Jornalismo econômico para a inovação no Nordeste -
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22 de fevereiro de 2024 16:32

Os Mutuns Nordestinos

Os Mutuns Nordestinos

Alagoas nos últimos oito anos viveu um processo de organização e ajuste fiscal se preparando para um futuro promissor, apesar de ainda ser um dos mais pobres da federação.

A história mitológica da fênix há milênios alimenta a fantasia e a esperança da humanidade. A paródia de um pássaro mitológico que ressurge das cinzas sempre nos inspira a levantar a cabeça e mandar a tristeza embora, como muito bem compôs Xandy de Pilares. Assim, o Mutum ressurgiu em Alagoas, entretanto, não foi por milagre, mas por causa de um conjunto de políticas públicas voltadas para preservação do meio ambiente. 

Aliás, não só Alagoas, mas todos os estados nordestinos nos últimos anos focaram suas gestões buscando equilibrar o respeito ao meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e ações sociais para o resgate dos que mais precisam. Da mesma forma, tentaram equilibrar seus orçamentos após um longo período de desajustes. Uns conseguiram mais cedo, outros mais tarde, mas todos, à maneira de cada um, trabalharam na busca pela responsabilidade fiscal.

Vou destacar neste artigo o estado de Alagoas, pois conheço bem de perto as mudanças implementadas e conclamo meus colegas nordestinos a escreverem sobre os avanços de seus estados. Alagoas nos últimos oito anos viveu um processo de organização e preparo para o futuro absolutamente diferenciado a meu ver dos demais estados do país, já que era um dos mais pobres e com a pior estrutura fiscal.

Sua economia vinha tentando sair da primazia do setor sucroalcooleiro em crise e o seu passivo social detinha os piores indicadores em saúde, educação e desenvolvimento social. Isso impôs um desafio muito maior que o dos demais entes. Sem falar que sua burocracia estava muito desestruturada, não conseguia fazer programas e nem criar projetos, sem credibilidade alguma junto aos bancos multilaterais, ao mercado financeiro e aos técnicos do governo federal.

Foram anos desafiadores e prazerosos, pois ver o nascimento de programas e projetos inovadores e a transformação causada na vida das pessoas nos enche de orgulho. Dá a sensação de dever cumprido. Conciliar responsabilidade fiscal com responsabilidade social é possível sim, apesar de muitos nunca terem acreditado. Em 2015, quando apresentava o planejamento do que estávamos fazendo ao mercado financeiro, os técnicos dos bancos ouviam apenas por deferência a relações pessoais antigas, mas não pensavam que seria possível.

Em Alagoas, muitos disseram que não seríamos capazes de pagar os programas, os hospitais ou que nunca conseguiríamos fazer investimentos com recursos próprios. E, nesses oito anos já foram mais de 10 bilhões de reais investidos com recursos próprios e de empréstimos estruturados. Sim, empréstimos construídos em parceria com bancos multiraterais e públicos, com produtos claros a serem entregues a população. Repare: no passado só se contraía empréstimos para pagar buracos no orçamento, pouco era entregue a população.

Outros dois palavrões que ouso dizer era a realização de concursos para rejuvenescer e melhorar a força de trabalho do governo e valorizar os servidores com a reestruturação de planos de cargos e salários. A questão era como fazer isso sem desestruturar as finanças tão arduamente construídas. Para isso, fizemos três reformas estruturais na previdência dos servidores. De início, muito pouco compreendidas, mas hoje, Alagoas ganha todos os prêmios nacionais por gestão previdenciária e tem a sua regularidade previdenciária administrativa, o que era um sonho que parecia impossível em 2015.

Com o aumento da credibilidade nacional e até internacional de Alagoas conseguimos levar dois leilões de concessão de saneamento para a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3 e, em breve, outras parcerias com o setor privado virão. Assim, já temos contratados pelo menos 10 bilhões de reais em investimentos privados. Teremos a primeira capital do país totalmente saneada e levando saneamento para o interior. Isso só foi possível com a construção de arcabouços jurídicos seguros e bons projetos.

Não por acaso, em 2022, as principais consultorias econômicas do país têm apontado que Alagoas irá crescer seu PIB em mais de 4% e a renda per capta média do estado irá subir acima de 15%. Isso é fruto do trabalho de muitos, orientação e liderança política fortes, fundamentados em dados, ciência e parceiros que acreditaram nos sonhos. Renasce das cinzas o Mutum Alagoano e, parodiando os tigres asiáticos, acredito que teremos um ciclo muito virtuoso no Nordeste, fundamentado nos princípios destes países: muito investimento em educação e no resgate social, além parcerias com universidades, empresas e investidores, sempre com o propósito de melhorar a vida dos alagoanos.

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Uma resposta

  1. O governo de renan filho fez nosso estado renascer ,hj tenho orgulho do meu estado ,aliás o senhor foi fundamental e de grande importância para Mutum alagoano ,parabéns secretario santoro👏👏👏

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