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10 de março de 2026 10:42

Maior projeto de conservação de corais do Brasil chega ao litoral do Maranhão

Maior projeto de conservação de corais do Brasil chega ao litoral do Maranhão

Iniciativa financiada pelo BNDES vai monitorar recifes no Parque Estadual Marinho Parcel Manuel Luís e ampliar conhecimento científico sobre ecossistemas marinhos no estado, com potencial para impulsionar turismo sustentável e educação ambiental
Foto: Reprodução/Internet

O litoral do Maranhão passará a integrar a maior iniciativa já realizada no Brasil voltada exclusivamente para a conservação e regeneração de recifes de coral. Recentemente, o BNDES assinou o contrato do projeto SER Corais, que contará com investimento de R$ 5,5 milhões e duração prevista de 36 meses. A ação abrangerá cerca de dois mil quilômetros da costa brasileira e terá atuação direta no Parque Estadual Marinho Parcel Manuel Luís, localizado no município de Cururupu.

Considerado um dos ambientes recifais mais importantes do país, o parque marinho abriga bancos de corais ainda pouco estudados. O projeto pretende ampliar o conhecimento científico sobre esses ecossistemas, monitorando a saúde dos recifes e identificando fatores que podem estar afetando sua conservação. A execução será conduzida pelo Instituto Nautilus, em parceria com universidades e iniciativas já existentes de pesquisa marinha.

Para o Maranhão, a iniciativa representa uma oportunidade inédita de mapear e compreender melhor um patrimônio natural pouco conhecido. Ao mesmo tempo, abre espaço para discutir como a conservação ambiental pode dialogar com a realidade socioeconômica das comunidades costeiras que dependem diretamente do mar.

Monitoramento científico dos recifes

A coordenadora do projeto SER Corais, Fabiana Félix, e docente da Universidade Federal do Sul da Bahia, explica que a atuação no litoral maranhense será voltada principalmente ao diagnóstico ambiental dos recifes.

Segundo ela, o trabalho dará continuidade a estudos já iniciados por outro programa científico.

“Desde 2020, executamos, por meio do Projeto Budiões, o monitoramento da fauna recifal dos bancos do Parque Estadual Marinho Parcel Manuel Luís. Com o SER Corais, iremos expandir esse monitoramento para uma avaliação focada na saúde dos corais, olhando para porcentagem de cobertura e incidência de doenças e branqueamento”, afirma.

A análise também buscará identificar possíveis pressões ambientais que afetam os recifes, como aumento da temperatura da água, pesca, poluição ou impactos decorrentes do desenvolvimento costeiro.

De acordo com a pesquisadora, o projeto atuará em duas escalas simultâneas: nacional e regional.

“Em nível nacional, vamos realizar o monitoramento dos recifes ao longo de aproximadamente dois mil quilômetros da costa brasileira. Já em nível local, sobretudo no sul da Bahia, trabalharemos diretamente na mitigação de estressores ambientais e no estímulo à economia baseada na sociobiodiversidade”, explica.

No Maranhão, a primeira fase do trabalho será dedicada essencialmente à coleta de dados. Durante os três anos de execução do projeto, está prevista ao menos uma expedição científica ao parque marinho, com duração de quatro a seis dias.

Diagnóstico ainda incipiente

Um dos desafios do projeto no estado é justamente a escassez de estudos detalhados sobre os recifes da região. Fabiana admite que ainda há pouca informação científica consolidada sobre o estado de conservação dessas formações coralíneas.

“Não conhecemos esses recifes. Somente visitamos o parque”, diz a pesquisadora. “Por isso, o objetivo inicial é justamente produzir um diagnóstico sobre a saúde ambiental desses ambientes e apontar caminhos para sua conservação.”

Essa etapa é considerada fundamental para orientar futuras políticas públicas e estratégias de manejo ambiental. O projeto pretende produzir um grande mapa da saúde dos recifes brasileiros, relacionando indicadores ecológicos com possíveis vetores de pressão ambiental, como portos, pesca ou mudanças climáticas.

Outro objetivo é desenvolver mecanismos de detecção precoce de espécies invasoras por meio de ciência cidadã, com o uso de aplicativos que permitam o envio de registros por pesquisadores e mergulhadores.

Educação ambiental e capacitação

Embora o foco principal seja científico, o projeto também prevê ações de educação ambiental e capacitação de comunidades locais. Essas atividades serão desenvolvidas em parceria com o Projeto Budiões e com pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão, responsáveis pela articulação regional das iniciativas.

Uma das primeiras ações já ocorreu em municípios costeiros do estado. “Já visitamos comunidades como Tutóia e Cururupu, onde 30 profissionais do ensino público passaram por uma capacitação sobre cultura oceânica”, explica Fabiana. “Eles receberam material didático e orientações para desenvolver atividades de educação ambiental com estudantes do ensino fundamental e médio.”

A proposta é multiplicar o conhecimento sobre o ambiente marinho dentro das próprias comunidades costeiras, reforçando a importância da conservação dos ecossistemas.

Impacto socioeconômico

Apesar de não prever geração direta de empregos ou pagamento por serviços ambientais, o projeto pode abrir caminhos para novas oportunidades econômicas no futuro.

Cururupu está localizado em uma das regiões menos desenvolvidas do Maranhão, onde grande parte da população depende da pesca artesanal para sobreviver. Nesse contexto, iniciativas que conciliem conservação ambiental e geração de renda são vistas como estratégicas.

O conhecimento científico produzido pode ajudar a estruturar atividades econômicas sustentáveis ligadas ao mar. Entre elas estão o turismo de base comunitária e o turismo de observação marinha, especialmente o mergulho recreativo. Essas atividades podem gerar renda local, mas precisam ser realizadas com autorização dos órgãos ambientais e respeitando os limites de gestão das áreas protegidas.

Outro ponto importante é o diálogo com o conhecimento tradicional das comunidades costeiras. Segundo a pesquisadora, os pescadores possuem informações valiosas sobre a dinâmica dos recifes e podem contribuir diretamente para o monitoramento ambiental.

“As comunidades tradicionais costeiras detêm conhecimento importante sobre os sistemas recifais e sobre os locais onde os recursos pesqueiros se encontram. Esse conhecimento pode contribuir para o apoio logístico às atividades de mergulho e monitoramento”, afirma.

Uma preocupação recorrente entre pescadores é a possibilidade de restrições às atividades de pesca durante projetos de conservação. No caso do SER Corais, entretanto, não haverá mudanças nesse sentido.

De acordo com a coordenação do projeto, as atividades científicas não exigem qualquer limitação às atividades econômicas já realizadas na região. “A restrição de atividades de qualquer tipo fica a cargo das autoridades públicas nas esferas municipal, estadual e federal”, explica Fabiana. Ou seja, o projeto tem caráter exclusivamente científico e educativo.

Continuidade após o projeto

Ao final dos 36 meses de execução, a expectativa é que o trabalho gere uma base inédita de informações sobre a saúde dos recifes brasileiros.

Esses dados serão compartilhados com órgãos ambientais por meio de relatórios técnicos e reuniões de devolutiva. Também está prevista a produção de conteúdos voltados ao público geral, divulgados em redes sociais e plataformas digitais.

Segundo a coordenadora do SER Corais, parte das atividades de monitoramento deverá continuar mesmo após o encerramento do financiamento. “As ações de monitoramento ambiental serão mantidas pelo Projeto Budiões, desenvolvido em parceria com o SER Corais”, afirma.

Para o Maranhão, a iniciativa representa mais do que um novo projeto de pesquisa, uma vez que pode ajudar a integrar ciência, conservação e desenvolvimento sustentável no litoral do estado, um passo importante para garantir que os recifes marinhos continuem sustentando tanto a biodiversidade quanto as comunidades que dependem deles.

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