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19 de junho de 2024 22:00

Suzano compra ativos de papéis de higiene da Kimberly-Clark no Brasil

Suzano compra ativos de papéis de higiene da Kimberly-Clark no Brasil

Contrato de compra e venda assinado na segunda-feira (24) é estimado em US$ 200 milhões, sem dívidas

Por Stella Fontes e Mônica Scaramuzzo
Para Valor Econômico — São Paulo

A Suzano anunciou na segunda-feira (24) a compra da operação de papéis de higiene (tissue) da americana Kimberly-Clark no Brasil. As duas companhias não revelaram o valor da transação, mas fontes a par do assunto calculam que esses ativos valem cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,06 bilhão ao câmbio de ontem), sem dívida. Com dívidas, o negócio alcança US$ 300 milhões. Com a aquisição, a produtora de celulose e papel eleva a cerca de 22% a participação no mercado nacional e ganha musculatura na região Sudeste, maior consumidor de papel higiênico.

Originalmente, a Kimberly-Clark colocou à venda suas operações na América Latina e queria negociar todo pacote para um único vendedor. Fontes afirmaram que a operação latino-americana era avaliada entre US$ 750 milhões a US$ 1 bilhão. O J.P. Morgan, que assessorou a americana, continua com o mandato regional. A Suzano concorria com a asiática RGE (dona da Bracell) no processo, conforme antecipou o Valor na sexta-feira. Segundo fonte próxima à operação, a companhia brasileira chegou a apresentar duas propostas, uma pela operação na América Latina e outra somente pelos ativos no Brasil, que se confirmou mais atraente.

Com a aquisição, a Suzano se torna dona de marcas tradicionais no varejo, como Neve, e de mais uma fábrica de tissue, com capacidade de 130 mil toneladas anuais em Mogi das Cruzes (SP). A companhia já tinha fábricas em Mucuri (BA), em Imperatriz (MA) e Cachoeiro de Itapemirim (ES), além de unidades em Belém (PA) e Maracanaú (CE).

 

 

 

 

 

 

 

 

As demais marcas usadas pela Kimberly-Clark no país, como Kleenex e Scott, serão licenciadas para a Suzano por “prazo determinado”, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O fechamento da operação está sujeito a determinadas condições precedentes, incluindo aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As operações de fraldas e absorventes não foram incluídas na venda e o valor do negócio será revelado após o aval do órgão antitruste, indicou uma fonte.

Em comunicado ao mercado, a Kimberly-Clark disse que seus esforços no Brasil “se concentrarão em acelerar o ritmo de crescimento de suas marcas de cuidados pessoais Huggies, Intimus e Plenitud”. “Em escala global e na América Latina, as categorias tissue e professional da Kimberly-Clark continuam desempenhando um papel fundamental no portfólio da empresa, com marcas líderes em muitos dos mercados onde opera.”

A Suzano, dona das marcas Mimmo e Max Pure, já é lider em tissue nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a Kimberly-Clark opera principalmente, na região Sudeste. Somente a marca Neve tem fatia nacional de 8,3%, segundo dados da Euromonitor. De acordo com a consultoria, o faturamento do segmento de papel higiênico atingiu R$ 9,08 bilhões no ano passado.

Com a compra dos ativos, a Suzano faz o caminho oposto da gigante americana. Até um passado recente, a Kimberly-Clark era uma grande produtora de celulose, mas passou a comprar a matéria-prima de concorrentes porque seus custos como produtora aumentaram, afirmou uma fonte do setor.

A indústria brasileira de tissue tem sido palco de grandes operações de fusão e aquisição há pelo menos quatro anos e anúncios de investimento em novas fábricas. Somente neste ano, o valor movimentado supera a marca de R$ 4,2 bilhões, sem considerar a venda dos ativos da Kimberly-Clark.

Em junho, a Softys, empresa do grupo chileno CMPC, assumiu a fluminense Carta Fabril, dona das marcas Cotton e Coquetel e alcançou a liderança no mercado brasileiro de papel higiênico, com participação de quase 30%. A aquisição foi fechada por R$ 1,14 bilhão sem incluir dívida. Antes, a Softys já havia adquirido a paranaense Sepac por R$ 1,3 bilhão.

A Santher, tradicional empresa brasileira de tissue, também mudou de mãos. Em junho, as japonesas Daio Paper e Marubeni concluíram sua aquisição, por R$ 2,3 bilhões. O novo ciclo é marcado ainda pela chegada de mais concorrentes ao mercado nacional. A Bracell já confirmou que pretende instalar uma fábrica de tissue junto à unidade de celulose de Lençóis Paulista (SP), com capacidade total instalada de 240 mil toneladas por ano.

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