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15 de junho de 2024 09:05

EXCLUSIVO: Maceió desponta como líder nacional na valorização imobiliária em 5 anos

EXCLUSIVO: Maceió desponta como líder nacional na valorização imobiliária em 5 anos

Nos últimos cinco anos, Maceió emergiu como a capital brasileira com a maior valorização do metro quadrado para venda de imóvel residencial, de acordo com o Índice FipeZap. No acumulado de 2019 a 2023, o valor do m² residencial negociado para venda em Maceió saltou de R$ 4.943 para R$ 8.302 (valores registrados nos meses de dezembro dos respectivos anos), o que significa 67,95% de alta. Nenhuma outra cidade brasileira atingiu esse patamar de alta.
Potencial turístico e desenvolvimento local impulsionam o mercado imobiliário na capital alagoana. Crédito: Getty Images

Maceió foi a capital brasileira com a maior valorização do m² para venda de imóvel residencial 

Por JÚLIA DAL BELLO

Nos últimos cinco anos, Maceió emergiu como a capital brasileira com a maior valorização do metro quadrado para venda de imóvel residencial, de acordo com o Índice FipeZap. O índice, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) em parceria com a ZAP Imóveis, acompanha 50 cidades em 16 unidades federativas, incluindo o Distrito Federal.

O Investindo Por Aí debruçou-se sobre a análise da série histórica da Fipe e identificou que, no acumulado de 2019 a 2023, o valor do m² residencial negociado para venda em Maceió saltou de R$ 4.943 para R$ 8.302 (valores registrados nos meses de dezembro dos respectivos anos), o que significa 67,95% de alta. Nenhuma outra cidade atingiu esse patamar percentual, dentre as 50 acompanhadas pela Fipe. Assim, a capital alagoana ficou à frente de Goiânia, que acumulou alta de 65,47% nos últimos cinco anos, e de Vitória, com 61,22%.

O ano de 2023 foi particularmente favorável para que Maceió atingisse esse recorte. A cidade figurou entre as 10 com maior valorização imobiliária residencial, seguindo o ranking proporcionado pelos dados do Índice FipeZap. O município registrou uma alta significativa de 16% no valor do m² em dezembro, considerando a variação acumulada nos 12 meses anteriores.

Os resultados colocam Maceió à frente de todas as demais capitais monitoradas pela Fipe, como Goiânia e Campo Grande, que tiveram altas de 14,83% e 12,60%, respectivamente, no mesmo período (dezembro de 2022 a dezembro de 2023).

Especificamente no Nordeste, os valores praticados em Maceió alcançaram o patamar mais alto da região em dezembro de 2023, à frente de Recife (R$ 7.585), Fortaleza (R$ 7.203), João Pessoa (R$5.963) e Salvador (R$ 5.813), segundo a Fipe.

“A pandemia teve um papel significativo nesse cenário, afetando tanto o mercado imobiliário quanto a economia como um todo. Essa influência foi evidenciada por uma grande queda na taxa de juros, que reflete no financiamento imobiliário e no valor das parcelas, que, por sua vez, aumentam a capacidade de compra das famílias”, afirma Alison de Oliveira, pesquisador da FIPE e coordenador do Índice FipeZap.

A valorização do metro quadrado em Maceió culminou no preço de R$8.302 para o m² negociado em dezembro de 2023, representando um salto significativo em relação ao ano anterior. Nilo Zampieri Jr., presidente do Sindicato da Habitação de Alagoas (Secovi-AL), destaca que essa valorização é resultado de diversos fatores, incluindo a lacuna no mercado imobiliário local e o impacto da pandemia.

Efeito Braskem

Além disso, a realocação das famílias devido ao desastre provocado pela Braskem na capital também teve um impacto importante. Em 2018, cerca de 60 mil pessoas foram despejadas de suas casas às pressas em função dos problemas relacionados ao afundamento do solo e a rachaduras das residências em bairros tradicionais de Maceió, provocados por problemas resultantes da mineração de sal-gema.

O coordenador do Índice FipeZap ressalta que essa demanda adicional por moradia impulsionou a valorização do m² para venda de imóveis residenciais na cidade, a partir dos valores de compra dos imóveis que a Braskem teve que reembolsar às vítimas do desastre.

Por outro lado, Zampieri Jr. enfatiza que a valorização do m² reflete o próprio o crescimento econômico e a atratividade turística de Maceió, fatores combinados ao potencial dos investimentos imobiliários na cidade. A expectativa é de que novos aportes em infraestrutura habitacional e urbana melhorem a qualidade de vida dos moradores e o apetite por novas unidades residenciais.

“O caso da Braskem trouxe vários efeitos colaterais. Mas o crescimento da nossa cidade e os resultados, sejam eles imobiliários ou não, vêm principalmente do esforço dos cidadãos e de todo um conjunto de empresários alagoanos em torno do desenvolvimento”, destaca Nilo Zampieri, reconhecendo o sofrimento das vítimas que foram despejadas das áreas afetadas pela petroquímica e o caos instalado na cidade a partir disso.

Apesar do expressivo aumento nos valores , os números medidos pela Fipe mostram que o preço médio do m² residencial para venda em Maceió ainda está abaixo da média nacional  (de R$ 8.713), indicando potencial para alavancar ainda mais. O valor mais caro em dezembro de 2023 foi registrado na capital capixaba, Vitória (R$ 10.921 / m²), seguida por Florianópolis (R$ 10.788/m²) e São Paulo (R$ 10.674 / m²).

Tendência de alta

Esse potencial de valorização confirma-se à medida que a capital alagoana continuou a registrar números positivos em janeiro de 2024, último mês contabilizado pelo Índice FipeZap. Maceió registrou alta de 15,35% no valor do m² residencial para venda, comparado a janeiro de 2023, situando-se novamente como a capital líder/ do ranking. Foi seguida de perto por outra capital, Goiânia (GO), que alcançou 15,19% de valorização. As duas cidades ficaram apenas atrás de duas localidades no interior do estado de Santa Catarina, que vêm registrando o encarecimento imobiliário nos últimos exercícios. É o caso de Itapema e São José, com mais de 19% de alta.

Em janeiro de 2024, o preço do m² residencial para venda em Maceió foi de R$ 8.345. A média nacional calculada pelo Índice FipeZap foi de R$ 8.750. Os valores praticados em Salvador (BA) continuam os mais baixos entre as capitais acompanhadas no Nordeste – de R$ 5.827,00. Recife chegou a R$ 7.626 / m², seguida de Fortaleza (CE), com R$ 7.211 / m², e João Pessoa (PB), com R$ 6.009 / m².

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