Danielle Santoro

Por Angela Fernanda Belfort
Para Jornal Correio de Pernambuco

Recife avançou 45 posições no Ranking de Competitividade dos Municípios, realizado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com a Gove e o Sebrae. A capital pernambucana ficou na 55ª colocação – ocupando a 7ª posição entre todas as capitais – sendo a mais competitiva entre as nove do Nordeste. Só participam deste ranking 411 cidades com mais de 80 mil habitantes do País. Ainda na classificação geral, também apresentaram crescimentos expressivos as cidades de Abreu e Lima, na Zona Norte da Região Metropolitana do Recife, e Caruaru, no Agreste. No Estado, somente Recife e Caruaru ficaram entre as 200 mais competitivas do País.

O que puxou a nota do Recife pra cima foi a performance de dois setores. Na formação de capital humano, a cidade ocupou o segundo lugar, perdendo apenas para Vitória, capital do Espírito Santo. Isso aconteceu por causa de melhoras nos indicadores de taxa bruta de matrícula no ensino técnico e profissionalizante; de taxa bruta de matrícula no Ensino Superior; e da qualificação dos trabalhadores em empregos formais.

Mesmo com a pandemia, a cidade do Recife melhorou no quesito Acesso à Saúde, no qual a cidade subiu 45 posições, ficando em 254º na classificação geral do ranking. “A inclusão de novos indicadores ligados à primeira infância contribuíram como obesidade na infância, entre outros”, explica o diretor executivo da Gove, Rodolfo Fiori.

Ainda na capital pernambucana, a maior queda foi observada no indicador inserção econômica no qual ocorreu um recuo de 69 posições, indo para a 155ª colocação geral. Também houve um retrocesso de 62 posições em telecomunicações, no qual a cidade passou a ocupar a 275ª posição.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Rafael Dubeux, atribuiu os resultados obtidos pelo Recife a prioridade da gestão municipal na formação de capital humano para com a finalidade de inserir uma parte da população de forma mais qualificada no mercado de trabalho. “Recife conseguiu avançar nos principais indicadores de competitividade mesmo em um ano difícil de pandemia, em que indicadores econômicos sofreram abalos em todo o mundo, especialmente no setor de serviços, o principal da cidade. A perda de empregos formais trouxe impactos em indicadores como o de “inserção econômica”, mas o Recife vem passando por uma forte retomada e já está com um patamar de empregos com carteira assinada acima do melhor momento pré-pandemia”, observou.

Outra cidade pernambucana que apresentou uma boa performance foi Abreu e Lima, localizada no Norte da Região Metropolitana do Recife. A cidade subiu 43 posições na classificação geral, ocupando a 310ª posição. “Foi um crescimento expressivo. A cidade aumentou 105 posições na taxa bruta de matrícula para ensino técnico e profissionalizante, ficando em 18º lugar neste indicador. Em termos de crescimento de emprego, esta cidade teve o segundo maior crescimento no Brasil. É sempre bom lembrar que o ranking é sempre uma melhora relativa e não uma melhor absoluta”, argumenta o coordenador de Competitividade do CLP, Lucas Cepeda. Ele quis dizer que o crescimento ou recuo é sempre comparado com o levantamento anterior.

Abreu e Lima tem crescido muito porque há um polo de indústrias se instalando na Zona Norte da Região Metropolitana do Recife, liderados pelo setor de bebidas e automotivo, que gira em torno da fábrica de automóveis da Jeep, em Goiana. A multinacional também desenvolve várias iniciativas na área de educação nos municípios daquela região.

Na atual edição, também se destacou a cidade de Caruaru que melhorou em 11 posições na classificação geral, ficando em 177ª colocação. No indicador de destinação do lixo, a cidade ocupa a liderança geral do levantamento. Além disso, o município ocupa a 3ª colocação entre os 100 municípios mais competitivos do País. “Foi necessário elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, ainda em 2017, através de estudos que estratificam a composição do lixo da cidade. A partir disso, investimentos em equipamentos destinados ao tratamento dos resíduos começaram a ser realizados em Caruaru”, contou a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB). Raquel está viajando por todo o Estado de olho na eleição para governador de Pernambuco em 2022.

Já a cidade de Petrolina ficou na 212ª posição no ranking como um todo, aumentando em quatro posições, comparando o ranking deste ano com o anterior. O prefeito da cidade sertaneja é Miguel Coelho (DEM) que é pré-candidato ao governo de Pernambuco em 2022 e filho do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e líder do governo Bolsonaro na Casa Alta.

RECUO
Entre as cidades pernambucanas que recuaram no ranking geral, o maior tombo foi o de Camaragibe, que caiu 30 posições, para a 360ª colocação. Ao todo foram analisadas 20 cidades pernambucanas neste ano – e nesta edição foi acrescentado o município de Goiana, que estreou na 335ª posição. Dos 184 municípios pernambucanos, somente 20 fazem parte do levantamento.

As notas dadas aos municípios são uma média. Para elaborar a nota, são avaliados 65 indicadores, distribuídos em 13 pilares temáticos e três dimensões que são as seguintes: instituições, sociedade e economia – consideradas fundamentais para a promoção da competitividade e melhoria da gestão pública dos municípios brasileiros. Os pilares são: sustentabilidade fiscal, funcionamento da máquina pública, meio ambiente, acesso à saúde, qualidade da saúde, acesso à Educação, qualidade da educação, segurança, inserção econômica, saneamento e meio Ambiente; inovação e dinamismo Econômico, capital humano e telecomunicações.

Os 411 municípios que fazem parte do ranking representam 7,38% daqueles que têm acima de 80 mil habitantes, numa estimativa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2020. O Estado que tem mais municípios participando do ranking é São Paulo com 96 seguido por Minas Gerais com 48 cidades.

Os municípios que obtiveram as maiores notas do ranking estão em São Paulo, como Barueri, na primeira colocação, e São Caetano do Sul, em segundo lugar. Os últimos cinco colocados no ranking são todos do Estado do Pará.

O CLP é uma organização suprapartidária que tem como uma de suas finalidades engajar a sociedade para debater os grandes problemas do País e também contribuir para desenvolver líderes públicos. Há 12 anos, defende um Estado Democrático de Direito eficiente no uso de seus recursos e constituído sobre princípios republicanos.