
No último mês, a Axia Energia anunciou investimentos e expansão nas Linhas de Transmissão (LT) pelo Nordeste. A linha de transmissão é uma infraestrutura utilizada para transportar energia elétrica em alta tensão por longas distâncias.
Um dos princípios do sistema elétrico é que a quantidade de energia produzida precisa ser exatamente igual à consumida naquele momento, somada às perdas que ocorrem no transporte.
Paulo Carvalho, professor do departamento de engenharia elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutor em engenharia elétrica, explica que devido à capacidade reduzida de transmissão, a eletricidade gerada no Nordeste não consegue chegar plenamente aos grandes centros consumidores, como o estado de São Paulo, e esse desequilíbrio gera uma instabilidade no sistema. “O Nordeste brasileiro possui um dos maiores recursos solar e eólico do mundo. Esse potencial já vem sendo usado desde o início do século, através da instalação de inúmeras plantas de geração de eletricidade”, diz. Mas o professor destaca que o crescimento das linhas de transmissão não acompanhou o crescimento dos parques eólicos e fotovoltaicos, o que causa uma restrição para o setor.
De acordo com a Axia Energia, as novas LTs anunciadas fazem parte dos sete lotes arrematados em leilões pela companhia nos últimos três anos. Até 2028, a previsão é de 1.957 quilômetros de Linhas de Transmissão com investimentos nos estados do Ceará, Piauí, Bahia, Pernambuco e Alagoas. A implantação de novas LTs, segundo a empresa, terá um investimento de R$ 5,8 bilhões. Ao final das obras, a empresa responderá por 76.261 quilômetros de LT pelo país.
Com 81 usinas, sendo 47 hídricas, 33 eólicas e uma solar, a Axia diz que a previsão é de gerar 10.300 empregos com o novo investimento.
“Cada linha de transmissão que inauguramos representa um avanço concreto na eficiência do setor, impulsionando oportunidades para nossos clientes e parceiros”, comenta Robson Campos, vice-presidente de Engenharia e Expansão da Axia Energia.
Caso a infraestrutura de transmissão não avance na mesma velocidade da expansão da geração limpa, o professor diz que isso terá impacto na redução de novos investimentos no setor eólico e solar. “No entanto, uma alternativa de solução é o uso cada vez maior de sistemas de armazenamento de energia, notadamente baterias, o que pode incentivar o desenvolvimento de um novo setor industrial na região”, diz.

Campos comenta que a empresa está comprometida em superar expectativas, tornando a infraestrutura elétrica mais inteligente, sustentável, inovadora e preparada para os desafios do setor.
O professor acrescenta que a maior parte do consumo de eletricidade está concentrada no Sudeste, o que reforça a necessidade de ampliar a capacidade de transmissão para escoar a energia gerada no Nordeste.
Após a privatização da Eletrobras, a companhia e suas subsidiárias passaram a se chamar Axia Energia. É a maior empresa de energia 100% renovável do Hemisfério Sul, responsável por 17% da capacidade de geração nacional e 37% do total de linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Linhas de Transmissão (LT)
De acordo com a empresa, a nova infraestrutura vai permitir o escoamento da energia solar e eólica para regiões de maior demanda, como Sudeste e Centro-Oeste, fortalecendo o abastecimento nacional. A Axia diz que a integração também é fundamental para o aproveitamento máximo da energia renovável gerada na região, reduzindo desperdícios e garantindo um sistema elétrico mais eficiente, confiável e sustentável.