e rápido”, acrescenta Souki.

Edson Souki, gerente geral da Granel Química/ Foto: divulgação

Expansão

Há outros empreendimentos sendo expandidos no Estado. Entre eles, está o novo berço da Suzano no Porto do Itaqui.

Em fevereiro, foi lançado um pacote de obras de infraestrutura que somam mais de R$ 500 milhões em investimento da Emap (Empresa Maranhense de Administração Portuária).

De olho na maior estrutura local para abrigar polos operacionais, grandes empresas se animaram recentemente o ambiente econômico no Maranhão. No ano passado, a Cosan fez acordo para comprar o porto de São Luís, da CCCC. Em dezembro, a Ambev ampliou sua fábrica em São Luís, com mais de R$ 120 milhões investidos.

Outro importante investimento foi na cadeia de combustíveis com a implantação do terminal da empresa Raízen, além dos aportes na cadeia do gás.

O Governo do Estado procura acompanhar todo esse movimento. Em abril, foram lançados os Programas para o Desenvolvimento do Maranhão. São quatro eixos com metas até 2050: energia renovável, hidrogênio verde, Zona de Processamento de Exportação e emprego e renda.

A aposta é atrair mais empresas e mais tecnologia para o Estado.

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Retorno

Quando uma grande empresa chega a um local ou expande seus negócios, surge aquestão inevitável: e o que a população ganha com isto?

“Para realização dessas obras e operacionalização diária dos Terminais 1 e 2, geramos empregos diretos e indiretos para centenas de maranhenses nos mais variados cargos e profissões”, afirma o gerente geral da Granel Química.

Na fábrica Redução, são mais 1 mil colaboradores diretos e 1,5 mil empregos indiretos, principalmente vindo de comunidades vizinhas e de parcerias da Alumar com entidades de classe.

As companhias também destacam outros retornos. “A utilização de energia limpa em todo processo será um marco histórico no desenvolvimento sustentável do Maranhão, Nordeste e do Brasil. A tudo isso, soma- se mais recolhimento de impostos e incremento nas nossas pesquisas, apoios às comunidades e projetos sociais vindos diretos das populações, entidades públicas ou privadas”, afirma o diretor da Alumar, Helder Teixeira.