Mariana Groth
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O domínio sobre os riscos é considerado como a fronteira entre o passado e o moderno. O homem não é um ser passivo sobre a natureza, não deixa o seu futuro à mercê de forças alheias à sua vontade, pelo contrário, age sempre com o propósito de contornar dificuldades e imprevistos para que o futuro seja moldado e construído pelas suas ações.

Em toda atividade humana há um risco inerente. Por exemplo: na construção civil, podemos listar problemas no fornecimento de materiais, compradores inadimplentes, demora na obtenção de licenças, desastres naturais etc. No mercado financeiro existem as mudanças inesperadas ou mal previstas nas curvas de juros, valores de ações, taxas de câmbio, volatilidade entre outros.

Em toda atividade há o risco de o empreendimento não estar em conformidade com a legislação, com a violação de normas que visem regular e fiscalizar as atividades. Há, ainda, o envolvimento de instituições em grandes prejuízos, escândalos de corrupção, desastres naturais entre tantas situações que podem manchar permanentemente a sua imagem e reputação perante a sociedade. Como diz Warren Buffet: “demora-se 20 anos para construir uma reputação e 5 minutos para arruiná-la”.

Diversas entidades não possuem o pleno conhecimento de seus riscos. Os motivos são diversos: despreparo institucional, legislação ampla, confusa e esparsa; cultura pouco inclinada à prevenção e identificação de problemas são algumas das causas que alimentam os riscos que podem evoluir para efetivos prejuízos e complicações. Caso não sejam bem contornados ou evitados podem levar um negócio promissor ao fracasso podendo comprometer criminalmente empresários e empregados. Salgar-se-ia todo um terreno fértil transformando-o numa terra arrasada. Neste sentido, estar em conformidade com diversas regulações e evitar riscos da atividade é o divisor de águas entre o sucesso e o fracasso. Entre a prosperidade e a austeridade.

Diversas instituições públicas e privadas vêm adotando programas de compliance como ferramenta para melhorar a governança corporativa. Seu nome possui origem no verbo inglês “to comply”, ou seja, cumprir ou executar algo imposto, agir conforme a lei, norma de comando, ética etc. É por meio da comunicação, cultura corporativa, programas de treinamento, código de conduta, metodologia de avaliação de riscos, sistemas de controle interno e monitoramento de normas (internas e externas), entre outras estratégias, que o compliance colabora para uma maior sustentabilidade corporativa, possibilitando um ambiente seguro e confiável para a tomada de decisões. A ideia é preservar sua continuidade e seu sucesso mitigando os diversos riscos que a entidade enfrenta, bem como possibilita a identificação, mitigação e controle de riscos e problemas jamais pensados. Como consequência de todo esse controle, vale dizer, a redução de custos e prejuízos acaba sendo inevitável.

É verdade que a implantação de um programa de compliance exige tempo, dedicação e investimento. Entretanto, com o sucesso do programa, haverá certamente uma redução dos riscos institucionais, podendo ainda evitar ou reduzir eventuais punições legais (ambientais, tributárias, administrativas entre tantas). Logo, implica, inexoravelmente, na realocação de recursos que estariam cobrindo prejuízos e sanções para mais investimentos na cadeia produtiva, maximização dos lucros e um maior retorno de serviços à sociedade.

Basicamente, o compliance é uma ferramenta indispensável para que entidades, uma vez doentes, se curem. Ao colaborar com resultados mais positivos de menor risco, possibilitar o alinhamento dos funcionários com a finalidade, princípios e metas da instituição o compliance pode ser um marco fundamental na mitigação de riscos e robustez dos controles internos, moldando o futuro de empresas e órgãos públicos para o que foi pensado para eles, não deixando o que está por vir à própria sorte.