
Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) resultou na criação de um queijo do reino produzido com leite de cabra, inovação que já teve pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O projeto foi desenvolvido no Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias (CCHSA), em Bananeiras, e surge em um momento de expansão da caprinocultura no estado, líder nacional na produção de leite caprino.
A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Laticínios do CCHSA pela professora Fabiana Augusta Santiago Beltrão, em parceria com o professor Edvaldo Mesquita Beltrão Filho e o estudante Irineu Vitor, do curso de Agroindústria. O pedido de patente foi registrado em julho de 2024 pela Agência UFPB de Inovação Tecnológica.
Durante os estudos, os pesquisadores testaram três formulações distintas: uma feita exclusivamente com leite de cabra, outra com mistura de leite caprino e bovino e uma terceira elaborada apenas com leite bovino. O objetivo era avaliar textura, sabor, composição físico-química e viabilidade tecnológica do produto.
Segundo a equipe, um dos principais desafios era adaptar o sabor característico do leite caprino ao perfil sensorial tradicional do queijo do reino. Após ajustes no processo produtivo, os pesquisadores conseguiram desenvolver um produto com textura, coloração e características semelhantes às versões tradicionais, mantendo identidade própria.
As análises laboratoriais confirmaram que o queijo atende aos padrões microbiológicos e de segurança exigidos pela legislação. O produto apresentou ainda maior teor de lipídeos, acidez e umidade em relação aos queijos produzidos com leite bovino.
A inovação ocorre em meio ao fortalecimento da cadeia caprina paraibana. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a Paraíba produz cerca de 5,6 milhões de litros de leite de cabra por ano e possui um rebanho de 849 mil animais. A atividade está presente em mais de 78 mil propriedades rurais distribuídas pelos 223 municípios do estado.
Para os pesquisadores, o novo queijo pode ampliar o aproveitamento do leite caprino e abrir oportunidades para pequenos produtores e agroindústrias do semiárido, agregando valor à produção regional e estimulando novos mercados para a caprinocultura paraibana.